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Archive for março \31\UTC 2008

A Dri e o Marcão

A semana nem começou e eu já sei que será exaustiva. E tudo o que eu mais queria agora era ficar um pouco em casa, quieta, ouvindo a grama crescer. Eu queria tanto isso! Queria de uma certa forma voltar ao tempo, mesmo que isso signifique passar novamente por tudo o que os meus irmãos fizeram comigo. Vocês não sabem, né? Mas o Marco e a Adriana, dois e quatro anos respectivamente mais velhos do que eu, não foram tão legais comigo quanto são hoje.
A Adri, aquela garota meiga que a maioria conhece, teve idéias assustadoras e colocou-as em prática junto com o Marco quando eu tinha apenas seis meses. Claro que eu não me lembro, mas a história é contada pela minha mãe que eu não ouso desconfiar e que, aliás, acredito piamente.

Em nossa casa havia um imenso jardim, um balanço e um tanque de areia (disso eu me lembro!). Minha mãe diz que ela estava fazendo qualquer coisa lá dentro de casa quando de repente reconheceu que aqueles sons e gritos esquisitos eram emitidos pela sua caçula! Correu e se deparou com um inocente bebê no tanque de areia enterrado até as axilas. Ao lado, dois capetas, de 2 e 4 anos, com um caneco em punho jogando água fria na cabeça daquela criança doce que fui. Era julho de 1975. Inverno daqueles que o planeta nem sonhava com o tal do aquecimento global!!!!
Os meus dois queridos irmãos também me infernizaram por toda a vida dizendo que eu não era filha biológica dos meus pais. Diziam que haviam me achado na rua cheia de ranho no nariz ou que eu estava em uma daquelas imundas bacias azuis da feira.
Eu também era alvo preferido deles na guerra de travesseiros porque era completamente lenta e boboca (humpft!), e eu odiava brincar de pega-pega com eles porque eu sempre era café-com-leite!
O Sr. Marco Del Monaco também foi responsável por fazer com que os meus pés dormissem enquanto eu o esperava na minha pré-escola. Explico: no final das “aulas” todas as crianças deveriam esperar seus familiares sentadas no pátio em posição de indiozinho. Não seria uma posição ingrata se a besta humano do meu irmão resolvesse me buscar mais rápido. Acontece que o horário que a caçula saia era exatamente o mesmo que começava o desenho preferido dele: Speed Racer. O que ele fazia então? Esperava o desenho acabar, claro!
Uma das brincadeiras do meu irmão mais cretina que me lembro era a diversão que ele tinha em me dar sustos. Eu chegava da escola e pow! lá estava ele, atrás de uma porta ou embaixo da cama fazendo-me enfartar. Depois de dois ou três dias levando sustos consecutivos, lembro que eu chegava em casa e o chamava: Marco? Marcoooo!!! Se vc. me der um susto eu arrebento a sua cara! Vou falar para a mamãe!!! Muitas vezes ele nem estava em casa e eu parecia uma patife falando sozinha. Lembro-me que nesta época o meu irmão fez com que nascesse em mim tamanha fúria que pensei em jogá-lo na privada e dar descarga.
Um dos meus maiores traumas foi aos 8 anos quando ele esqueceu de obedecer às ordens do meu pai que o advertia em ficar de olho em sua irmã mais nova, enquanto ele e minha irmã cuidavam do pagamento relativo ao presente que havíamos comprado para a minha mãe. O cenário? Mappin da Praça Ramos. Em segundos me vi completamente sozinha naquela loja de departamentos. Onde foram todos? Pai? Dri? Marco? Paiêêêêêê!!!!!!!! Abri um berreiro tão alto que em segundos todos os funcionários da loja estavam me acudindo. O meu irmão diz que ele não cuidou de mim porque eu estava tão quieta em um lugar da loja que ele achou que eu não fosse sentir falta de ninguém nem me mexer dali. Onde ele foi? Dar uma olhadinha nas fitas do Atari. Desnaturado!
Mas devo admitir que depois de um tempo eles foram bem legais comigo. Nos parques de diversão, a Dri sempre segurava a minha mão no labirinto, porque eu tinha pânico de ficar lá para sempre, e também ficava ao meu lado na hora daquela mulher virar a macaca Monga. Eu me mijava de medo dela e, até hoje, sou capaz de começar a correr logo quando a louca começa a balançar aquelas grades.Eu juntei dinheiro para ir à Disney com a minha irmã, ia de bike da minha casa até o parque do Ibirapuera com o meu irmão e por diversas vezes acobertei as loucuras dele para que os meus pais não o “endireitasse”.
Lembro-me uma vez que fui ao cinema com a Dri para assistirmos “revelação” (filme com a Michele Pfeifer e Harrison Ford). Saímos de lá tão impressionadas que ela não deixou eu ir para a casa. Ela já morava sozinha e me disse que naquela noite não dormiria sozinha por nada. Para chegarmos até o carro, corremos como loucas na garagem do shopping, fugindo sabe lá Deus do quê.
No último ano do meu curso na faculdade o meu irmão ia me buscar. E o meu pai na época tinha uma kombi. Eu queria simplesmente morrer de vergonha, mas o meu irmão não. Ele se divertia com a minha cara de “eu-vou-te-esganar”! e não contente em me fazer passar por aquilo, um dia teve a brilhante idéia de me buscar na companhia de amigos, após se divertirem com alguma coisa que os deixavam bem engraçados. A cena? O meu irmão buzinando, acenando e me chamando enlouquecidamente pelo nome, enquanto os seus amigos Carlão, Coelho, Marcelinho e Kleber ficavam lá atrás cantando Buffalo Soldier, do Bob Marley. Somos muito amigos um do outro e seguramos a barra que for preciso, também um pelo outro. No dia que a minha irmã saiu de casa eu achei que fosse ter um troço e no dia em que meu irmão casou, eu achei que a vida tinha acabado. 
Com cinco anos de idade fui mordida por um cachorro-louco e minha irmã não teve dúvidas: deu pauladas na cabeça do cachorro até ele se desgrudar do meu ombro. E aos 17/18 anos, quando eu saía com o meu irmão, não íamos a “baladas” e sim roubar leite no bairro do Morumbi com a turma de amigos dele que eram tão retardados quanto à idéia do roubo. E íamos de Kombi!

