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Archive for junho \29\UTC 2008

Medo

Eu tenho medo de lidar com gente vesga. Não que eu as ache perigosas, mas eu nunca consigo me concentrar e é impossível saber para onde olhar. Por mais que tentemos, não há como desviar daqueles olhinhos que estão um para cada lado. Fico confusa, mentalizo “olhe para o centro da testa”, “olhe para o centro da testa”, mas de nada adianta.  Primeiro, porque eu tenho a impressão de que o meu desespero está estampado na minha cara, segundo, porque eu perco a linha do meu raciocínio, terceiro, porque eu não consigo dialogar e, quarto, porque eu pisco feito uma doida enquanto olho para a pessoa vesga. Acho que os vesgos deveriam sempre usar óculos escuros ou, no mínimo nos dizer: fique à vontade para olhar para o chão. Eu não me importo que você não olhe nos meus olhos. Não seria mais fácil?

 

E gente que troca a letra “L” pela letra “G”? O meu pavor em não conseguir ficar séria é tamanho que, ao encontrar gente assim, eu tenho vontade de colocar as duas mãos nos ouvidos e gritar: lá lá lá lá lá lááááááááá, não tô ouvindo naaaaaaaaaddddddaaaaaaaaa!!!! Imagine o seguinte diálogo:

eu não te faguei? A guista que recebi por emeigol não serviu. Eu tive de jogar na gata de guixo. Quando eu soguicitei para o meu namogado anaguisá-ga, egue não quis fagar mais comigo.

Arghhhhhhhh, vai procurar uma fonoaudióloga!!!!!!!!

 

E aqueles que têm tique nervoso? Já tive um chefe que, quando estava p. da vida com alguma coisa jogava a cabeça para um lado e um dos ombros para a frente. No início achei que ele era médium e que recebia algum tipo de caboclo do mal. Mas depois que soube que era um movimento motor involuntário e rápido, fiquei com medo de ficar igual àquele bicho esquisito. Ainda hoje, eu o imito, porém tomo o maior cuidado para não fazer isso quando está ventando. Dizem que a gente pode ficar assim, pra sempre. Eu não acredito, mas também não duvido. Acho que o melhor seria amarrá-lo por completo, assim, além de ajudá-lo a não se sacudir tanto, talvez pudéssemos levá-lo mais a sério.

 

Assim é também com gente que tem mau hálito. Não dá vontade de dizer que aquilo fede a estrume e que a melhor solução é jogar creolina? E quando a pessoa não percebe que tem um ranho no nariz? É o tipo de situação que não tem como não fazer cara de nojo ou fingir que nada de estranho está acontecendo. 

Medooooooo!

 

 

 

 

 

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Mijo

Uma linha: não. Duas linhas: sim.

Azul: positivo. Rosa: negativo. Ou seria o contrário?

Lêem novamente o manual. Relêem, mas o nervosismo é tamanho que não entendem as instruções.

Roendo as unhas, ela pergunta pelo o quê ele torce. A resposta é clichê demais e ela saca:

O que é melhor? Impaciente e eufórico, ele diz que o melhor é “o que está guardado”. Ela não entende. É substancial demais. Guardado onde, cara-pálida? O nosso destino será decido por um papel mergulhado em um recipiente contendo mijo? É deprimente demais, ela dramatiza e faz movimentos bruscos dando a entender que irá tirar o papel antes mesmo do resultado. Não quer o seu destino mergulhado no mijo. Ele a impede. Está apreensivo e ansioso. Estão inquietos. Atônitos. Emoção à flor da pele, coração a milhão, unhas devoradas e sorrisos impressos em meio à expressão não relaxada pelas sobrancelhas. Apertam as próprias mãos. Passam a mão na nuca. Sentem um friozinho na espinha.

Quanto tempo?

Falta muito?

Eu não vou olhar!!!!

E o que iremos fazer?

Você quer dizer se der azul ou rosa? Se for uma ou duas linhas?

Pára de me confundir!

Já não sabem quais são as regras. Não raciocinam. Se entreolham. Suspiram e puxam o ar sem sentir os próprios pulmões. Felicidade, medo.

O tempo não passa. O relógio parou?

Em minutos o escritório terá os seus dias contados. Azul ou rosa?

Em dez minutos a silhueta ficará cada vez maior. Uma ou duas linhas?

Em dez minutos um novo destino será desenhado. Por um mijo.

