Feeds:
Posts
Comentários

Archive for julho \30\UTC 2008

Blecaute

Então você chega em sua casa se arrastando, com a sensação de que há uma bola de ferro de 500 quilos acorrentada em cada um dos seus tornozelos. O dia foi exaustivo e a hora do almoço passou sem que você tivesse chance de parar por alguns instantes, ao menos para se alimentar. O seu estômago está nas costas, o seu corpo não responde às funções comandadas pelo cérebro e não há forças para nada. E aí, uma idéia. Banho! Nada como um bom banho para relaxar a alma e revigorar a sua energia.

Entregue ao minúsculo box, que naquele momento é o melhor lugar do mundo, você joga o pescoço para trás e sente a água correr no rosto. E quando você pensa que está tudo certo, tchanãããã: acaba a luz.

É nesse exato momento que você percebe o quanto era hipócrita aquele seu discurso sobre a ausência de forças no seu corpo. Porque nessas horas, bicho, você consegue quebrar a parede do box com um simples murro. Basta fechar os olhos e os seus lindos punhos e deixar o seu alien, nada domesticado, tomar conta do ambiente. São nestas horas que você percebe que era tudo mentira aquele papo de “eu não tenho forças nem para falar”. Balela! Cascata! Nessa hora, meu amigo, você consegue colocar o animal mais violento que habita dentro do seu ser e berrar o mais alto dos puta que te pariu.

Quando eu morava com os meus pais, eu já ficava bem brava com aqueles que decidiam puxar a descarga bem no momento em que eu estava tomando banho. Sabe-lá-deus-por-que, mas lá a coisa funcionava assim: puxar a descarga enquanto algum infeliz tomava banho significava uma corrente de água congelada e facadas gélidas sentidas em todo o corpo. Com sorte, as facadas vinham apenas na cabeça. Era o que eu chamo de banho psicose.

Mas quando você mora com os seus pais e a luz acaba, a sua mãe com certeza esquenta água no fogão só para não deixar a sua cria ficar resfriada. E depois do banho quentinho-improvisado, ela faz pipoca e brinca de fazer sombras com as mãos. Os efeitos na parede vão desde o simples pássaro até o cisne branco.
Saudades das noites em que acabava a luz. Saudades de gritar “manhêêêê!” ao invés de !}~@#¨&*!!

 

null

Saudades de enxergar o mundo com mais inocência

Read Full Post »

Já li vários textos dizendo que determinados livros têm seus momentos certos para serem devorados. Quantos já não passaram pelas suas mãos sem você conseguir avançar mais do que sete páginas, mesmo depois de ouvir as melhores críticas e indicações a respeito de tal título? E lá está ele, quietinho, esperando o seu melhor momento.

 

Por que é que às vezes um determinado trabalho também não pode ser entregue no tal do momento certo? Por isso eu odeio o cretino que inventou o deadline e amaldiçôo o fariseu que pede tudo pra ontem. Não é sempre que estamos a fim ou inspirados para aquilo. Queria tanto poder dizer “olha, hoje não dá. Mas eu prometo que avaliarei o seu pedido com carinho e desenvolverei tal obrigação assim que eu estiver pronta, ok?” Não seria melhor?

 

Há projetos que saem uma belezura, que são feitos como se você fosse predestinado, como se só você fosse capaz de fazer algo tão bem feito, tão perfeito, tão redondinho, tão do jeito que imaginavam. E quando são feitos de uma forma que é melhor do que esperavam? Não é magnífico? São aqueles que saem na molezinha, que parecem cair no colo como se fossem presentes de Deus. São aqueles que fazemos em dias que estamos saborosamente cheios de inspiração. Seja qual for o tema. Inspiração é inspiração e põe a gente para fazer coisas tão bacanas a ponto de ganhar uma estrela do professor.

 

Pois é, mas o que o maravilhoso mundo corporativo não entende é que alguns trabalhos são um sofrimento só, uma desgraceira inenarrável. São aqueles que não saem nem a pau, nem com reza brava e nem invocando a cabocla Zuleika. São aqueles que vem no atropelo, na urgência, cheios de prioridade, do inevitável é preciso. Os piores são aqueles conhecidos como demandas inesperadas seguidas do maldito deadline pra ontem.

