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Archive for maio \31\UTC 2008

Curiosidades passadas

                                                      …Ando onde há espaço

                                                       O meu tempo é quando.

                                                       _ Vinícius de Moraes _

 

Reencontrei a carta que escrevi para mim mesma há alguns anos. Nunca pensei que o passado havia precisado tanto de mim, e não lembrava de tantas perguntas.

Respondi a cada uma delas com um sorriso bem bacana no rosto. “sim, sou feliz. Sim, encontrei alguém assim, sim. Sim, ele é ótimo e, sim, nos amamos muito e de verdade. Sim, é fora de série e você não acreditaria na metade das coisas que já passamos juntos”. E sim, é tão bom que não nos vemos um sem o outro.

A área profissional? Já gostei mais. Às vezes é legal, mas muitas vezes me parece que ter uma livraria seria muito mais fascinante. Quanto à outra questão, desconversei para que o passado não percebesse que eu havia desistido daquele sonho. E de uma maneira bem vaga respondi que foi bem difícil, mas que cheguei a morar lá. Enfatizei que eu havia ao menos tentado.

Reparei na caligrafia. Era corrida, como se o passado tivesse pressa em saber tudo. Havia uma impaciência, uma ansiedade e muitos receios em cada uma das letras e frases. Ri mais uma vez de mim mesma. No alto da carta, não só há a data e o ano, como também o dia da semana. Domingo. Fazia frio.

Sorri diante da outra pergunta. Respondi apenas que, ainda não, mas talvez o primeiro chegue no ano que vem. Já escolhemos os nomes. Espero que goste, completei.

Em relação à outra pergunta, respondi para mim mesma que se eu fosse ela, deveria ir mais devagar, porque a maioria se assustou com tamanha sinceridade.

Por fim, disse: Fique tranquila. Fiz 95% do que planejamos. Algumas coisas foram realizadas, outras fizemos sem planejar, sem imaginar e, pasme, foi muito legal! E contei para o meu passado sobre março de 1999;  fevereiro, abril e julho de 2000; janeiro de 2001; maio de 2002; janeiro e outubro de 2003; natal de 2004; janeiro e outubro de 2005; maio de 2006 e novamente maio, só que de 2007. Ainda é cedo para lhe falar sobre 2008. Prefiro que o ano chegue ao fim para eu colocar na balança o que realmente foi bem legal. Mas já posso te garantir que você ficará bem surpreso, querido passado. Eu já tenho coisas ótimas para lhe falar sobre 2008, em especial sobre fevereiro – sofrido, porém vivido como vc sempre quis.

Aquela garota que escreveu a carta sorriu e disse obrigada.

Antes de eu me despedir, tive de responder sua última curiosidade. E fui categórica: não, não pulamos de paraquedas e não, não adianta insistir, ajoelhar ou fazer beicinho. Eu sei, eu sei, era o que você queria. Mas  não quis mais quando houve a oportunidade. E ponto. E nem adianta chorar. Eu não vou pular nem de graça.

Outra pergunta? O que é? Não, isso aí eu ainda não fiz. Não, não desisti. Só está faltando eu me convencer por completo sobre a frase, mas o tatuador eu já conheço e o local será nas costas, perto da nuca. Ah! só mais uma coisa: apesar de você achar o fim da picada, eu tosei os nossos cabelos. São curtíssimos! 

Até mais.

 

 

 