Tic tac tic tac.

Livros de fábulas ou o que está na cabeceira?

Futebol ou backyardigans? Tic tac tic tac.

Papinha ou jantar a dois?

Conferem o papel.

Choram e se abraçam infinitamente.

 

 

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Há quem diga que ficar parado em uma das portas giratórias do banco é pura humilhação. Ir e voltar à faixa amarela dá nos nervos e a sensação é de que a palavra Sucker é carimbada em sua testa infinitas vezes e em letras garrafais. Mas às vezes, outro tipo de complicação é uma verdadeira desonra. Ao sentir gases intestinais, por exemplo. Não é uma afronta? Dói pra caramba, é incômodo pra burro e, sem contar que, é humilhante pacas.

Vai me dizer que você, algum dia, não achou que estava sofrendo um infarto, mesmo tendo vinte e poucos anos? Aposto que passou o maior carão. E o pior de tudo isso é dizer para alguém, porque não há como disfarçar essa dor e muito menos não ser motivo de piada. Primeiro porque você se contorce por inteiro, anda torto, contrai os músculos, sente pontadas nas costas e pinicadas no coração e no baço. Depois, porque te deixa verde e tenso, a ponto de você preferir ficar paralisado por completo a sentir aquelas pontadas. Você chega até pensar que fizeram um boneco seu de vudu e passaram a alfinetá-lo por todo o corpo. Sem contar com a própria situação, tão absurda e “vexaminosa”. Quem é que teria coragem de ligar para o chefe e dizer: olha, hoje não vai rolar, porque eu estou com gases e peidando pra cacete. Mas não se preocupe, não, porque estou online. Não dá, simplesmente, não dá. Mesmo que se  use a palavra “flatulência”. É humilhante demais. Imagina o dia seguinte: e aí, melhorou dos gases, peidorreiro?

Mas não deve ter humilhação maior do que ir ao hospital certo de que irá nfartar nos próximos segundos ou que está em fase terminal por conta de um tumor alojado em algum dos seus órgãos vitais. No caminho até lá, o sujeito faz todo aquele drama passando os seus bens para a sua família e a coleção preferida para o primo pentelho. E toda aquela tragédia vai para o espaço, deixando a pessoa se sentir uma imbecil de marca maior, quando a equipe médica lhe diz: não é nada. São gases.

Não é o fim da picada depender de um mísero pum para se sentir renovado e um pouco mais vivo?

 

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Ping Pong da pesada

Não é um grande barato quando topamos com gente que traz à tona brincadeiras de um tempo que não volta mais? Conviver com gente divertida e bem humorada, sem dúvida, transforma os nossos dias. Outro dia fui surpreendida por alguém, no alto dos seus 40 e poucos anos, com o manjado “cê tem brochove?” (setembro chove?). Ri porque a indagação foi feita pelo meu diretor, porque tal questionamento me “teletransportou” à época em que isso realmente era uma grande descoberta e ri porque sou tonta o bastante para adorar bobagens como essas. O interessante disso tudo é que outra pérola foi disparada pela mesma criatura: “what´son the you”? (o “a” tem som de “u”?). Desde 1735 (!), ninguém me pega com esse lance tolo sobre a meteorologia de setembro, mas confesso que eu não conhecia essa brincadeira das vogais. Será que é por isso que ele é o meu diretor?

 

Algumas brincadeiras por mais manjadas, continuam me fazendo passar mal de rir. É o tal do “um beijo para você, querida, e para todos que fô da sua família”. Ou ainda o “se eu cozinho eu não lavo!” Eu sei, é bem bobo, mas é engraçado e aposto que você está segurando a risada. Para as leitoras desavisadas, tomem cuidado com os engraçadinhos de plantão que dizem “desculpe por tudo”. Um acento circunflexo na palavra “por” pode te deixar bem sem jeito.

 

Divertido também é conviver com gente bem “favelada”. Sabe aquele tipo de pessoa que não tem frescura e muito menos censura? Pois é, tem muita gente assim no meu dia-a-dia, graças aos céus. Pessoas sem pudor e muito das “maleducadas,” como diriam a portuguesa e o italianinho que me botaram no mundo. E antes de eu explicar o que estou querendo dizer, adianto que as próximas linhas trarão palavras de baixo calão e frases muito, muito feias. É baixaria mesmo. Te dou um segundo para se mandar daqui e ficar rindo apenas do “cê tem brochove”.

