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Archive for outubro \31\UTC 2008

No brejo

Apesar de trabalhar em uma área em que a pressão, o melindre, a vaidade e a insanidade de certas pessoas fazem parte do dia a dia, eu sempre me surpreendo com determinadas atitudes. O resultado? É desanimador e agrava ainda mais quando tenho que engolir sapos. Não há estômago que não proteste e não há um ser humano que não sinta vontade de vomitar algo tão repulsivo e nojento.

Porém, a história complica bastante quando tenho de lidar com gente mau-caráter. Porque, além do sapo-boi que não vai goela abaixo, é preciso respirar fundo e seguir em frente. Afinal, tipo de gente assim, faz parte de qualquer ambiente profissional. Para amenizar a situação, prefiro confiar nas sábias palavras do escritor francês Sébastien-Roch Nicolas Chamfort, “quem não tem caráter não é homem, é coisa”.

Em um momento, confesso que tive vontade de falar um monte, xingar e, finalmente, dizer – com o dedo na cara de quem fez questão de me sacanear: “a sua hora vai chegar!”. Mas não. Na verdade, mais do que raiva, eu sinto muita pena dessa pessoa.

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A iluminada?

São vários os efeitos causados pelo isolamento. Um deles, digo com propriedade: deixa a gente completamente fora de nosso juízo normal.  Escrevo isso apenas para dizer que não sei o que será de mim estando sozinha por mais alguns dias em um quarto de hotel, longe dos meus amigos queridos lá da agência e com tempo limitadíssimo para falar bobagens. Por ter que ser corporativa por estas bandas daqui, só consigo falar algumas poucas bobagens quando já é noite – hora em que ligo para todo o mundo. Será que ficarei louca como o personagem de Jack Nickolson, em O iluminado?

 

Quer um exemplo dos estranhos efeitos causados pelo afastamento?

 

Data: 30/10/2008

Horário: pela manhã

Local: quarto 111

 

Atitude: ao som de uma das melhores músicas de toooooodos os tempos, Paola Del Monaco dança sozinha, no quarto do hotel, usando o pente como microfone e dubla “this is the Day” olhando-se no espelho. Sua coreografia é bem esquisita e muito suspeita. Algo anos 80, algo psicodélico, algo bem excêntrico. Ela movimenta os ombros de uma forma preocupante e inexplicável, jogando a cabeça e os braços de um lado para o outro. Em um dado momento, ela chegou a jogar o pente para o alto, parou de dublar e começou a cantar com os olhos fechados. Permite que o seu corpo se solte de forma delirante e é embalada pela canção que a transporta para épocas inesquecíveis. Ela sorri. Apesar de tudo.

 

O lado bom: ela fica beeeem feliz ao ouvir uma de suas músicas prediletas e começa o seu dia com a alma mais leve.

 

O lado ruim: sair do quarto fazendo cara corporativa e séria, típica de uma mulher normal. Juro, eles a levam a sério e ainda a cumprimentam colocando “dona” na frente de seu nome.  Ela ri por dentro. Huahuahuahuahuahuahua!!!!!!!!

 

 

But the side of you they’ll never see
Is when you’re left alone with your memories
That hold your life together – like glue

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Viva o Canguru!

Viva eu!

Viva tudo!

Viva o Chico Barrigudo!

 

Minha amiga Valentini adora todo e qualquer tipo de programa ou reportagens sobre as grandes descobertas científicas e/ou sobre o mundo encantado da natureza. O Frango é assim também. Ele assiste aos documentários transmitidos pelo Discovery Chanel com uma atenção fora do comum. Chego a pensar que ele assiste àquilo tudo sem mesmo ouvir os comentários, como quem contempla o fogo da lareira.

Ciente do meu stress atual, Valentini encaminhou uma matéria publicada no G1 relativa a um estudo sobre saúde mental. Confesso que tive vontade de mandá-la às favas depois de ler tal reportagem. Explico: trata-se de um estudo publicado pela revista científica British Journal of Sports Medicine que destaca a faxina como um excelente exercício para a melhora do humor.

