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Archive for setembro \24\UTC 2008

Eu juro que tentei

Se um dia alguém me perguntar o que me deixa realmente frustrada, a resposta será fácil: não saber tocar violão. E olha que eu tentei, viu? Eu quis tanto aprender que cheguei a insistir na idéia três vezes, em três diferentes períodos.

 

A primeira foi no meio dos anos 80 quando eu e uma amiga íamos de ônibus até Moema só para ir às aulas. O curso era em um clube da prefeitura, próximo ao Ibirapuera, e por ser gratuito era perfeito. No primeiro dia, nem ligamos para as chacoalhadas e freadas bruscas daquele meio de transporte que mais parecia levar bodes do que pessoas. Estávamos tão animadas com a aula que, para nós, aquilo lá era pura persistência e determinação. Mas não demorou muito para percebermos que era insanidade, isso sim. Não era nada fácil seguir para as aulas de busão! Ao mesmo tempo em que tínhamos que segurar os nossos violões, tínhamos de nos equilibrar naquela jabiraca que fazia a linha “largo São Francisco – Ibirapuera”. Sem contar que o violão era tão grande pra mim que, em alguns momentos, eu achava que aquilo lá era um violoncelo. Desisti depois da terceira ou quarta aula e saí de lá tocando apenas “Asa Branca” e “Parabéns pra você” que, segundo quem toca, diz que é o  a e i o u. E diga-se de passagem: eu tocava tão devagar que as pessoas tinham dificuldades para reconhecer as letras.

 

Depois de alguns anos, lá fui eu tentar novamente. Desta vez, eu trabalhava e podia bancar um curso ao lado de casa. Já me imaginava toda esnobe sacando o meu violão no meio dos meus amigos. Eu, vestida com a minha saia indiana e sandalinhas de couro, sentaria de pernas cruzadas pronta para soltar o gogó mais desafinado do mundo. Iria certamente soltar algo como “…Ficaremos acordados, imaginando alguma solução, Prá que esse nosso egoíííííííísmooooooo Não destrua nosso coraçãoooooooooo, serááááááááá, só imaginaçãooooooooo, seráááááááá que nada vai acontecer…”

 

Elis Regina também não iria faltar. E eu iria querer fazer o “tum dum tum dum” da música perfeitamente no violão, aquele logo depois da estrofe “ minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo o que fizemostum dum tum dumainda somos os mesmos e vivemos….

Ah, sim e eu iria me empolgar um montão na parte em que ela repete “…apesar de termos feito tudo tudo tudo tudo o que fizeeeeeeemos”. E vou ao céu na parte: Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reuniiiiiiiiiiida Na parede da memória essa lembraaaaaaaaança é o quadro que dóóóóóói mais...

 

…Mas era duro levantar tão cedo aos sábados para ir às aulas de violão, principalmente porque todas as sextas-feiras eu chegava de madrugada em casa. As baladas acabaram com a minha persistência. Ué, eu tive que escolher e, confesso que nem foi uma decisão difícil. Imagine: aos vinte e poucos anos você prefere “ir pro crime” ou acordar cedinho para as aulas de violão?

 

A última tentativa foi há uns cinco ou seis anos. O violão estava lá, no cantinho dele, com aquela cara de pidão. As baladas já não faziam mais a minha cabeça e a vontade de aprender a manejar tal instrumento veio à tona. Mas depois de uns três meses percebi que eu definitivamente não havia nascido para aquilo. Que o negócio era eu ser “paga pau” de quem toca e ser daquelas que não se cansa de pedir para o sujeito: “toca aquela!!”

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Fuga

 

 Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente…

 _ Manuel Bandeira _

Há dias em que me dá uma vontade imensa de jogar tudo para o alto, vender todas as coisas, desistir de tudo aquilo que foi construído, pegar o meu passaporte vermelhinho e me mandar para o tal do primeiro mundo. Alguns lugares, bem longe daqui, às vezes me tentam e me dão a impressão de que podem me oferecer aquilo que eu busco quando tenho uma certa sensação que pesa na alma: escapar da realidade.

 

Eu sei que fugir é típico de gente covarde, imatura e egoísta e de gente que prefere achar que a melhor solução é não resolver. Mas hoje, eu não quero bancar a dona determinada, guerreira, sabidona e racional. Tampouco quero respirar fundo e tentar manter a calma ou ir em busca da serenidade. Nem aí para o que esta minha postura pode parecer para os outros. Aliás, estou bem cansada de me preocupar com o que os outros vão pensar. Já não basta a minha consciência que cobre o próprio rosto, tamanha é a vergonha que sente por mim. 

 

A sensação que me invade não está muito clara. Não sei discernir se é apenas uma sensação ruim, um simples trauma, intuição ou sexto sentido. Mas não é bom. Por isso, hoje bateu vontade de me mandar daqui e viver fazendo qualquer coisa. Pode ser servindo cafés em Paris, fazendo faxina na Itália ou varrendo as ruas de Londres. Eu me submeteria até a servir café com sabor de maconha lá em Amsterdã. Tá valendo.  Quem sabe chutar latas por aí, sem direção, completamente indisciplinada e inconseqüente? Ta valendo também. 

