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Archive for abril \30\UTC 2008

 

Se houver dúvidas, estou fantasiada de flor – hehehe

 

Domingo, dia internacional de comer macarrão na casa da mãe com toda a família. E dia da Tia Pê (eu, no caso) fazer parte de todas as brincadeiras de suas três sobrinhas: Marina, Roberta e Giulia com 3, 5 e 8 anos, respectivamente. A menor não espera nem eu cumprimentar os meus pais ou os meus irmãos. É enfática e berra: Tia Pê, vamos brincar?! A minha brincadeira preferida é gritar “Montinho”, me jogar no chão e aguardar as três em minhas costas. Mas nos divertimos muito também durante o esconde-esconde. Até porque Marina, a menor, não compreende a idéia principal e faz de tudo para ser encontrada quando pergunto com uma entonação cretina “cadê a Marina?”, mesmo ouvindo as gargalhadas dela vindas debaixo do cobertor. Mas o melhor é que a graça da brincadeira não é encontrá-la e sim fingir que levou um grande susto quando ela sai de seu esconderijo e grita “bu!”. Quando é ela quem bate cara, eu preciso me esconder de modo que ela ache que eu estou fazendo isso. Aí eu me enfio debaixo do tapete ou atrás da cortina com o pé para fora me mexendo o máximo que posso. E quando ela me descobre, é a minha vez de gritar “bu!”

Giulia e Roberta já estão em uma fase mais cheia de imaginação e, portanto, suas brincadeiras são cheias de fantasia. Amam brincar de escritório ou espiãs. E haja imaginação para inventar as tais missões, sejam elas corporativas ou não. Peço para contarem quantas pegadas são precisas até o quarto mais distante utilizando as rotas mais longas. Obviamente dá diferença, porque a de 8 anos é bem maior do que a de 4. Peço para acharem duas formigas distintas ou ainda digo para elas hipnotizarem o meu pai com um relógio. Depois é hora de fazerem apresentações fantasiadas de princesa, noivinha, caipirinha, ou qualquer outra coisa. E adoram quando eu digo à platéia: “respeitável público, a Tia Pê apresenta orgulhosamente Marina, Giulia e Roberta!” Também me divirto um monte brincando de polícia e ladrão. A gente coloca uns panos no rosto, deixando só os olhos de fora. É o nosso disfarce para ninguém nos reconhecer. Pegamos nossas armas (escovas e pentes) e entramos na sala gritando para todo mundo: mão na cabeça! Ninguém se mexe, porque isso aqui é um assalto! A gente grita tanto e as “vítimas” também que, chega um momento em que ninguém mais sabe quem é quem.

Mas não há coisa mais engraçada do que vê-las dançando a coreografia da Xuxa. Confesso: não agüento mais ouvir e ter de dançar a tal da música “estátua”. Não conhece a música? Não queira. É o tipo da música que não saia da sua cabeça nunca mais. A coreografia? Grave aí: você tem que colocar uma das mãos na cabeça, a outra na cintura, um pé na frente e outro atrás. E claro, cantar. Quanto mais alto, melhor. Há uma parte que você tem que rodar. E com as mãos e braços esticados, imitando um aviãozinho. O saldo? Risadas, sempre!

Tem os momentos das tiradas também. O Johnny, o cachorro, às vezes espirra. E num certo dia, a Marina disse “saúde” para ele. E quando ele decide entrar um pouco além da porta de entrada, é repreendido pela Giulia que diz: “não, não e não seu vigarista. Pode ir para fora onde é o seu lugar”. A vez da Roberta é dizer, no meio da nossa brincadeira de garçonete e cliente, que ela sugere como entrada a deliciosa sopa de lesma. E todos têm que achar o máximo tal recomendação.

Para fechar o dia, muitas vezes brincamos de cabeleireira. Óbvio que eu sou a vítima, ops, a cliente. Marina e a Roberta são as maquiadoras e a Giulia faz o meu cabelo. Fico com gliter até a orelha e o gel do cabelo dura, normalmente, semanas a fio. Básico. Muitas vezes me livro do esmalte, mas não é sempre não.