O tal artigo diz que, para sentirmos os resultados, são necessários apenas 20 minutos de atividade, tempo suficiente para deixar a pessoa ofegante. O artigo ressalta ainda que a faxina diminui o stress. O QUÊ?!!! O QUÊ?!!! Quer dizer que eu devo chegar em casa daqui a milhões de dias e ainda fazer uma faxina para me sentir melhor? Quer dizer que o segredo é ficar ofegante?!!! Aposto que estes cretinos do tal jornal inglês não sabem o que é fazer faxina, limpar privada, lavar frigideira ou a caneca onde foi fervido o leite. Se o segredo é ficar ofegante, saiba que eu conheço algo que nos deixa bastante ofegantes e é infinitamente melhor do que fazer faxina. Aliás, não há nem comparação.

Não entendo como tal notícia possa merecer tamanho destaque. Por isso concordo com o jornalista Milton Coelho da Graça que, em um dos artigos mais interessantes que li em 2008, afirma categoricamente: “…a imprensa não deu a atenção merecida ao peido do canguru…um herói na luta contra o efeito-estufa”. Tal artigo refere-se a um estudo feito por cientistas australianos.

As pesquisas dos mocinhos lá da Oceania mostram que o peido do canguru não emite metano e pode ser a salvação da humanidade. De boa, as pesquisas deles são beeeemmmm mais interessante, viu dona Valentini?

Em tempo: sempre fui com a cara destes bichinhos faceiros e saltitantes J

Abaixo insiro o artigo de Milton na íntegra, publicado em janeiro deste ano no www.comunique-se.com.br

Peido de canguru merecia mais atenção

Milton Coelho da Graça*

 

“Junto com os 6 bilhões de seres humanos, habitam nosso planeta mais de um bilhão de bovinos e outro bilhão de carneiros e ovelhas. Esses dois bilhões de animais comem e peidam sem parar jogando na atmosfera talvez mais da metade de todas as emissões de metano, um dos gases que mais contribuem para o efeito-estufa e o aquecimento global.

 

Felizmente temos um grande amigo como companheiro de planeta: o canguru. Que também peida muito, mas, por capricho da natureza, sem metano. Pesquisadores australianos isolaram a bactéria que, no aparelho digestivo do canguru, impede a produção do gás ameaçador e prometem que, brevemente, bois e carneiros estarão recebendo em sua dieta a bactéria redentora.

 

O canguru pode ser a salvação da Humanidade, amigos, já é um herói na luta contra o efeito-estufa, mas, a meu ver, nossa imprensa não deu a atenção merecida a seu peido inocente e tão revelador para a ciência.

 

Como sabemos, o ciclo de informação sobre o conhecimento tem a colaboração de três espécies de curiosos: os pesquisadores científicos, sempre em busca de explicação para os mistérios do homem e da natureza que o cerca; os jornalistas, sempre em busca do que está acontecendo, de ´todas as notícias que merecem ser impressas´, como é o lema do New York Times; e os historiadores, que procuram no passado verdades perdidas e lições ainda úteis.

 

(*) Milton Coelho da Graça, 76, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e do Comunique-se.”

 

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2013, aqui vou eu.

…O seu futuro é duvidoso,

eu veja grana,

eu vejo dor…

 

_ Barão Vermelho ­_

 

Apesar de ser uma capricorniana típica, daquelas chatas, metódicas e, principalmente, do tipo que não consegue fazer nada sem planejar, há algum tempo me pergunto por que não consigo planejar o meu futuro.

 

Os especialistas-chatos sempre vêm com suas soluções dizendo que todos devem se planejar. Um exemplo são as perguntas tolas feitas em entrevistas para emprego: como você se enxerga daqui a cinco anos? Quais são as suas metas para chegar neste estágio?  Como podemos saber? Que irritante essas pessoas que sabem onde querem estar, como querem chegar, o que estarão fazendo e o que farão para alcançar tal objetivo. Humpft!

 

Eu não faço a mínima de como estarei daqui a cinco anos. Perto dos quarenta, se Deus permitir, mãe, se Ele também um dia permitir, mais gorda, se eu não parar de comer tanta massa, tomar tanta coca-cola e continuar sedentária.

 

Ah, sim, eles querem dizer na questão profissional da coisa. Ah, sim, vejamos. Pelo andar da carroagem, enlouquecerei de uma vez por todas. E não levará tanto tempo assim. Ontem mesmo, ao invés de dizer alô, atendi o meu celular falando o nome lá da agência. Minha amiga ficou três horas rindo da minha cara. Começa assim, não é?

 

Segundo o Frango, o senhor meu marido, eu falo muito enquanto durmo. Ele vive dizendo que todos os meus diálogos, quando são “legendados”, referem-se ao meu trabalho. Não é um bom sinal, é?