 

Quem é que nunca teve vontade de fugir? Quem é que nunca desejou recomeçar a partir de qualquer coisa, desde que seja diferente de tudo o que já fez ou planejou? Hoje essa vontade simplesmente me consumiu.

 

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Freud explica?

Para tudo há solução, exceto para a morte. Será mesmo?

O que fazer, então, com os questionamentos infinitos que nos rondam como velhos fantasmas? Questionamentos complexos, contextualizados e cada vez mais freqüentes pesam.

 

Por mais que se procure por respostas, elas parecem a morte, sombria, silenciosa, calada e nem um pouco esclarecedora. Contentar-se com suposições? Como, se elas não acalmam o espírito, não tranqüilizam a alma e só despertam mais dúvidas?

 

O silêncio é tudo o que mais dói, assim como a morte, assim como a sensação do esquecimento, assim como os infinitos por quês desencadeados por um misto de revolta, frustração e entendimento-zero.

 

Não entendo, não entendi e jamais irei entender o verdadeiro por quê.

Quando penso que achei as respostas, percebo que são meras suposições, por vezes tolas, por vezes confusas. A morte é confusa, o silêncio é tolo e ambos são doloridos, misteriosos e incompreensíveis demais.

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Sapatinhos de Rubi

Depois de tantos dias fora, tudo o que você mais quer é chegar em casa, se livrar da mala pesada, sentir o cheiro daquela atmosfera que te pertence e de ver todas as suas coisas do jeito que estava ou da maneira que você mais gosta.

Não há lugar melhor do que o nosso lar, já dizia Dorothy em O Mágico de Oz. Sábia garota.

 

Passar dias longe de casa, trabalhando como uma condenada, é como ser levada por um ciclone, assim como aquele que levou Dorothy. Mas diferentemente da personagem, eu não segui a estrada de tijolos amarelos,  não calcei sapatinhos de rubi, não tive a companhia do leão covarde, do homem de lata nem do espantalho. No lugar de uma cesta a tiracolo, ia pra cima e para baixo carregando dois celulares, o bloco de notas, o meu inseparável press kit e o rádio que me deixava ficar atenta a todos os acontecimentos do evento, acompanhar a imprensa, solicitar ajuda à equipe e obedecer às ordens do cliente como a um bom cão (wolf!)

 

Mas como depois de toda a tempestade, a poeira baixa e o sol brilha, é chegada a hora de voltar para casa.  E o melhor em chegar, não é só o fato de saber que a melhor cama do mundo está a sua espera, e sim matar a saudade de quem você ama, ganhar um abraço infinito desta pessoa e perceber que não há como ficar tanto tempo longe dela.

 

 

E diferentemente da garotinha aí, eu enfrentei quatro horas de estrada, uma hora de espera no aeroporto e uma de viagem. Quisera eu bater um calcanhar no outro, dizer uma frase mágica e acordar em casa

 

 

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Jesus, me chicoteia!

Destino: assistir seminário sobre ações de sustentabilidade e identificar oportunidades estratégicas para a imagem institucional do cliente

 

Horário da apresentação: 17h15

Horário marcado para sair: 16h00

Veículo utilizado para chegar no local: táxi

 

Problema 1: Trânsito infernal

Problema 2: motorista que não fecha a matraca

Som ambiente (problemão): pagode do tipo bem safado em que o cantor geme para dizer o quanto ama aquela mulher

Situação da passageira (euzinha): sensação de ter jogado cocô na cruz e de ter rido muito da cara de Jesus, de ser uma loser e de querer morar em um lugar onde o uso dos carros seja terminantemente proibido.

Vontades insanas: ter um esparadrapo para calar a boca do sujeito que dirige o carro e uma bomba para que o CD do imbecil do cantor-pagodeiro exploda, evaporando-se por completo. E, finalmente, quebrar o aparelho de GPS com um taco de beisebol só para não ouvir mais a voz daquela mulherzinha que fala diretamente do aparelho coisas como: “vire ligeiramente à esquerda” ou ainda “a 600 metros, vire à direita”…arghhhhhhh!!

 

Tempo para chegar no seminário: 2h15, isso mesmo, D U A S  H O R A S  E  Q U I N Z E  M I N U T O S

 

Durante o percurso, eu me distraí vendo:

 

  1. um motorista tocando gaita (desejei muito estar naquele carro);
  2. 90% dos motoristas estavam com uma mão no volante e a outra segurando a cabeça, que pendia para o lado da janela.
  3. o nome de uma clínica veterinária era “medicão” (rá!)

 4. adesivos colados em alguns carros:

 

a)     sou feliz porque sou católico (é mesmo preciso?)

b)     eu amo a minha esposa (é mesmo preciso?)

c)     nóis capota, mas não breca (ao entrar num carro como este não é preciso nem responder “com ou sem emoção?”)

d)     Good girls go to heaven, bad girls go to everywhere (quem acha que a motorista deste carro tinha cara de putana põe o dedo aquiiiii!!!)