Dri e Marcão, amo vocês. E embora essa história esteja sendo contada em uma página que se chama “pedaço de mim”, podem apostar que vocês são bem mais do que isso. São tudo o que sou, fui e quero ser.

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Fúria

Durante um acesso de fúria, é incrível a capacidade que temos de dizer tantas coisas sem pensar. É inacreditável a força que uma palavra tem e o que essa palavra pode representar para uma única pessoa. E às vezes, por mais que tenhamos uma certa razão em esbravejar daquele jeito, a gente esquece que a proporção que damos àquela situação é no mínimo insensata e extravagante até demais. E aí, quando falamos demais, mais do que a pessoa merece e mais do que gostaríamos, o descontrole destrói toda uma história. E muitas vezes, esse acesso de fúria te faz perder, além da cabeça, algo bem especial.No caso, no meu acesso de fúria, eu esqueci de dizer que mesmo te odiando, eu continuo te amando.

No meu acesso de fúria eu esqueci de agradecer por você ter despertado o melhor de mim e por tudo que provocou na minha alma.

No meu acesso de fúria, eu esqueci de dizer que eu jamais irei te esquecer.No meu acesso de fúria, eu esqueci de dizer que não irei distorcer os fatos transformando a nossa história em uma passagem desastrosa, como assim você me disse. No meu acesso de fúria eu esqueci de dizer que você é vida em mim, inspiração e sinônimo de momentos de pura felicidade. No meu acesso de fúria eu esqueci de dizer que eu penso no seu beijo a cada dia que passa só para não esquecer de toda aquela coisa toda. No meu acesso de fúria eu esqueci de dizer que você sempre será o meu herói, o meu príncipe encantado e o meu amor. Aquele do tipo perfeito, do tipo pra uma vida inteira.No meu acesso de fúria eu esqueci de dizer que você foi a melhor parte de toda aquela realidade que eu vivi.No meu acesso de fúria eu esqueci de pedir que você me encontre nas próximas vidas. E esqueci de te pedir que nas próximas vidas a gente não se perca como nos perdemos nesta. Nas próximas vidas eu quero que a nossa única opção seja a de ficarmos juntos. Você vai estar lá, né? Se não, você verá só o que é um verdadeiro acesso de fúria. E antes de finalizar, só para não esquecer, eu te peço que, por favor, não me esqueça.   