 

Pudera dizer: passe amanhã e não esqueça de pegar a senha, porque a coisa tá bem preta, viu? Estou há semanas esperando uma entidade espiritual baixar em mim para elaborar o texto sobre o sistema que integra a estação de tratamento de efluentes, composta por decantadores anaeróbicos de fluxo ascendentes, cujos diferenciais são as drenagens que impermeabilizam o solo e os lençóis freáticos. Cadê a inspiração? Aí, recebo um e-mail: é um procedimento que visa detectar possíveis percolações de líquidos. Ah tá, agora ficou fácil. Guenta aí, cinco minutinhos, que já, já sai. Sinto que este é o momento certo!

 

Momento certo? O momento certo será o dia em que eu vou me levantar, pegar a minha bolsa e sumir por este mundão de Deus. Já me vejo com óculos escuros, nariz empinado, rosto sereno e olhar distante. Darei passos firmes e tocarei, de forma precisa, forte e determinada, o botão para o 1º subsolo. Dependendo do nível da TPM, abandono o meu posto do nada, saio com o olhar do Jack Nickolson, em O Iluminado, e com uma faca na mão, seguirei em direção ao meu desconhecido destino.

 

Mas a realidade é fria, dura e cruel. Tudo é para ontem. Tudo tem prioridade e todos têm a senha número 1! E ai de você entregar algo bem dos sem-vergonha. Por isso, companheiros, eu decreto fim ao prazo curto! Fim ao “é pra ontem”, fim ao trabalho insano, fim aos deadlines impossíveis de se cumprir, fim às metas!!! Fim ao trabalho escravo e também ao infantil! Sim, porque alguém do meu tamanho trabalhar desse jeito, é crime!

null

Tem certeza de que não posso entregar no ano que vem?

 

Read Full Post »

Trilhas

Por vezes não há explicações para os efeitos que algumas músicas imprimem na alma. Algumas conseguem nos transportam a lugares e épocas bem distantes, a pessoas queridas e a momentos inesquecíveis. Ao apertar o play, eu consigo, facilmente, reviver toda uma situação, mesmo que a mesma tenha ocorrido há zilhões de anos. São minhas trilhas sonoras. Algumas, eu confesso que, por não saber lidar muito bem com a saudade, não ouço mais.

Mas há músicas que nos dão uma sensação boa que só. Não nos remetem a nenhuma época, mas fazem um bem danado para o espírito. As canções de Amy Winehouse, a garota com instinto auto-destrutivo, que consome drogas e até remédio para cavalo (!), têm aquela pegada retrô que eu gosto demais. Sua voz marcante parece pertencer àquelas divas negras e o estilo, um soul sessentista repaginado, envolve profundamente. Há uma música dela que me fascina tanto quanto My baby just cares for me, de Nina Simone.

E falando em voz envolvente, o CD de Stacey Kent furou de tanto que ouvi. É outra que descobri há pouco tempo, tempo suficiente para ganhar um post aqui.

Read Full Post »

Se você reparar na maioria dos diálogos, seja lá sobre o que for, há sempre uma expressão engraçada. Se o sujeito sai com uma mulher fora dos “padrões” de beleza, pumba! Pode apostar que o tom da conversa será:
Você viu com quem o Jorge Gustavo está saindo?
Não?! É bonita?
Que nada, é o cão chupando manga!

Cão chupando manga? Eu não faço a menor idéia de quem inventou tal expressão e não sei se há uma explicação. Mas sei que isso significa ser muito feio (a). Também tenho lá minhas curiosidades para entender de onde vem “gosto de guarda-chuva”. Será que alguém já provou?

Shirley Catarina está mais para lá do que pra cá. E aí vem a pergunta que não quer calar: quem disse que o cá é melhor que o lá?