Depois de tanta atividade, eu fico moída e completamente sem forças. Mas com uma sensação muito gostosa. Família é isso aí e há tempos os meus domingos são cheios de risadas. Que bom. Sempre achei que, algum dia, me livraria daquelas tardes dominicais melancólicas, ao som dos programas do Silvio Santos durante o dia e término com a musiquinha do Fantástico. Um brinde aos domingos engraçados. Um brinde à família. E um brinde, com uma lagriminha caindo, à nova sobrinha que há um mês chegou para entrar nesse time. Seja bem-vinda à vida, Sofia, e junte-se a nós.

Beijos da Tia Pê. 

 

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Vale a pena?

Tome outros ônibus. Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método,

o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor. a nova vida. Tente.

Mudança – Clarice Lispector

 

Aí está você, nesta sua vida toda corrida, toda cheia de atividades e ações para colocar em prática. Está cheia de trabalho, com milhões de post-its grudados na tela do computador para não esquecer de nenhuma de suas zilhões de tarefas diárias.

Aí está você, toda aflita porque não consegue dar conta de tanta demanda, e toda afobada porque as oito horas de trabalho são insuficientes para você se desatolar.

Aí está você, ilhada por papéis e sobrecarregada com tudo.

Aí está você, em falta com amigos, com a família e com você mesma.

Aposto um danoninho que não faz depilação há semanas, que o seu cabelo já deveria ter sido tingido há mais de um mês e que suas olheiras estão no joelho. Aposto uma bandeja inteirinha de danoninho que você esquece de ligar para os seus pais apenas para dizer oi e chega em casa latindo, só porque o seu dia foi, mais uma vez, estressante.

Não percebe o quanto você se afasta do melhor da vida mantendo essa sua cara emburrada, esse seu jeito reclamão e essa sua mania de bufar a toda hora?

Você está nesse ritmo insano há tanto tempo que não sabe o que é voltar do almoço  só depois de uma hora e meia.

Responda rápido: quando foi a última vez que saiu no seu horário? E há quanto tempo tem chegado antes do expediente começar?

Só mais uma perguntinha: ao deitar, você pensa em quê? Em todas as pendências do trabalho ou no filme que você irá assistir no fim de semana? Ah, desculpe, você não sabe o que é alugar um filme ou ir a um cinema há um bom tempo…hum…

Isso, vai, vai desperdiçando. Vai ignorando o que realmente importa. Vai, mas cuidado porque não há volta.

Pense. Pense bem no que você está fazendo. E preste atenção. Muita atenção. E de boa, coloque um sorriso no cantinho dos seus lábios, esquente-se um pouquinho no sol lá fora, admire as cores que compõem o céu. Permita-se. Permita-se qualquer coisa, menos isso que faz diariamente e há tanto tempo.

Sim, nós sabemos o quanto você lutou para chegar onde chegou, o quanto foi esforçada em toda a sua vida, desde as provas de aritmética até as grandes soluções sugeridas para o alto escalão da empresa. Mas será tão difícil tirar o pé do acelerador um pouco? Será tão difícil dizer um bom dia com o semblante mais leve?

Ok, você tem contas pra pagar, ama o que faz e está onde está por mérito próprio. Mas, afinal, quanto isso vale a pena?

 

 

 

 

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Eu gosto de:

Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe

Helena Elis

 