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Desejo de consumo ou, se preferir, objetos de desejo todo mundo tem. Seja lá qual for o item, não importa. É, sim, da natureza humana cobiçar o que, muitas vezes, está além de suas possibilidades econômicas. Alguns, com o tempo, perseverança, determinação ou até com sorte, conquistam o que sempre almejaram e também o que muitos, dos pobres mortais, invejam.
Eu não tenho um pingo de inveja de quem possui jóias, mas me questiono bastante com relação às mulheres curvilíneas. Chego a desejar que elas tenham chulés, frieiras e um bafo do cão. Mas, analisando friamente, ter um corpo curvilíneo não é tão impossível assim.
Porém, se há um desejo que sempre povoou as fantasias desta que vos fala, este se refere aos poderes e/ou acessórios de certos super-heróis.
De boa, quem é que não queria ter a capa da Sheila, aquela garota do clássico Caverna dos Dragões? A tal da capa tem o poder de deixá-la invisível! Certamente, o acessório seria mais do que útil, nas mais diversas situações. Perguntou se era menino ou menina, quando na verdade, aquilo era uma enorme pança? Não hesite e muito menos perca tempo. Cubra-se já com a capa.
E o que dizer sobre o impacto dos anéis dos Super Gêmeos?! Ao gritar “Super Gêmeos, Ativar!”, um deles sempre se transformava em alguma forma de gelo e o outro em um animal. Eu poderia ter os dois anéis, um em cada mão. Gritaria qualquer coisa do tipo “1, 2, 3 e já! Ativar!” e, assim, após unir as duas mãos fechadas, eu me transformaria em tudo o que eu quisesse. Tá, já sei, eu adaptei um pouco o acessório. Tudo, porque sou, intensamente egoísta e não tenho desejo algum de depender de alguém para me transformar numa bomba nuclear. Hoje, por exemplo, não foi o caso de querer me transformar em uma bomba atômica, mas que eu fiquei com vontade de ser uma mulher bomba, abraçar a garota do jornal e dizer: “Que Alá nos abençoe!”, ah, isso eu tive, tive sim! E se amanhã, ocorrer qualquer problema com a matéria, juro, me transformo em um dos tiranossauros dos mais violentos que já existiu na face da terra.
Também gosto muito da idéia de ser como Samantha Stephens. Imagina o que o meu poderoso big nose não seria capaz de fazer! Se a dona Montgomery fazia o que fazia com aquele narizinho de nada, eu então seria referência mundial! Não, não por conta do tamanho do meu nariz, saco! Quer parar de distorcer? E também não teria, nem por um segundo, o mesmo desejo de Samantha: o de levar a vida como qualquer reles mortal. Viveria mexendo o nariz por aí para resolver tudo, absolutamente tudo. Principalmente quando me acomodo da forma mais espetacular do mundo no sofá e percebo que o controle remoto da TV está anos-luz de distância.
Nos dias mais caóticos do trânsito paulistano, eu queria pronunciar um simples “pirlimpimpim” para ser teletransportada para a minha casa…seria tão mais prático, econômico e ambientalmente correto. Olha que bonito que falei! Além disso, seria mais seguro, porque muitas vezes eu tenho vontade de dar uma de louca e começar a chutar todos aqueles motoristas imbecis. Não tenho dúvidas com relação ao melhor alvo:aqueles que têm o adesivo colado na traseira do carro “Tá estressado? Vá pescar!”.
Também não seria nada mal encontrar a lâmpada mágica e pedir ao Gênio, além de muita saúde e grana, todos os poderes acima citados.

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Em plena praça

Assim disse Rubem Braga em seu artigo Sobre o Inferno:

“…O inferno são os outros – diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Clos, e eu respondo: “eu que o diga!”. Hoje estou com um pendor para confissões; vontade de abrir o peito em praça pública; quem for pessoa discreta e se aborrece com derrames desses tenha a bondade de não continuar a ler isto…”

 

Eita menino fascinante esse Rubem Braga. Diz com uma facilidade invejável tudo o que muitas vezes sinto ou quero dizer. E não é a primeira vez que o Rubão expressa algo que muito tem a ver com o que eu sinto.  “Sobre o Inferno” foi escrito 27 anos antes de euzinha vir a este mundão. Não é impressionante ter a mesma vontade de alguém que escreveu uma crônica há exatos 60 anos?

Hoje, assim como Rubem Braga, eu quero abrir o meu peito em praça pública. Mas, sobretudo, dizer coisas que nenhuma moça de fino trato deveria dizer. Portanto, senhoras e senhores tirem as crianças já daqui. E saiam também aqueles que ficam incrédulos com palavras de baixo calão. Preciso lavar a alma e só um sonoro vai tomar no cu tem capacidade para tal. Não, hoje eu não quero ler o salmo que acalma e equilibra o meu lado espiritual. Hoje, eu quero gritar vai tomar no cu para todos aqueles que torcem pelo meu desequilíbrio mental.

Hoje, eu não quero colocar em prática todas as filosofias alternativas que já li. Eu quero é mais que todas aquelas mulas do Banking Fone tomem no cú.

Não, nada de fazer jus à educação que os meus pais me deram. Desculpem-me senhor italianinho e dona portuguesa, mas hoje eu quero subir num palanque, em plena praça pública, e gritar bem alto: “Vão tomar no cú todas as infelizes que decidiram queimar o soutian para conquistar a tal da liberdade”. Bando de imbecis!!!!!!

