A semana nem começou e eu já sei que será exaustiva. E tudo o que eu mais queria agora era ficar um pouco em casa, quieta, ouvindo a grama crescer. Eu queria tanto isso! Queria de uma certa forma voltar ao tempo, mesmo que isso signifique passar novamente por tudo o que os meus irmãos fizeram comigo. Vocês não sabem, né? Mas o Marco e a Adriana, dois e quatro anos respectivamente mais velhos do que eu, não foram tão legais comigo quanto são hoje.
A Adri, aquela garota meiga que a maioria conhece, teve idéias assustadoras e colocou-as em prática junto com o Marco quando eu tinha apenas seis meses. Claro que eu não me lembro, mas a história é contada pela minha mãe que eu não ouso desconfiar e que, aliás, acredito piamente.
Em nossa casa havia um imenso jardim, um balanço e um tanque de areia (disso eu me lembro!). Minha mãe diz que ela estava fazendo qualquer coisa lá dentro de casa quando de repente reconheceu que aqueles sons e gritos esquisitos eram emitidos pela sua caçula! Correu e se deparou com um inocente bebê no tanque de areia enterrado até as axilas. Ao lado, dois capetas, de 2 e 4 anos, com um caneco em punho jogando água fria na cabeça daquela criança doce que fui. Era julho de 1975. Inverno daqueles que o planeta nem sonhava com o tal do aquecimento global!!!!
Os meus dois queridos irmãos também me infernizaram por toda a vida dizendo que eu não era filha biológica dos meus pais. Diziam que haviam me achado na rua cheia de ranho no nariz ou que eu estava em uma daquelas imundas bacias azuis da feira.
Eu também era alvo preferido deles na guerra de travesseiros porque era completamente lenta e boboca (humpft!), e eu odiava brincar de pega-pega com eles porque eu sempre era café-com-leite! O Sr. Marco Del Monaco também foi responsável por fazer com que os meus pés dormissem enquanto eu o esperava na minha pré-escola. Explico: no final das “aulas” todas as crianças deveriam esperar seus familiares sentadas no pátio em posição de indiozinho. Não seria uma posição ingrata se a besta humano do meu irmão resolvesse me buscar mais rápido. Acontece que o horário que a caçula saia era exatamente o mesmo que começava o desenho preferido dele: Speed Racer. O que ele fazia então? Esperava o desenho acabar, claro!
Uma das brincadeiras do meu irmão mais cretina que me lembro era a diversão que ele tinha em me dar sustos. Eu chegava da escola e pow! lá estava ele, atrás de uma porta ou embaixo da cama fazendo-me enfartar. Depois de dois ou três dias levando sustos consecutivos, lembro que eu chegava em casa e o chamava: Marco? Marcoooo!!! Se vc. me der um susto eu arrebento a sua cara! Vou falar para a mamãe!!! Muitas vezes ele nem estava em casa e eu parecia uma patife falando sozinha. Lembro-me que nesta época o meu irmão fez com que nascesse em mim tamanha fúria que pensei em jogá-lo na privada e dar descarga.
Um dos meus maiores traumas foi aos 8 anos quando ele esqueceu de obedecer às ordens do meu pai que o advertia em ficar de olho em sua irmã mais nova, enquanto ele e minha irmã cuidavam do pagamento relativo ao presente que havíamos comprado para a minha mãe. O cenário? Mappin da Praça Ramos. Em segundos me vi completamente sozinha naquela loja de departamentos. Onde foram todos? Pai? Dri? Marco? Paiêêêêêê!!!!!!!! Abri um berreiro tão alto que em segundos todos os funcionários da loja estavam me acudindo. O meu irmão diz que ele não cuidou de mim porque eu estava tão quieta em um lugar da loja que ele achou que eu não fosse sentir falta de ninguém nem me mexer dali. Onde ele foi? Dar uma olhadinha nas fitas do Atari. Desnaturado! Mas devo admitir que depois de um tempo eles foram bem legais comigo. Nos parques de diversão, a Dri sempre segurava a minha mão no labirinto, porque eu tinha pânico de ficar lá para sempre, e também ficava ao meu lado na hora daquela mulher virar a macaca Monga. Eu me mijava de medo dela e, até hoje, sou capaz de começar a correr logo quando a louca começa a balançar aquelas grades.Eu juntei dinheiro para ir à Disney com a minha irmã, ia de bike da minha casa até o parque do Ibirapuera com o meu irmão e por diversas vezes acobertei as loucuras dele para que os meus pais não o “endireitasse”.