Lápis de cor. Bolhas de sabão. Meias. Cotonetes após o banho. Ler Calvin & Haroldo. Cartas escritas à mão. Lápis com grafite grossa. Prateleiras cheias de livros. Colo.  Desenhos de crianças. Vidro com balas coloridas. Pijama limpo. Cheiro de livro novo. Margaridas. Abraço. Dançar coladinha com alguém. Estrada com céu rosa. Amora. Acompanhar formigas com o olhar. Sofá que afunda. Decoração provençal. Canecas. Risada de criança. Cadernos com capa de tecido. Casinha feita para passarinho. Enrolar uma mecha do cabelo quando estou com sono. Pirulito que vira chiclete. Vilarejos e prédios baixinhos. Manteiga em pão quentinho. Céu estrelado. Origami. Saquinhos feitos com organza. Presilhas de florzinhas. Mergulhar a mão em sacos de semente. Cheiro de eucalipto. Gente que diz “te cuida”. Hino nacional.Giz de cera. Fita cassete. Batom de manteiga de cacau. Balanço. Sopa de feijão. Máquina de escrever. Velhinhos de mãos dadas. Pôr-do-sol. Beijo roubado. Biscoitos em forma de bonecos. Cheiro de alho e cebola refogados. Sotaque do povo do sul. Barulho da chuva. Dormir de conchinha. Escrever pra mim mesma e abrir só depois de muitos anos. Bancos de praças. Colchas de patchwork. Ouvir músicas que gosto no último volume. Colocar os pés no painel do carro. Plataforma de estações de trem. Lua amarela. Ler revista de trás pra frente. Tomar milk shake direto do copo e ficar com o bigode gelado. Cheiro da terra depois da chuva. Produtos artesanais. Arco-íris. Ler na poltrona lá de casa.  Cheiro de grama cortada. Boiar. Doce bem-casado. Tatuagem. Vento. Fotos antigas. Coleções. Olhar peixes. Rir sozinha. Revistinhas de passatempo. Dar nomes às plantas. Histórias. Capas de livros antigos.

Eu gosto de pensar em você e lembrar de nós.

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Onde fica o cu

no escuro. no vácuo. no furúnculo. na curtição. no conde-drácula. no ato ecumênico. na tuberculose. na discussão. na cultura. no espetáculo. no cálculo. na faculdade. no veículo. no concurso. na ocupação. no cuidado. no custo. na cumplicidade. na circunferência. no discurso.. no culto. na curiosidade. no cumprimento. na cutícula. no percurso. na cura. no recuo.

O cu fica no acúmulo da culpa.

O cu fica nas circunstâncias da vida.

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O vôo

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Carlos Drumonnd de Andrade

 

Eu sei o que eu disse. Eu disse que estávamos juntos naquela ponte. O que não sabíamos era se deveríamos passar por ela ou simplesmente pular, mesmo que isso significasse dois corpos despedaçados no chão. Morreríamos? Ou a queda seria amortecida por anjos? Não sabíamos o que poderia de fato ocorrer após o momento do salto. E eu lembro o que você disse e o que você fez. Pegou a minha mão e perguntou: como saber sem tê-lo?

O que não sabíamos era que nessa mesma ponte havia uma questão nítida e óbvia que nos machucaria mas que, por um momento, preferimos acreditar que se diferenciaria. Mas o que não era evidente era o jogo sujo que alguns armavam durante o nosso encontro na ponte. Antes de saltar, não tínhamos idéia de que já estávamos sendo condenados. Por outro lado, mesmo desconhecendo os fatos, sabíamos que aquele poderia ser o nosso único vôo.

E graças ao total desconhecimento de causa, nos olhamos, respiramos fundo, apertamos a mão um do outro e nos lançamos daquela ponte. Enquanto nos atirávamos, enquanto o chão não chegava, enquanto os corpos não se destroçavam no chão, a gente voou. Voamos. Libertamos as asas que há muito escondíamos embaixo daqueles casacos pesados. Voamos. E não foi um vôo solo, mas sim livre, solto, alto e só nosso, de mais ninguém. Foi um vôo verdadeiro. Fomos verdadeiros.  Verdadeiramente fiel a nós mesmos. Verdadeiros em nosso salto, em nosso vôo e leal àquele desejo de voar junto, ao menos uma vez.

Eu não queria avaliar riscos nem conseqüências. Eu não quis saber se aquilo iria me matar. Era um vôo, era o vôo. O vôo ao seu lado e o vôo daquela menina que fui. O vôo que não tivemos coragem de fazer porque nos aprisionamos e tivemos medo.