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Volta definitiva

 

Querida Vivi,

 

Soube pela sua irmã, que deixou um depoimento na minha página do Orkut, que você está prestes a voltar para este nosso Brasilzão. E ela terminou a frase dizendo que esta sua volta era DEFINITIVA, assim mesmo, tudo em letra maiúscula. Maiúscula para ressaltar, alertar e gritar para o mundo esta novidade.

 

Quando li a mensagem, o meu coração pulou, os meus olhos encheram de lágrimas e eu balbucie “a Vivi está voltando”, com um sorriso contido por causa do nó na garganta.

 

A última vez que nos falamos foi tão rápido que nem valeu. Foi apenas um dia inteiro para querer saber tudo e querer contar tudo. E tudo isso depois de anos sem se ver. É claro que nem deu tempo para matar a saudade. Saudade uma da outra. Saudade de amigas de infância. Saudade de doer. Saudade que a gente mata lembrando das risadas que dávamos no recreio, dos trabalhos que fazíamos juntas, das brincadeiras de boneca, da coreografia ensaiada em sua casa e inventada pela sua irmã – rrá, a música era “Dona Felicidade”, aquela cantada pela Lucinha Lins, lembra?!! E a escola de patinação que inventamos? Já éramos empreendedoras aos 9 anos!

 

E nos tornamos cúmplices, de uma vez por todas, a partir daquele trote que passamos para…, bem deixa pra lá, porque isso é segredo nosso e você sabe para quem passávamos trote. E a gente nunca se desgrudava. E a gente sempre se divertia. Foi assim no bailinho que você fez em seu 12º aniversário, foi assim naquela viagem que fizemos pelo Sul do País, no shopping, na danceteria, na praia… E aquele carnaval? Afe Maria! E o concurso de lambada do qual você  ficou em primeiro lugar? Eu lembro de ter perdido a voz de tanto que torci por você. E o sarro que a gente tirou do Luis quando ele chegou do exército?!… 

 

Apesar de termos trilhado caminhos diferentes, o tempo e a distância não apagaram o carinho e a admiração que temos uma pela outra. Eu não vejo a hora de você chegar. Eu não vejo a hora de você voltar definitivamente. Eu não vejo a hora de te dar um abraço forte e demorado. Um abraço comprido, mais longo que de costume. Um abraço daqueles que não se diz nada, porque não será preciso.

 

Saudade demais de você.

 

Te amo um monte,

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Escolhas

Deve haver estatísticas apresentando índices alarmantes relativos à escolha profissional. Todos com quem converso não estão felizes com o trabalho que exercem. E com base nisso, chego a pensar naqueles que devem maquiar defuntos diariamente. Não deve ser uma tarefa nada fácil, mas eu estou tão cansada que chego a pensar que dar um tapa no visual de um presunto não seria uma má idéia.

 

Se hoje eu tivesse a chance de escolher entre o que faço e maquiar defunto… rráá!!! Certamente eu optaria pela atuação fúnebre. No âmago da minha sofreguidão profissional eu aceitaria até pentear macaco e limpar bunda de elefante.

 

O cansaço é tamanho que começo a ter alucinações com o Silvio Santos. Sim, ele mesmo, o hômi do baú. Me imagino participando daquela gincana do Domingo no Parque em que você fazia as escolhas mais grotescas, a bordo de uma cabine que imitava uma nave espacial e com fones nos ouvidos cobrindo suas orelhas, trocando bicicletas por pinicos. No meu caso (a alucinação é minha e eu faço o que quiser com a brincadeira), a gincana seria um pouco diferente e as respostas não seriam “sim” ou “não”. Explico: Após o sêu Silvio fazer as perguntas, a famosa luz vermelha da nave acenderia para que eu respondesse prontamente com uma única frase. Quer ver só?  

 

Sêu Silvio: Você prefere maquiar defunto ou exercer a atual função?

Eu: MAQUIAR DEFUUUUUUNTOOOOOO!!!

Sêu Silvio: Você prefere maquiar defunto ou trabalhar mais de 12 horas/dia?

Eu: MAQUIAR DEFUUUUUUNTOOOOOO!!!

Sêu Silvio: Você prefere atender um jornalista com uma pauta do cão às 18h ou maquiar defunto?

Eu: MAQUIAR DEFUUUUUUNTOOOOOO!!!

Sêu Silvio: Você prefere ir a reuniões intermináveis ou maquiar defunto?

Eu: MAQUIAR DEFUUUUUUNTOOOOOO!!!

Sêu Silvio: Você prefere fazer o que faz diariamente ou maquiar defunto?

Eu: MAQUIAR DEFUUUUUUNTOOOOOO!!!

Sêu Silvio: E ela vai fazer o quê, então, auditório? Oêêêêêê!

Auditório no maior frenesi: MAQUIAR PRESUUUUUNNNNTOOOO!

Sêu Silvio:  Rá Raííííí, ri ríííííí!! É com você, Lombardi!

 

 

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