Lembro-me uma vez que fui ao cinema com a Dri para assistirmos “revelação” (filme com a Michele Pfeifer e Harrison Ford). Saímos de lá tão impressionadas que ela não deixou eu ir para a casa. Ela já morava sozinha e me disse que naquela noite não dormiria sozinha por nada. Para chegarmos até o carro, corremos como loucas na garagem do shopping, fugindo sabe lá Deus do quê.
No último ano do meu curso na faculdade o meu irmão ia me buscar. E o meu pai na época tinha uma kombi. Eu queria simplesmente morrer de vergonha, mas o meu irmão não. Ele se divertia com a minha cara de “eu-vou-te-esganar”! e não contente em me fazer passar por aquilo, um dia teve a brilhante idéia de me buscar na companhia de amigos, após se divertirem com alguma coisa que os deixavam bem engraçados. A cena? O meu irmão buzinando, acenando e me chamando enlouquecidamente pelo nome, enquanto os seus amigos Carlão, Coelho, Marcelinho e Kleber ficavam lá atrás cantando Buffalo Soldier, do Bob Marley. Somos muito amigos um do outro e seguramos a barra que for preciso, também um pelo outro. No dia que a minha irmã saiu de casa eu achei que fosse ter um troço e no dia em que meu irmão casou, eu achei que a vida tinha acabado.
Com cinco anos de idade fui mordida por um cachorro-louco e minha irmã não teve dúvidas: deu pauladas na cabeça do cachorro até ele se desgrudar do meu ombro. E aos 17/18 anos, quando eu saía com o meu irmão, não íamos a “baladas” e sim roubar leite no bairro do Morumbi com a turma de amigos dele que eram tão retardados quanto à idéia do roubo. E íamos de Kombi!
Dri e Marcão, amo vocês. E embora essa história esteja sendo contada em uma página que se chama “pedaço de mim”, podem apostar que vocês são bem mais do que isso. São tudo o que sou, fui e quero ser.
Pê
Puuuuutz, Pê… Show de bola… nota 1 milhão!!!
Tô super orgulhoso… e não apenas em ser seu irmão, e sim em poder me considerar seu BROTHER mesmo. Brother no sentido de camaradagem, de confianca, de fidelidade, das doidêra… sermos parceiros mesmo.
Sempre me recordo e, mesmo não tendo a certeza de que minha memória funcionará de acordo com a necessidade das minhas lembrancas (afinal aceleramos “um pouquinho” a algum tempo atrás) espero jamais me esquecer de cada detalhe destes causos relatados no texto… e faria tudo de novo… desde encharca-la na areia com água gelada em pleno inverno, até busca-la na facu com o KOMBÃO e toda galera ouvindo um reggaezinho (PQP, que saudade).
Pê, “quebra tudo” irmãzinha… tenho absoluta certeza do seu sucesso e, assim que o mundo descobrir todas as qualidades que este “mini” ser humano (mais humano do que mini) será capaz de demonstrar, seja sendo a “maluca da Tia Pê” ou simplesmente compondo textos maravilhosos, vai ser FOD…!!!
Enorme beijo!!!! Você é LINDA!!!!
E nós te amamos, viu Tia Pê?!?!?!?!
Também concordo!!!!!!!!!!!!!!!!
beijo.
Pê,
AMO VOCÊ e o Marcão mais do que vocês dois imaginam !!
Vc. é apaixonante e me fez reviver momentos tão gostosos de nossas vidas ! Como disse o Marcão, eu também faria tudo de novo (no caso da água eu só acrescentaria umas pedrinhas de gelo – ha, ha).
Sabe do que mais ?!?! Lembrei de quando tomávamos banho os três juntos no banheirinho de trás até a água ficar fria – e lá é minúsculo ! como é que a gente podia gostar ?!?! que bagunça deliciosa !! Ah, e também de quando a gente brincava nas férias com a Ana Luiza e o Luiz de “sanduíche de gente” com os colchões dobrados. … E quando o Marcão, depois do banho, virava o “Pela-Quedas”, totalmente pelado e com a toalha molhada servindo de capa de super-herói !! Imperdível !! Minha querida, eu AMEI !! Beijocas no coração !