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“Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice”

Arnaldo Jabor 

Há nove anos, o sol – que brilhava bem forte no céu – provocou o nosso encontro naquela sorveteria. Aquele dia, há exatos nove anos, a gente sentia aquela coisa toda, boba que só. Trocamos olhares, contamos histórias engraçadas um para o outro, rimos um do outro, rimos de felicidade e ríamos porque estávamos lá, um ao lado do outro. Foi naquele dia, há nove anos, que a gente não conseguiu resistir mais e nos beijamos. O nosso beijo tinha sabor de sorvete e foi seguido por um sorriso tímido. Aquele beijo, naquele dia, marcou de uma vez por todas o primeiro dia dos nove anos que seguiram. Foi lá que tudo começou. Começava a história da Vaca e do Frango. Começava a nossa história. Eu sei, nós somos bizarros como os personagens do desenho “ A Vaca e o Frango”, e por isso nos apelidamos assim. Nada de benhê pra cá ou nenê pra lá, nada de gata daqui ou cuti-cuti de lá. Somos a Vaca e o Frango, temos características divertidas como a louca da Vaca e o sarcástico Frango do cartoon network; e no início, antes de nos apaixonarmos, nos estranhávamos bastante – eu o achava sério demais, o que nunca me atraiu, e você me achava uma chata, o que não era verdade – humpft!. Mas acho que o mais engraçado de tudo isso é que eu jamais imaginaria que eu seria capaz de amar e casar com alguém que me chama carinhosamente e diariamente de vaca (!). É, eu sei também…nós temos milhares de coisas em comum e centenas de diferenças; você odeia cinema, eu odeio futebol, você não é nem um pouco romântico, eu não sou paciente, você é todo carinhoso, eu uma sonhadora invicta, você é tímido, eu falo alto, você dorme cedo, eu só depois da uma da manhã, você ama jogar aquelas corridas no computador e eu odeio ter de aturar aquele volante grudado na mesa do escritório. Eu falo muito enquanto durmo, você assobia canções que não existem enquanto dirige, eu roubo mais da metade da cama e você sempre desprende o lençol do colchão. Você tem as unhas dos pés mais horrorosas do mundo, mas o sorriso mais encantador desta vida. Você é capaz de acionar o despertador para não perder o treino do grande prêmio da Fórmula 1 e eu sou capaz de virar noites vendo todas as temporadas das minhas séries preferidas. Você me enfurece ao acordar cantando e me fazendo interrogatórios propositadamente sobre futebol, religião, tragédias mundiais e mitos incas só para ver o quanto pode inquietar o alien matinal que há dentro de mim, e depois se diverte com o meu bico enjoado que se arrasta até a Marginal do Tietê. Você ama as histórias cretinas que conto antes de dormir e odeia quando eu resolvo “brincar” de FBI, chutando a porta do nosso quarto com uma arma colorida de brinquedo em punho gritando “freeeeeeeeezzzzeeee!” , ou quando entro na cozinha sozinha e grito “limpoooooooo!” – bancando a detetive. Eu reclamo de toalhas não estendidas, você reclama de eu nunca repor o papel higiênico, você  adora cozinhar e eu nunca acerto no arroz. São-paulino roxo, você me deixa doente com a sua rotina ao ouvir o seu programa favorito: “panorama esportivo”, transmitido diariamente pela rádio globo AM, das 22h à meia noite. Quando digo que eu hei de convencê-lo a nunca mais ouvir rádio AM, você diz que a probabilidade é tão grande quanto eu alcançar um metro e meio de altura. Pôxa, por que é que você não ouve “Love Songs?!”, eu – sinceramente – iria preferir. Ah sim, o meu excelentíssimo marido adora ler atentamente o Atlas mundial que mede 1,60 de largura x 2 m de altura! Eu me pergunto verdadeiramente como alguém pode se interessar ou achar graça em saber algo sobre uma cidade mega escondida no meio da federação russa (isso existe?) sem ao menos sequer imaginar como se pronuncia “voronezhskaya oblast” ou ainda “novoahskhtinsk shakhty”. Tsk tsk tsk. Não obrigada, prefiro os gêneros literários que tenho lido ultimamente como, por exemplo, Calvin & Haroldo. A gente é diferente, eu sei. A gente torce o nariz para um monte de coisa que um ou outro gosta de fazer, mas a gente construiu uma vida tão deliciosamente idiota que fez toda a diferença. Há nove anos, estávamos idiotamente e perdidamente apaixonados um pelo outro. E hoje, depois de nove anos, continuamos idiotas e loucos um pelo outro. Somos felizes porque somos idiotas. Somos felizes porque nos amamos. Somos felizes porque há nove anos a gente se permitiu sem nenhum medo, sem nenhum jogo, sem nenhuma máscara. Eu não vivo sem você e te amo a cada dia que passa. Obrigada Frango do meu coração.
Da sua sempre Vaca,