 

Os “maloqueiros” de plantão aos quais me refiro são aqueles que sabem na ponta da língua aquele ping pong mais sujo e sem educação da face da terra. Tenho certeza de que 90% dos brasileiros já discutiram dessa forma. Você vai lembrar. Ao menos até a parte do mosquito ou do fiofó do seu avô. Vamos lá, não se acanhe e não leia isso ao lado do chato do seu chefe. A não ser que ele seja como o meu e, caso ele não conheça, é capaz de você ganhar uma promoção por ensiná-lo algo assim! Lá vai:

 

O que foi?

O mosquito engoliu o boi!

Na minha casa que não foi!

O que?

Quê, queijo! Pega na minha pica e dá um beijo!

Ah, essa eu já sabia! Pau no cu da sua tia!

Essa não colou! Pau no cu do seu avô!

Fica mansa! Pega na minha benga e balança!

Isso não é resposta! Senta aqui que eu arranco bosta!

Bosta não se arranca! Senta aqui na minha alavanca!

Não gosto de vai e vem. Senta aqui e vai de trem!

 

Quem é que nunca se divertiu trocando insultos como os descritos acima, põe o dedo aquiiiiiiiii, que já vai fechaaaaaar!

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A lista

Eu fico insuportavelmente feliz e cheia de orgulho quando faço uma baliza perfeita e estaciono o carro de primeira. Dá vontade de sair do carro jogando cabeça e bumbum pra trás ao mesmo tempo em que os dois braços são levados para o ar, assim, como fazem as meninas da ginástica artística. Obviamente um “tadáááá” seria ecoado logo depois de fazer a pose de atleta.

E quando recebo amigos ou a família para um almoço em casa e a refeição é elogiada? Eu nem disfarço. Fico toda vaidosa e me achando o máximo, até porque essa turma não é daquelas que elogia por educação. Não que não tenham educação, mas, digamos, são bem francos e transparentes. Longe de mim fingir humildade em uma hora dessa fazendo o tipo “vocês gostaram, é? Puxa, mas é tão simplesinho….”. Nã nã ni nã nã. A torta de poleguinho gratinada dá um puta de um trabalho e eu me acabo ao preparar a massa, cortar o queijo, bater os ovos e blá blá blá. Como se não bastasse, a cozinha fica farinha pura. Elogio é o mínimo que mereço, oras! Idem para as batatas assadas com alecrim, o macarrão com porpetas – feitas uma a uma com patinho moído, salsinha e outros temperos, e não encomendadas na rotisserie aqui do lado de casa -, assim como o molho de tomates feito com tomates e não extrato. Quando eu mesma experimento uma dessas maravilhas, eu junto uma mão à outra e me parabenizo. Logo em seguida, bato no peito dizendo “eu que fiz!”.

E confesso também que certos acontecimentos me deixam pra lá de feliz, com direito a um sorriso bem tímido até. É o caso de ter o meu blog indicado por Alexandre Inagaki no “pensar enlouquece” (http://www.interney.net/blogs/inagaki), eleito o melhor blog do País. Dá vontade de ligar para todo mundo e dizer “gente, vocês viram? Ele me indicou! Ele me indicou!”

Às favas quem pensar que eu tô me achando uma candidata ao Oscar! Pra mim é melhor do que isso. Afinal, quando é que eu seria indicada ao Oscar? Ter o blog na lista de indicações do Alexandre como uma das leituras da semana é, sem dúvida, motivo para ficar com o peito estufado, como uma pomba, se achando insuportavelmente muito phoda. Estar lá, no blogs da semana, é o mesmo que um ator premiado recomendar para o mundo algo feito por você. De boa, eu estou extremamente insuportável e muito feliz. Estou curiosa para saber como ele chegou em meu blog e estou me coçando para saber qual foi o texto que chamou a atenção dele. Mas muito mais do que curiosa, eu estou feliz.

Obrigada, Alexandre.

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O controle

Em alguns momentos da vida, a gente parece querer ter o controle de tudo. Tem gente que é assim desde que botou os pés nesse mundo e quer, não só controlar a  própria vida, como a vida de outras pessoas. É tanto controle que a pessoa acaba, facilmente, se descontrolando e perdendo as estribeiras. Perdem o foco, perdem o brilho e perdem momentos inesquecíveis porque estavam ocupados demais, controlando-se ou tentando controlar os outros, transformando seus dias num verdadeiro tormento. Não percebem que nada nesta vida se controla?  