Vão tomar no cu os malditos que atravessam as ruas com bebês da forma mais irresponsável do planeta.

Vão tomar no cu aqueles que jogam lixo na rua e escarram coisas verdes como se fosse um gesto simples da humanidade.

Vai tomar no cú aquele que acha que o mundo gira em torno de seu próprio umbigo.

Vão tomar no cú todos os que sentem prazer e cócegas de felicidade ao ver alguém se dar mal.

E vai tomar no cu, por gentileza, todo mundo que é bipolar. Ou finge ser.
…………..

………….

Pronto, já me sinto bem melhor agora. Abrir o peito de forma verdadeira e intensa como essa nos faz acreditar piamente que a alma foi lavada. Estufar o peito e gritar esta frase dá a impressão de que a gente tomou as rédeas da vida e revigorou o espírito.

Cá entre nós, juro ter ouvido um “é isso aí!” vindo lá do meio da praça. Tenho quase certeza de que foi justamente aquela velhinha que está sentada lá no banco jogando milho aos pombos com a cara mais serena do universo. Olha lá, ela deu uma piscadela pra mim! Viram? Viram?!!

Às vezes, é preciso lavar a alma desse jeito mesmo, assim, como bons marinheiros do cais. Assim, libertando o Alien e os maus costumes de uma só vez. Assim, sem medo de ser feliz. Afinal, quem tem medo de ser feliz tem mais é que tomar muito no cu.

 

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Cuide de sua vida

Fulana:

Aí está você xeretando novamente a minha vida. Virou uma obsessão, não é? E que atitude é essa sua de me bisbilhotar tanto? Virei atração no seu mundinho? Há tanta falta do que fazer para você vir aqui e ler o que escrevo? Devo me sentir lisonjeada por ser o assunto do momento e por receber tamanho ibope? Aliás, assunto do momento uma grande ova! Já passou bastante tempo, não? E que curiosidade mórbida é essa a sua de me espiar aqui? Sim, o domínio desta página é público, porém é tão doentio o que você faz. O que ganha com isso? O que quer? Eu não consigo entender e tampouco quero tais explicações. Mas você age como se você tivesse o direito de me vigiar, como se você fosse a heroína da história e como se tivesse o poder soberano sobre as pessoas. Ok, você descobriu algumas particularidades, alguns pontos fracos, porém isto não te faz ser melhor do que qualquer outra pessoa. Isso não te dá o direito de invadir a vida de alguém, de exibir o que tem em mãos e de apontar erros, falhas e pecados. Como se você pudesse se isentar de qualquer pisada de bola. Teria você este direito de apontar o que é certo e o que é errado? Teria você moral para isso? O que te faz pensar que sabe tudo e que viu tudo? O que você vê, fulana? Maldade, não é? Pura safadeza, não é? Sabe qual é a razão de você estar com a sensação de que aquilo era mesmo maldade e safadeza? Simplesmente porque você tem maldade e faz ou fez muita safadeza por aí. Estou certa de que ri com uma felicidade extrema ao ler este texto, mas é um riso tão infeliz quanto você. Você é infeliz de espírito, de alma e de coração.

Você se sentiu a grande salvadora da pátria ao planejar toda aquela estupidez junto daquela que, ferida e desapontada, deveria ganhar um abraço de uma amiga verdadeira. Mas não, você a guiou com os seus olhos cheios de crueldade e alimentou toda a mágoa e a frieza dela. Tudo o que ela menos precisava. Lamento por ela ter uma amiga tão insana e vazia como você. Você deve ser aquele tipo de mulherzinha que vê sempre maldade nos outros e se propõe a salvar o mundo para se auto-afirmar. Isso é pura insegurança, sabia? Você deve bater no peito e vomitar aqueles discursos politicamente corretos, não é? Deve bancar a sabidona. No fundo, fulana, você não passa de uma tola que adora se meter na vida dos outros. Olha você aqui, fuçando e invadindo o meu espaço. De novo? Percebe que não tem mesmo o que fazer? Sua vida é realmente tão sem graça assim? Tem mesmo que vir aqui, mexer, ler e reler as histórias que conto? Quer saber? Pare com isso. Isso aqui não te diz respeito. Porém, aproveitarei a sua visita nada bem-vinda para lhe dizer mais: eu tenho certeza de que a felicidade da sua amiga sempre te incomodou tanto que você a ajudou daquela maneira fria e doentia apenas para vê-la sofrer ainda mais. Torcendo para que o pior acontecesse. Torcendo para que ela o expulsasse de casa e o deixasse para sempre. Assim, sua amiga seria tão infeliz quanto você. Assim você não seria tão sozinha e não teria mais que ouvir as histórias de sua amiga que é amada, algo que você certamente não é. Entre um abraço e bons conselhos, preferiu dar a ela a pior direção. Direção dada apenas por mulherzinhas tão baixas e invejosas como você. Me arrisco a dizer que as pessoas te acham bem sozinha, fofoqueira e infeliz. Portanto, cuide de sua vida, e se puder seja uma amiga verdadeira. Se não, apenas cuide de sua vida. Isso já vai ajudar bastante.