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Sabe aquele encontro que você espera há dias, semanas, meses, ou até mesmo, há anos? É disso que estou falando.Sabe aquele frio na barriga que dá só de pensar em encontrar a pessoa? E o que dizer sobre aquela ansiedade toda que você sente quando conta os dias que faltam, fazendo “X” no calendário para eliminar os que se arrastam? É disso que estou falando.Sabe quando você abre o armário e fica horas selecionando a roupa para o grande encontro, e as dúvidas infinitas de qual é o melhor modelo para tal ocasião não param de te atormentar? É disso que estou falando.Sabe aquele medo de se deparar com o seu cabelo ultra rebelde justamente naquele dia, e do medo de você transpirar tanto a ponto de o desodorante vencer? É disso que estou falando.Sabe aquela noite em claro que você passa um dia antes do encontro tamanha é a sua euforia? É disso que estou falando. Sabe aquelas bobeiras deliciosas que você pensa enquanto toca uma música e que te faz imaginar como será esse encontro? É disso que estou falando. Sabe aquela suadeira que dá quando você está a caminho desse encontro? É disso que estou falando.Sabe aquela tremedeira que dá momentos antes de vocês se encontrarem, aquele descontrole insano que impede de disfarçar o quanto a sua perna está bamba, o quanto as suas mãos te entregam e do quanto o seu corpo inteiro sacode? É disso que estou falando.Sabe aquela sensação de que você vai desmaiar, que você sente a boca seca, o coração disparado e a respiração desenfreada? É disso que estou falando.Sabe aquela vontade de você se jogar nos braços daquela pessoa com a intenção de acalmar a sua alma? É disso que estou falando.Sabe aquela vontade de o tempo parar por instantes infindáveis e de haver dias de no mínimo 35 horas? É disso que estou falando.Sabe aquela sensação de que depois desse encontro você pode até morrer, porque viveu o melhor da sua vida? É disso que estou falando. E quando o encontro acaba, sabe aquela tristeza doída que fica e aquela sensação vazia que dilacera a alma te deixando sem rumo ? É disso que eu estou falando.

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O terceiro

             “Um amante revela a qualquer mulher tudo                 quanto o marido lhe oculta”