O chão? Doeu. A queda machucou bastante. O solo era de concreto puro como a realidade dura e fria. E o curioso disso tudo foi que eu não quis me lamentar pelo tombo, pelas feridas e nem pela dor. Eu sobrevivi, embora uma parte de mim tenha morrido. Mas ao mesmo tempo, sei que precisávamos perder o juízo para poder voar daquele jeito. Tínhamos de ser irracionais, tínhamos de olhar apenas o lado poético do salto. Tínhamos de nos enxergar e dar espaço ao nosso sonho. Tínhamos o direito sim. E não poderíamos pensar por muito tempo e muito menos em ninguém. Caso contrário, não teríamos voado.

O que me mantém viva é lembrar do vôo, é saber que eu voei. Mesmo que eu saiba que tenha durado segundos, que tenha acontecido por um instante apenas, eu me convenço todos os dias que foi um dos meus melhores vôos. Único, mágico, secreto e só meu. Só nosso.

E mesmo sabendo que não há outra ponte, que nos perdemos após o vôo, eu sei que eu posso voar outras vezes. Vôos mais altos, mais brilhantes e mais livres do que aquele. E posso fechar os olhos e sentir aquele vôo que fiz ao seu lado. Sou capaz de sentir ainda o vento no meu rosto, o frio na barriga e toda aquela emoção que o coração aos pulos quis viver. 

Obrigada pelo vôo. Eu não morri. Antes disso, eu voei.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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“…mulher é metonímia, parte pelo todo – basta um omoplata, um rádio, um perônio, um queixo, uns braços, uns pezinhos… para que nos apaixonemos”

Xico Sá

 

 

 

Sabe aquele cabeleireiro que consegue ser mais mulher do que a gente? Às vezes isso me irrita. O tal profissional que corta o meu cabelo está sempre escovado e suas unhas sempre feitas, ora de vermelho, do tipo “quero ser possuída agora”, ora estilo francesinha. Fica louco(a) com a minha falta de feminilidade e não deve ser o único a achar isso de mim. Para me convencer, dou de ombros e digo a mim mesma: deixa, eu nem ligo.
O fato é que sou assim desde que me conheço por gente. Odeio cremes para serem utilizados antes, durante e após o banho. Rola no máximo um filtro solar no carro para não assar um dos braços enquanto dirijo. E falando em filtro solar, ir à praia é um grande tormento. Não, não é que eu não goste do cenário encantador e sedutor desses lugares (embora eu prefira milhões de vezes o campo). Mas o problema de ir à praia é a mulherada da turma. Como um homem, fito-me questionando por que diabos uma mulher precisa levar uma gigantesca mala para passar três dias na praia contendo um elevado número de biquínis, conjuntinhos para diferentes ocasiões (hã?!) e milhões de sandálias de salto agulha e com strass (hããããã???!!!!). E fico uma arara ao me deparar com aquelas peruas que chegam com o seu cabelão estilo falso-loiro-natural-cinco-tons, com aquele tipo de boca-genital lambuzada de gloss, carregando uma frasqueira pink cheia de bugigangas, tais como: filtro solar para os lábios, outro para o rosto e outro para o corpo; condicionador para o banho, para o mergulho e para após o banho; cremes para a zona T do rosto, para o pescoço, para os braços e para as mãos; óleo para se bezuntar, óleo de amêndoas para a barriga, pernas e bumbum; creme para celulite, para tonificar a pele e para desintoxicar os radicais livres. Sem contar com aqueles troços para enrijecer as panturrilhas e o bumbum. Ai que chatice! Mais chato ainda é ter de passar pela seção tortura dos questionamentos delas, encarar as suas expressões incrédulas quando percebem que eu só levo e uso apenas um maiô. Biquíni? Levo no máximo para colocar por baixo das minhas regatas enquanto jogo tranca. Mas lá no fundo, fico emburrada. Um lado meu diz que não está nem aí, enquanto o outro se sente deslocado, diminuído e todo melindrado por ser assim.
Mas eu me pergunto: pra que complicar tanto? É tão simples. Veja só. Para a praia: o maiô, uma canga, o celular, um óculos escuros, uma cadeira, dinheiro, chapéu, o querido e idolatrado guarda-sol, um velho e bom par de chinelos havaianas (aquelas que não deformam, não soltam tintas e não deformam – as legítimas!) e o filtro solar (para toooooodo o corpo e não para cada parte). Para a mala: uma saia jeans (porque combina com tudo!), uma bermuda ou shorts, quatro camisetas ou regatas, um vestido, algo para dormir e uma rasteirinha. Sem esquecer obviamente do baralho, dos cds, da escova e pasta de dente, sabonete, pente, xampu e condicionador. As coisas chatas, mas imprescindíveis: carregador de celular, repelente, lençol, toalha e travesseiro. Batom? Só se for o de manteiga de cacau. Pronto. Simples não? Porém, nunca é. A mulherada cai de pau falando que sou muito branca, que eu tinha que usar biquíni, que eu tinha de usar um creminho que me bronzeasse, que isso e que aquilo. Mas que sacoooooooo! Odeio usar biquíni e pronto, odeio torrar no sol e pronto, odeio passar creme e pronto.
Por que algumas mulheres são assim? Às vezes acho que algumas merecem muito ouvir que são complicadas e que têm dificuldade em simplificar algumas questões. Humpft!