Mas o Otávio Jefferson é tão barnabé! O que você fará casando com um pé-rapado? E eu pergunto: porque barnabé é sinônimo de “perdedor”? Pobre Barnabé! E de onde diabos vem a palavra pé-rapado?
Eu sei que muitas expressões possuem seus significados curiosíssimos, como é o caso de “feito nas coxas” e “casa da mãe Joana”, por exemplo. A explicação para a primeira é: as primeiras telhas usadas aqui no Brasil eram feitas de argila, que eram moldadas nas coxas dos escravos. Como o porte físico dos escravos variava, as telhas ficavam todas desiguais. Uia! Tudo faz sentido! Assim como na explicação para a casa da mãe Joana. “A expressão “casa da mãe Joana” foi inspirada na condessade Provença e rainha de Nápoles, Joana I. A nobre dama regulamentou os bordéis de Avignon em 1347, e a partir daí teve seu nome vinculado a badernas e lugares onde tudo pode acontecer”.

Outras explicações tão bacanas são encontradas em um livro que eu já tô bem de olho. Porém, o ilustríssimo Google é bem bacana e traz, para a alegria da rapaziada curiosa, todas as explicações em seu sistema maravilhoso de busca. Mas eu ainda me pergunto de onde vem “nem a pau, Juvenal”, “feito barata-tonta”, “espírito de porco”, “não é mole, não”, “dar com a boca na botija”, “as paredes têm ouvidos”, “sebo nas canelas” e, a minha preferida: macacos me mordam!

E assim que cogitei questionar de onde vinha “cor de burro quando foge”, eis que surge a melhor das descobertas. O correto é corro de burro quando chove. Será que há alguma explicação para a tal da cor fúcsia? De boa, mas eu acho que essa cor não existe, assim como a tal da cor do burro fugitivo. E mais, tenho certeza de que foi inventada por alguma louca do ramo de moda que adora uma erva. Em uma de suas “viagens”, viu diferentes hipopótamos coloridos, apontou para um e disse: olha que lindo o xale fúcsia que aquele lá está exibindo!

E quanto à explicação do sabido “quem tem boca vai a Roma”, hã, hã, hã? Não pense você que tal expressão tem a ver com o espertinho-extrovertido que não se perde de jeito algum. Vem do tempo romano, época em que o único modo do povo manifestar sua insatisfação com a situação política era vaiando os discursos dos imperadores. O correto é quem tem boca vaia Roma.

Algumas explicações são curiosas e outras não têm graça alguma. E há aquelas que acabam com a nossa infância. É o caso do doce versinho “batatinha quando nasce, esparrama pelo chão”. Não é nada disso, acredita? O correto é batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão. Eu gosto mais da versão incorreta, porque dá a impressão de que o legume, ao nascer, toma conta do pedaço, todo lagartixa, sabe? E vai me desculpar, mas depois de anos declamando o versinho deste jeito, eu é que não vou me corrigir dizendo que são as ramas que são espalhadas por aí.

Read Full Post »

Mantenha a distância

Eu me irrito com muita facilidade e por ter essa característica tão intrínseca, sou muitas vezes identificada como a típica baixinha invocada. Nem ligo e dou de ombros para esse tipo de “condenação”. Mas eu me irrito, mais do que o normal, com gente que se faz de sonsa, que me interrompe de cinco em cinco minutos quando estou concentrada, gente que faz perguntas cretinas e que liga em casa às 9h30 da madrugada de um domingo perguntando se eu estou dormindo. Não, Pedro-bó, não estou dormindo, estou com esta voz de ovo porque acho divertido falar desse jeito. Oh, gente chata!

 

Me irrito com gente que não responde e-mail e com gente que me pergunta se estou nervosa quando, na verdade, está nítido, explícito e escrito na minha cara super, mega, ultra, bláster emburrada. Dá vontade de tirar as minhas próprias calças, pisar em cima e berrar: AGORA VOCÊ CONSEGUE ENTENDER QUE EU NÃO ESTOU NO MELHOR DOS MEUS DIAS OU QUER QUE EU DESENHE, CACETE?

 

Sempre que acontece esse tipo de situação, é inevitável não pensar naquela santa  oração, do “Santo Veríssimo”. Vai por mim, é reconfortante!


Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as coisas que não posso aceitar, e sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que eu tiver que matar por estarem me enchendo o saco.
Também, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje, pois eles podem estar diretamente conectados aos sacos que terei que puxar amanhã.
Ajude-me, sempre, a dar 100% de mim no meu trabalho…
12% na segunda-feira, 23%, na terça-feira, 40% na quarta-feira, 20% na quinta-feira, 5% na sexta-feira.
E… ajude-me sempre a lembrar, quando estiver tendo um dia realmente ruim e todos parecerem estar me enchendo o saco, que são necessários 42 músculos para socar alguém e apenas 2 dedos para tapar os ouvidos”
Que assim seja!

 

Read Full Post »

Num piscar de olhos

A gente sempre ouve por aí que muita coisa pode acontecer num “piscar de olhos”. Quantas histórias existem de crianças que se perdem num piscar de olhos? Ou que fulano foi assaltado num piscar de olhos? No entanto, eu jamais poderia imaginar uma história como a do jornalista francês Jean-Dominique Bauby.

 

Após sofrer um AVC aos 43 anos, o jornalista perde todos os movimentos do corpo, com exceção de uma pálpebra. E foi piscando o olho esquerdo que Jean conseguiu se comunicar e expressar o que sentia. A partir daí, e de uma inteligente técnica desenvolvida por uma especialista, Jean escreveu um livro – “O escafandro e a borboleta”, título que dá nome ao filme. Enquanto liam o alfabeto para ele, Bauby piscava uma única vez para confirmar a letra que queria.

 

Antes mesmo de ir ao cinema, eu tinha a mais absoluta certeza que iria chorar. Mas, pelas barbas do profeta (!), eu quase me desmanchei. A história é inevitavelmente triste e, da forma que é contada, não há como não se emocionar. Há uma cena que eu pensei que eu fosse levantar da poltrona, ir lá na frente e dizer: alguém pode me abraçar, por favor? Mas aí, eu achei que seria demais.

 

O filme é de uma sensibilidade extrema e nos faz refletir um bocado sobre a vida. Tudo o que ele podia fazer era mover apenas uma pálpebra. Tudo o que ele tinha eram suas lembranças e sua imaginação. Era a sua imaginação que o ajudava a viver e visitar qualquer lugar, qualquer pessoa. E nas lembranças, Jean se refugiava. O tempo todo esteve lúcido, consciente. E diante de toda aquela situação claustrofóbica, conseguiu ser sarcástico, manter o senso de humor e, ainda, escrever um livro.

 

É impossível não chorar e não se sentir chocada ao término do filme. Eu já parei de chorar, mas ainda estou em choque.

 

Read Full Post »

Não vejo a hora

Eu tento disfarçar, pensar em diferentes coisas, despistar a mente, mas é inevitável. Eu não consigo controlar a minha ansiedade. É assim quando alguém marca uma festa, quando tomo uma decisão, ganho um presente ou compro uma roupa. Vestido novo? Pode apostar que no dia seguinte irei usá-lo. Encontro com a turma da faculdade? É certo que irei roer, ainda mais, as minhas unhas até o dia do grande encontro. Aniversário de alguém especial ou que há muito não vejo? Sou a primeira a chegar.

 

Não gosto de ficar ansiosa parecendo uma garota mimada e cheia de manias bobas. Mas é assim que me sinto, especialmente hoje.

Não vejo a hora de chegar em casa para retirar na portaria minha mais nova aquisição! A sugestão foi dada por Chris Campos que, em quatro ou cinco linhas, foi capaz de me convencer a devorar as dicas hilárias de Bunty Cutler. Segundo Chris,  Bunty Cutler, é uma hilária, dessas pessoas que dá vontade de convidar para sentar ali, na mesinha do café da livraria, com um prato de muffins de chocolate na frente e ficar conversando até gastar a língua”.

 

Cutler é a autora de um dos livros que comprei, há 24 horas, no mundo virtual. E pelo jeitão do índice deve ser hilária mesmo, porque seus capítulos se dividem em: “como perder quase três quilos em seis horas”; “como confeccionar um pretinho básico usando um saco de lixo”; “o que fazer com homem que ronca”; “como fazer parecer que você sabe tudo  o que está falando quando está no açougue”; “como manusear um guarda-chuva no vento”; “como ser má” e “Como estrangular um homem com suas coxas” (!).

Não é uma ótima aquisição?

Read Full Post »

Older Posts »