 

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O meu segredo

Teu segredo é tão parecido contigo
Que nada me revela além do que já sei.

E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu.
Assim como tu és o meu.

_ Clarice Lispector _

Eu, como qualquer outra pessoa, tenho lá os meus segredos. Sejam eles fraquezas ou grandes tesouros. Encontro a melhor maneira de compartilha-los para não explodir, para sempre lembrar e para nunca enlouquecer. Minhas lembranças, meus pensamentos e alguns desejos são secretos. Porque, como qualquer outra pessoa, eu tenho lá os meus segredos.

Como disse Clarice Lispector, o meu segredo é um grito que não dei.

Um grito de raiva, um grito de dor, um grito de medo, um grito inconformado. Até hoje tudo o que pude fazer foi chorar baixinho, escondido, porque o pranto também tinha que ser secreto. Tudo porque em mãos erradas foram parar os meus segredos. E os teus também. De uma maneira verdadeiramente fria e cruel, brincaram com o nosso segredo e nos exibiram. Fomos expostos e julgados. Condenados por algo que era para ser apenas um segredo saudável e só nosso. Era apenas uma história que não tinha que ter uma terceira ou quarta pessoa. Muito menos uma família inteira. E o que eu acho mais engraçado é que fomos e somos julgados por pessoas que me arrisco a dizer que certamente têm lá os mesmos segredos, as mesmas histórias e os mesmos desejos. Como qualquer outra pessoa.

O meu segredo era secreto até para mim mesma. Eu não o conhecia direito e confesso que gostei do que descobri. Era um segredo de menina. De uma menina que fui e que sinto que ainda sou. Era um segredo que eu queria reviver e um sonho que eu queria realizar.

Hoje, o meu segredo é só meu e não mais seu. Não pode ser mais seu e nem dividido com você porque, assim, você consentiu. Consentiu por medo e não por escolha. Por obrigação e não por opção. Por isso, hoje o meu segredo tem um misto de revolta. Um inconformismo de doer a alma. Hoje, não posso mais conhecer os teus segredos. Não são mais meus nem mais divididos comigo. E aqui vai o berro que não dei: eu tenho um segredo que não diz respeito a ninguém. E ninguém tem o direito de me condenar, de me julgar e de me expor como naquele dia. Porque eu tenho lá os meus segredos, como qualquer outra pessoa. E como qualquer pessoa, me revolto por terem exibido e tirado um tesouro que pertencia apenas a mim. 

Hoje, o meu segredo é a escolha que fiz. Eu escolhi não querer te esquecer.

E confesso que jamais desistiria do que construí hoje e jamais pediria que você fizesse o mesmo. Não, eu não quero tocar em você e nem ter uma rotina ao seu lado. Eu gostaria apenas de te ler mais. Só isso. Este é o meu segredo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Se eu pudesse

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára

_ Cazuza _

 

Se eu pudesse, eu voltaria naquela época e teria te aproveitado bem mais, muito mais. Eu teria feito diferente, arriscado mais e tentaria te convencer de que valeria a pena. Será que você iria topar?

Se eu pudesse, eu te mandaria a música que não paro de ouvir. É linda, me faz chorar, rir, dá frio na barriga e faz com que eu tenha pensamentos que me levam bem longe daqui e bem perto de você. Será que você iria sentir o mesmo?

Se eu pudesse, te mostraria a poesia que fiz para você. É tão boba e tão nossa. Será que você iria rir de mim?

Seu eu pudesse eu teria te abraçado mais de todas as formas, sem te largar por um segundo. Será que você deixaria?