Honoré de Balzac

Descobri que a estratégia de certas mulheres para não se apaixonar por completo por um homem é envolver-se com outro. Não seria nenhuma novidade se eu não estivesse falando sobre o medo de uma mulher se envolver com o seu amante, e que por conta disso, decide partir para uma terceira opção no “mercado”, sem necessariamente dar um fora em sua “filial”. Até porque, o amante lhe faz bem, bem até demais, e é exatamente por isso que ela precisa buscar um novo foco. Do contrário, ela corre o risco de fazer com que sua relação com o amante torne-se cada vez mais envolvente, viciante e sôfrega. Antes o que era uma “brincadeira”, passou a ficar sério, e o amante passa a ser o primeiro e último pensamento do dia dessa mulher. Ela está apaixonada de verdade e a um passo para desistir de sua vida com o marido, transformando a atual filial em matriz. O medo a toma por completo e ela decide então arranjar mais uma filial para o seu dia a dia. Assim, pode equilibrar emoções e acalmar certos anseios. Para algumas mulheres tal decisão não passa de uma loucura sem o menor cabimento e com fundamento zero. Como uma mulher pode ser feliz com o seu marido, com o seu amante e ainda querer ser um pouco mais feliz com o terceiro? E tudo ao mesmo tempo agora (!), como diria o título de um dos CDs dos Titãs. Para quem questiona o por quê dessa mulher não largar o marido, a resposta é simples. Ela é feliz com o seu marido, sua matriz. Eles construíram uma cumplicidade, uma intimidade e um companheirismo que ela não tem o menor interesse de perder nem de construir do zero tudo isso com outro alguém. Há amor na relação deles, há diversão, mas talvez, diz ela, falte apenas um tal de “frio na barriga”. Para aquelas que perguntam o por quê dessa mulher sentir necessidade de arranjar um amante, mesmo sendo feliz, a resposta também é bem simples, segundo essa mulher: não há tempo de haver discussões chatas entre ela e o seu amante, o que – diga-se de passagem – é impossível numa relação de marido e mulher. Eles não têm tempo de mostrar seus defeitos e não há tempo para as brigas. Portanto, o momento que ela passa com o seu amante é sempre cheio de poesias, alegria e leveza. Há um descompromisso que é impossível haver em seu cenário doméstico. Longe dos problemas do dia a dia, os amantes sempre serão um motivo de prazer e estímulo para enfrentar qualquer chatice da vida doméstica. E ela não vai querer perder isso por nada. Mas ao mesmo tempo, não pode transformar esse amante (filial 1) em sua chatice, tal qual é às vezes o seu marido. Para aquelas que não se conformam com a estratégia desta mulher que arranjou um terceiro para não se envolver tanto com o seu amante, a resposta também é simples: ao sentir-se conquistada, seduzida e desejada por esta nova pessoa, essa mulher certamente fará com que a sua filial 1 seja administrada de uma forma mais prudente. Para quem está se perguntando como é que alguém consegue lidar com uma matriz e duas filiais, a resposta desta mulher parece ser simples: ela tem conseguido, oras bolas. Basta um tantinho de sabedoria e zero de contextualizações ou complexidade, diz ela. No fundo, essa mulher desafia os seus próprios sentidos, seus próprios limites, brinca com a vida, saboreia sempre cada nova emoção da maneira que ela acha mais certo. Ela arrisca e enfrenta o que muitas invejam e a condenam. Ela não liga para os estereótipos que a vida obriga. Para algumas, essa mulher não passa de uma aventureira, pistoleira (!) diriam algumas, ou destruidora de seu próprio lar. O fato é que ela é uma empreendedora de homens com uma matriz e duas filiais, administradas de forma corajosa e autêntica. Não tem medo de ser feliz, de aproveitar cada oportunidade por ela provocada. Segundo ela, que venha o terceiro, o quarto ou o seu único amor. Não importa. Para ela, o que importa é a felicidade plena, o sorriso no rosto, o friozinho na barriga, o amor no coração e a paixão na alma. Bem, eu também gosto de viver a vida assim, mas não preciso de um marido e dois amantes. Afe! Eu mal consigo administrar um único homem (rs)! Opiniões opostas ou não, concordo com essa mulher: a gente tem mais é que ser feliz e não importa qual é o meio que acreditamos ser o mais certo. Importa ser feliz. E ponto final.

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Eu não gostei

Você saiu da minha vida de uma maneira muito agressiva, eu diria até bem cruel e brutal. Eu não gostei.

Você disse palavras duras e difíceis de aceitar. Eu não gostei.

Você sintetizou a nossa história como algo que te faz mal. Eu não gostei.

Você nem tomou cuidado para medir cada palavra. Eu não gostei.

Você mostrou uma face que eu desconhecia. Eu não gostei.

Você fez com que eu me sentisse uma história errada e infeliz da sua vida. Eu não gostei.

Você argumentou de uma maneira fria e profundamente indiferente. Eu não gostei.

Você foi enfático ao dizer que não queria e que não precisava mais daquilo tudo. Eu não gostei.

Você finalizou toda a nossa história fazendo bem pouco dela e fazendo pouco de nós. Eu não gostei.

Você silenciou como se assim fosse o mais certo. Eu não gostei.  

Você decretou o fim como se fosse o melhor pra mim e pra você. Eu não gostei.

Você me aconselhou a ficar bem e a viver feliz. Eu não gostei.

Você me machucou de verdade como eu nunca imaginaria que você fosse capaz. Eu não gostei.