Mas sou obrigada a admitir que todas nós, sem exceção, temos o nosso próprio encanto. Seja você aquela que dorme, acorda e vive besuntada de creme ou seja aquela que fascina apenas com sua beleza natural.  Mas sou obrigada a admitir também que eu odeio viajar com mulheres que amam todo o tipo de aparato, como os já citados acima.

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Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver

Gilberto Gil 

Eles fazem parte de uma realidade que ninguém quer na vida.

Todos, reunidos em um círculo, falam sobre os mesmos problemas, as mesmas decepções, as mesmas desilusões, os mesmos medos. Em comum, histórias, lágrimas, dor, incertezas. Todos machucados, fragilizados pedem o mesmo: socorro.

Lá, ouvimos que o melhor atalho é cuidar primeiramente de nós mesmos e pedir ajuda. E eu pedi. Pedi colo, socorro e desabei em um pranto doído, com pena de mim. Eles dizem que é assim mesmo e que isso passa. Que é só uma questão de tempo.

Tempo para mudar o que sentimos hoje. E hoje, sinto raiva, revolta e inconformismo.

Eu tenho que ajuda-lo e um dia poder confiar no que ele diz quanto a tudo isso. Mas tenho medo de fracassar e de nos perdermos.

O primeiro conselho teve como base a frase de Che Guevara “Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”. Será possível isso? Será possível endurecer e não perder a ternura? E se eu perder a minha essência? Como é possível fazer isso, Sr. Che?

Eu só quero encontrar o meu equilíbrio, o meu centro, o meu alicerce. E não optar por traçar planos de ações para vencer a guerra. Não sei nem quem é o meu exército, quais as minhas armas e como devo usa-las. Conheço o inimigo, mas será o bastante? Não o vencerei sem preparo e sei que se eu não for rápida, poderá ser tarde demais. E então surgem mais dúvidas, como posso tomar decisões rápidas e ao mesmo tempo dar tempo ao tempo? 

O medo que tenho me imobiliza e é preciso também vencê-lo. Não há, portanto, apenas um inimigo. Inacreditavelmente concluo que há enormes chances de eu mesma ser também a minha maior inimiga. Não quero me trair, não quero me enganar e não quero, acima de tudo, achar que escolhi errado e que tudo não passou de uma perda de tempo. Até porque, muitas vezes perdi tempo demais e já fiz escolhas duvidosas – para não dizer erradas – que fizeram toda a diferença na minha vida. E na de outras pessoas também. Algumas delas não foram escolhas, e sim decisões contrárias ao que eu mais queria. Mas isso quem me mostrou não foi a circunstância. Foi o tempo, o senhor da razão.   

 

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