Como alguém assim consegue ser feliz? Ter responsabilidade e pés nos chão é fundamental, porém ser assim ou conviver com alguém que deseja ter o domínio de tudo é uma verdadeira chatice. Querem controlar os passos, vigiar os pensamentos, policiar desejos, arquitetar armadilhas para cada movimento…Quanta insanidade!

Não é possível que alguém seja feliz, de fato, se controlando ou querendo controlar tudo e todos. Gente assim tem a cara fechada, olhar rápido e inquieto, tem marcas de expressão bem acima do nariz de tanto que enruga a testa. E sofre, ah se sofre.

O desafio que recebi um dia por e-mail é uma prova boba, mas demonstra perfeitamente que não temos o controle de nada, nem mesmo de nossos próprios pés. Quer ver só? Quando você estiver sentado à sua mesa, faça círculos com o seu pé direito no sentido dos ponteiros de um relógio. Enquanto estiver fazendo isso, desenhe no ar o número seis com a sua mão direita. O movimento do seu pé vai mudar de direção.

E então? Ahá!!! Não consegue, não é mesmo? Não adianta, mesmo que consiga, será por míseros segundos, e mesmo assim, depois de muito franzir a testa e bancar a besta do escritório desenhando o número seis no ar. Ao menos, você pôde perceber que o controle não passa de uma escolha doentia e sem sentido. E que, por mais que tente controlar – alguém ou a si mesma-, o movimento sempre mudará a direção. O resultado é sempre frustrante, diferente do que você esperava e uma completa perda de tempo. Pense nisso.

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Vinícius e Tom, – sim, escrevo dessa forma como se os dois fossem “meus trutas” – escreveram uma música linda, mas há uma frase que atrevo-me a dizer que eles estão errados. Onde é que estavam com a cabeça quando disseram que “todo grande amor só é bem grande se for triste”? Não concordo, não, senhores! Fiquei imaginando a fossa que os dois estavam. Afe, que desgraceira! Eu, certamente, diria a eles: chuta que é macumba!

Vão por mim: um grande amor só é bem grande se nos faz sorrir tão intensamente quanto a felicidade e o amor que aqui dentro habita na gente. Olhem, rimou! Viram? Vocês poderiam ter colocado essa frase na música! Ok, está longe de ser sensacional e, confesso, a minha frase ficou brega por demais. Não, eu não tenho a pretensão de reescrever a composição arrebatadora dos dois grandes poetas. Mas tenho a petulância de contestar essa tal frase, porque é infinitamente angustiante e dolorida demais. O amor não é triste! Eu protesto!

Um grande amor é aquele que só é bem grande se te faz dar gargalhadas de doer a barriga e o maxilar. Só é grande se não for triste. Só é grande quando:

 

  1. Nos acorda com um monte de beijo e nos enche de mimo.
  2. Cria seus próprios códigos, tais como: “Frululy”, “fronha de amigo”, ” estou cavando”, “carénho”, “alô”, “bastião”, “dame” entre outras.
  3. Acha sua mulher única e a ama loucamente quando ela aproveita o som da máquina de lavar e dança especialmente para ele. E fica ainda mais apaixonado quando a coreografia da fase de centrifugar sai perfeita.
  4. Deixa a gente estalar as costas andando sobre elas. Um grande amor acha graça nisso e dá muita risada. Dependendo do seu peso, você até pode pular. Além disso, um grande amor não nos impede de fazer lavagem cerebral, desde que, antes de ficarmos de pé sobre sua cabeça, dois travesseiros sejam usados como proteção. Ah, é importante ressaltar que a frase “relaxa, senão a dor será inevitável” seja dita com a voz de Darth Vader. Garanto gargalhadas. Importante lembrar: neste processo, é fundamental que ninguém pule, independente do peso. Na dúvida, não façam isso em casa. Eu repito, não façam isso em casa.
  5. Nos olha em silêncio, contempla nossos olhos, e quando você pensa que sairá a frase mais linda que já ouviu, rááááá: ele mostra a língua.
  6. Há diversão em qualquer hora ou lugar, seja no preparo do jantar, no meio do seu expediente, na farmácia, no trânsito ou no sítio infernizando o galo anão.

Queridos Tom e Vinícius, uma coisa é certa: a música é linda, tem muita verdade e, sem sombra de dúvidas, viver sem ter amor não é viver.

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