Eu não gostei do que eu li nem do que eu senti. Eu não gostei de ter tido participação zero nessa decisão toda. Eu não gostei de você ter solucionado a grande questão e resolvido isso tudo sozinho, sem ter me dado a chance de perguntar, discordar, protestar ou de convence-lo a pensar diferente. Não, eu não gostei de sua atitude.

E odeio profundamente a sua covardia, a sua indiferença, a sua frieza, a sua insensibilidade e a sua falta de respeito

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Mulher independente

Para toda panela há uma tampa, certo? Sei não. Se você continuar achando que todo esse ar de independência e intelectualidade única e soberana é a sua melhor tacada, creio que você só tende a colecionar aventureiros. Ok, eu acho o máximo você conhecer culturas e costumes de povos distantes, acho bacana a propriedade que você tem ao falar sobre a era geológica do período Mesozóico ou a respeito do apogeu jurássico, ou ainda sobre o novo e gigantesco acelerador de partículas atômicas e sobre a política do leste europeu. Qualquer um fica fascinado com todo o seu conhecimento, que vai desde vinhos e cinema asiático até fatos relativos à arqueologia da Guatemala e à mitologia greco-romana. Mas pare e pense só um pouquinho e veja o quanto tudo isso é uma chatice só. Porque na maioria das vezes é só você quem fala, é só você quem tem a informação e é quem sabe sobre tudo. É sempre você que conhece o melhor lugar, a melhor iguaria, o melhor livro, o melhor tecido, a melhor receita, a melhor paisagem e blá blá blá. Mas que mania de sempre querer provar ao mundo de que você é a melhor, a mais inteligente, a mais antenada, a melhor referência! Não é a toa que está sozinha, não é a toa que as pessoas que têm te cercado são iguaizinhas a você. Eu as vezes te aturo em nome dos velhos tempos! Pára de ficar aí com esse ar blasé bancando a “eu me basto”. Fica vomitando filosofias de mulher independente, que se basta com seus truques para abrir uma lata de azeitonas sozinha. Não se engane tanto, porque no fundo já se flagrou com a maior inveja daquela sua amiga que casou, é feliz e que você insiste em chamá-la de jeca. Fica se convencendo que até agora não encontrou ninguém porque não conheceu até hoje alguém à sua altura. Ele tem que ser bonito, simpático, estabelecido financeiramente e profissionalmente, tem que ser malhado, tem que ser bom de cama, tem que acompanhar o seu ritmo, tem que te levar nos melhores restaurantes, tem que gostar de viajar ao menos três vezes ao mês, tem que respeitar a sua liberdade, tem que ser carinhoso, tem que ser intelectual, tem que ser divertido e tem que te surpreender sempre. Puxa, se achar um assim não avise, mas não avise mesmo a ninguém.  Pára de se enganar, moça. Pare de levar tudo a ferro e fogo. Para de levantar essa bandeira de que é auto-suficiente e não precisa de mais nada e muito menos de ninguém. Para de repetir “antes só do que mal acompanhada”. Quanta babozeira! Pare de ser seguidora daquela louca que resolveu queimar o soutian (ai se eu pego essa daí!) O tempo tá passando e as chances de você encontrar alguém existem, óbvio, mas as características são as seguintes: divorciado, com dois ou três casamentos falidos, com três ou mais filhos, e metido a ser um garotão de 20 e poucos anos só porque come todas as mulheres do departamento, o que o torna um ridículo que não percebe o quanto é usado e menosprezado.  Não é para se desesperar, não é para se entregar para qualquer um. O ponto aqui é outro. É se dar uma chance e tentar ser feliz. Por que não com aquele cara que você vive dando um fora só porque ele preenche apenas 6 requisitos de sua lista de  74 exigências. Vai lá, veja qual é a dele. Quem sabe? Comece a pensar na possibilidade de construir uma história bacana ao lado de alguém, mesmo que ele tenha as unhas do pé mais horrorosas do universo, mesmo que ele tenha a cretina mania de assistir futebol no dia que você mais gosta de ir ao parque ou de ir ao cinema. Se dê uma chance. A vida tá passando aí na sua frente. Planejamento demais pode ser atraso de vida e perda de tempo. Pense nisso, mulher-independente.

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