Se eu pudesse saber e seguir sem medo por esta estrada tão sinuosa e escura, talvez eu não seria assim. Será que mesmo assim você iria gostar de mim?

Se eu pudesse, eu te contaria qual foi o livro que me chamou atenção na livraria e que desejei comprar para você. Será que você iria gostar?

Se eu pudesse, eu faria o tempo voltar e o pararia naquele momento que foi só nosso. Por que não é possível?

Se eu pudesse te encontrar, eu juro, nada falaria. Diferentemente daquele dia, eu iria apenas sorrir, te abraçar e dizer que tudo o que eu mais quero é você e mais nada. Como será que você reagiria?

Se eu pudesse, pegaria uma estrada contigo, como um dia você desejou, e faríamos sim aquelas paradas. E nos divertiríamos sim, exatamente como imaginamos. Ou você acha que não?

Se eu pudesse, eu te diria tantas outras coisas. Não que eu não tenha dito, mas ainda faltou muito que dizer. Você não gostaria de ouvir?

Se eu pudesse, eu roubaria você pra mim e nunca mais o deixaria ir embora. Será que você resistiria?

Se eu pudesse, tomaríamos aquele sorvete naquele parque, andaríamos descalços na grama e iríamos rir muito um com o outro. Você me carregaria no colo?

Se eu pudesse, eu teria pedido para você cantar pra mim bem baixinho e teria dançado com você. Qual seria essa canção?

Se eu pudesse, eu não teria ido embora e não o deixaria ir também. Por que a vida fez com que a gente se perdesse dessa forma?

Se eu pudesse, arrancaria de você todas essas respostas para tirar a minha agonia. Por que a vida o fez silenciar?

Se eu pudesse, eu teria feito escolhas diferentes. Você não?

Se eu pudesse, eu teria dito que te amava. E você?

Se eu pudesse, eu não iria querer sentir nada disso, porque são questões que já me fiz em relação a você há muito, muito tempo. Mas o tempo, o tempo não apaga. E não pára.

E agora? O que vai ser? E até quando? Se eu pudesse saber…

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Minhas mentiras

Todas as terças, dia em que o meu carro só pode rodar entre 10h e 16h, eu acordo toda faceira às 5h20 para ir trabalhar e chegar antes das 7h.

Amo escrever sobre os balanços financeiros das empresas e textos técnicos sobre energia ou macroeconomia, por exemplo.

Considero produtividade pura fazer reuniões com gente prolixa e pouco prática. Entrevistar fontes monossilábicas e ter de traduzir toda aquela conversa em uma matéria com 5000 caracteres é outra coisa me contagia!

Chegar em casa e se deparar com a geladeira contendo apenas ovos, água e manteiga é algo que me deixa bem animada.

Na telinha, o que mais adoro é acompanhar filmes com trocentos comerciais de dez minutos cada.

Também me fascina ficar ao lado de casais que falam como bebês o tempo todo e se tratam feito crianças, apelidando-se por nomes medíocres cheios de cuti-cuti.

A minha felicidade vai ao auge quando tenho que enfrentar filas de bancos ou ainda aguardar pacientemente a mocinha do supermercado trocar a bobina da caixa registradora.

Acho uma diversão só ter de lidar com simpatizantes de terroristas no trabalho. Oras, são apenas 9 horas diárias!

Exultante mesmo é chegar correndo em casa, ir direto para o banheiro antes de me molhar toda e perceber que não há papel higiênico.

Adoro também lavar panelas e travessas cheias de gorduras. Uhhhhh, isso me deixa tão entusiasmada!

Adoro acordar no meio de um sonho super bacana e ter que admitir que aquilo era apenas um sonho. É tão bom!

E o que dizer dos motoboys que parecem ter os dedos grudados com superbonder na buzina quando o trânsito está insuportavelmente parado? Fico toda animada com toda aquela festa cheia de luzes vermelhas a minha frente e buzinas de gente feliz!

Acho muito, muito justo pegar parte do meu salário para pagar impostos e a outra para pagar contas.

Bancar a compreensiva quando na verdade tudo o que eu mais quero é cuspir na cara de alguém é outra questão que eu não tenho o menor problema em lidar.

Encaro com a maior naturalidade o fato de os últimos 15 anos terem passado como um raio.

E para finalizar, dizer que você não faz mais parte do meu dia a dia é música para os meus ouvidos.

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