O primeiro bailinho que freqüentei foi de um primo meu lá pelos idos de 1984. Foi no salão do prédio dele e a música do momento era aquela da propaganda dos cigarros Hollywood … This is my song for you…times I hope you will remember….here in my heart, here in my song….. Mas nos momentos da lenta era Madonna quem embalava os corações mais apaixonados. A canção Crazy for you ecoava a dez mil decibéis. Claro que para uma menina de nove anos esse momento era bem chato. O que me divertia mesmo, e pra valer, era o pessoal sacaneando os meninos, roubando suas garotas com uma vassoura em punho.
Mas foi em 1985 que íamos muito a bailinhos. A casa do Marcio, um dos amigos do meu irmão, foi onde tudo começou. Era um bailinho atrás do outro com meia dúzia de gato pingado na grande garagem que tinha aquela casa. Eu sabia que o Marcio arrastava uma asa pra mim, mas eu simplesmente MORRIA de vergonha e só dançava as lentas com ele com os braços bem esticados, a um quilômetro de distância – o que fazia do meu pai o homem mais feliz do mundo. Rráá, as músicas? O que é que há, do Fábio jr., e, claro, as máximas do Roupa Nova: Linda e Dona. Era lá também que dançávamos ao som de Ultraje a Rigor, Kid Vinil, Legião Urbana, Paralamas, Blitz e Barão Vermelho. Muitas dessas músicas ainda podem ser ouvidas nestes programas de rádio do tipo Love songs ou Flashbacks da vida, mas as que sacudiam mesmo eu nunca mais ouvi…Exemplos?
Quem tem mais de trinta certamente vai lembrar: eu sou free, free, sempre free, eu sofri demais…. e aquela música mamãe eu acho que estou… ligeiramente grávida….lembra? Eu só não lembro o nome da banda. E o dr. Silvana que cantava eu fui dar mamãe…fui dar um serão extra, trabalhei com o patrão... Também tinha uma música que, além de nos fazer dançar um monte, fazia com que ríamos dos meninos com suas performances engraçadas embaladas por “moreno alto, bonito e sensual, talvez eu seja a solução dos seus problemas”… Ai , que saudade. Sem contar o Ursinho Blau Blau, da banda Absyntho, e as sete vampiras, do Leo Jaime. Aliás, o Leo Jaime foi pra mim…ai, foi pra mim e para TODAS as meninas, garotas e mulheres dessa época, O CARA. Ainda amo-te Leo, e tu não sabe o quanto. E nem vem cantar “A vida não presta”, porque eu sou capaz de largar carreira, dinheiro e canudo só para cuidar de você e fazê-lo esquecer aquela lambisgóia-playboyzinha que, aposto, ia para a escola na época a bordo de um opala-diplomata!
Eu dançava e cantava como louca o sucesso do João Penca e seus Miquinhos Amestrados “…eu vou chorar lágrimas de crocodilos, vou inundar o seu umbigo...” Ah, e confesso, acabei de lembrar da banda metrô e fui direto no youtube para achar o vídeo das músicas “beat acelerado “e “tudo pode mudar”. Que vontade louca de ir a um bailinho! Daqueles que nos fazem balançar o esqueleto até, assim como “Cheia de charme”, do Guilherme Arantes, conseguia fazer. Juro!
Depois disso, em 86 e 87, os bailinhos passaram a ser na casa do William e tinham todo o aparato para uma festa de verdade. O William colocava luzes coloridas e não dançava tanto. Ele gostava mesmo era de ser o DJ. Foi aí que eu, junto com a turma toda, passei a dançar músicas do Van Halen, The Cure, Smiths, U2, Pretenders, Eurythmics, Scorpions e Whitesnake. Nessa miscelânea toda, a gente dançava também Sigue Sigue Sputnik , The Clash, Billy Idol e Ramones. Na hora da lenta, o William colocava London, London, do RPM, Never say goodbye, do Jon Bon Jovi e a clássica do filme Top Gun, Take my breath away. Eu era e fui uma das pivetas mais felizes dos anos 80. Mesmo dançando ridiculamente com os braços esticados e a cabeça baixa, de tanta vergonha. Eu era tímida e ninguém acredita, humpft!
A partir de 88 começamos a freqüentar danceterias e, apesar da pista “ferver” ao som do George Michael, The B-52´s, Inxs, A-ha, Paula Abdul, Eraser, Rick Asley, New Order e Jon Secada, o que eu queria mesmo era dançar, dessa vez coladinha, as lentas que tocavam no final da matinê. O sucesso da época? Rrráááá: Lost in your eyes, da Debbie Gibson.
Veja aqui quem era a minha quenga barata preferida.
Frustração: minha mãe nem deixava eu ir aos bailinhos vestida igual a Madonna. Droga! E a música do vídeo acima me inspirava à beça, porque eu e a minha irmã nos arrumávamos ouvindo essa canção. Ora mãe, só porque eu iria parecer uma quenga barata de 11 ou 12 anos se me vestisse daquele jeito ? Quanta bobagem!
Minha linda, estou morrendo de rir até agora com a sua expressão “quenga barata”. Hahaha, sua louca! Agora me explica o seguinte:
1. Você não tem vergonha de admitir que o seu esqueleto balançava ao som de “cheia de charme”? Porra, por que não deu o exemplo de “será”, do legião? Eu até que curtia muito essa música do Guilhermão, mas eu jamais admitiria qualquer outra coisa além disso. Nem sob tortura. Oh, meu Deus, você está sendo torturada?!
2. Braços esticados e cabeça baixa? QUAL ERA O SEU PROBLEMA?! Isso aí não é timidez, é viver sob tortura, digna de ditadura. Oh, meu Deus, o seu pai – aquele italiano doido – te torturaria se vc. o decepcionasse, não é mesmo?!
3. Se um dia você tiver uma filha eu APOSTO que você vai ter um chilique bem típico de dona Paola Del Monaco se ela chegar para você com 11 ou 12 anos querendo se vestir do jeito que a Madonna se vestia em 1983. Depois fica colocando a culpa na portuguesa. sei, sei.
Aqui um recado para o Leo Jaime: queridão, não caia no papo dela, não. Ela não largaria por nada nesta vida o Frango, o marido dela, e o mais importante: ela disse que largaria tudo, até dinheiro. Ela não tem grana, não, viu? Tudo papo dessa quenga-barata. rsrsrs
Ops,
Agora ele é assim…O cabelo…
Vixe, estou preocupara com a quenga barata…..kkkkkk
Bjs amore!
Bunita!!
Amei!!! Apesar de ser um pouquinho mais velha (rsrsr) me identifiquei totalmente com o que voce escreveu!!!
Mas… senti que teremos um problema gravissimo: quem ficará com o amado Leo????? rsrsrs
Pelo que vi temos vááááárias candidatas e eu to nessa!!!
Beijos
Te amo