 

Hoje, enquanto lavava o meu cabelo, pensei em um dos textos que estão pendentes e que não foi incluído na planilha de tarefas. E dizem que banho é para relaxar…

 

Durante o jantar, servido no hotel, lembrei que tenho de trocar a foto de uma das matérias produzidas para o jornal. Ah, sim, para você que ainda não sabe, estou novamente há milhas e milhas distante da minha casa e, desta vez, o período não será curto.

 

Portanto, como planejar a minha vida? Se uma viagem como esta é agendada de bate e pronto, como podemos planejar nossos próximos cinco anos? Tá, eu sei que não é preciso traçar todos os detalhes de sua rotina para tal planejamento, que a coisa é mais macro e bla´blá blá. Mas quer saber? Eu não sei o que vai acontecer daqui a cinco anos e tampouco planejo (para o desespero do meu signo). Porém, muitas vezes quando vejo um mendigo – sujo na rua, falando sozinho e gritando com o vento -, me pergunto se antes daquilo tudo acontecer ele não havia sido assessor de imprensa. Eu aposto que era. Aposto que tudo começou quando ele disse o nome da empresa no lugar do simples “alô”.

 

Caso alguém me encontre nestas condições, vagando pelas ruas, por favor, não estranhe. Também não tenha nojo das feridas que carregarei no corpo. Hoje, por exemplo, estou com oito marcas de borrachudos na batata da perna e outras seis nos braços. Não, por favor, não estranhe mesmo. Principalmente se houver uma placa pendurada em meu pescoço com a seguinte frase: “presiçu di ajuda pá cumê i pá curá as firida , pufavô, colabori com umas moedinha”.

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Check up

Com exceção dos hipocondríacos, não conheço ninguém que goste de ir a consultórios médicos. Eu não sou diferente. Pra começar, a agenda deles é um saco, porque a disponibilidade é sempre zero. Ao chegar na clínica também é sempre a mesma coisa: recepcionistas mal educadas, flores artificiais e revistas de fofoca para folhear. Mas o problema maior mesmo fica por conta de médicos do tipo “que-se-ferre, bando de insolentes!”.

 

Eles são o protótipo do doutor altivo, ríspido e arrogante que convoca imperativamente os pacientes para às 8h, chega às 9h e vai embora às 9h05, após dedicar quarenta e cinco segundos do seu precioso tempo. Para este cretino vou logo avisando: EU NÃO PISO AÍ NUNCA MAIS!!! E saiba você que não é só por conta dessas mulas mal amadas que nos atendem ou porque você é um palerma, um boçal, um doutorzinho pedante e presunçoso. Saiba também que as suas revistas são bem velhas e já faz muito tempo que a chata da Xuxa foi para o estrangeiro com o chato do Szafir para comemorar alguma coisa chata ao lado da chata da Sacha. Saiba que eu jamais voltarei porque a música ambiente de sua clínica não poderia ser pior e está no meu patamar de ódio profundo: Enya. Ora, faça-me o favor!!!!

 

…Pensando bem, vai ver que é por isso que as recepcionistas são assim. Acho até que elas são legais por serem apenas mal educadas. Algumas só rosnam.

Se o local onde trabalho tocasse Enya o dia inteiro, eu seria, seguramente, uma serial killer.

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Parada aí, mocinha!

Após fazer sinal para eu encostar, o policial veio em minha direção com cara de mau e uma das mãos na arma – que estava estrategicamente acomodada em seu cinturão de homem-da-lei.

 

Saio do carro gritando “sou inocente!”, “sou incoente” ou canto para ele “seu guarda eu não sou vagabundo, não sou delinqüente…” Questiono a mim mesma se serei obrigada a sair do carro e ouvir ordens típicas, tais como: “mãos na cabeça, pilantra! Você tem o direito de ficar calada…”

 

Sou invadida por uma estranha euforia. Não só estava diante de uma autoridade, com poder de voz de prisão, como fui tomada pelo acesso de riso que o acúmulo de catástrofes sempre acaba por provocar quando decidimos tratar momentos sérios como piada. Ri descontroladamente. Lembrei da propaganda que mostrava um cara sapateando para o guarda. Ri mais ainda com vontade de me bater.

 

Ele percebeu que estava diante de uma tonta e não de uma ameaça. Percebeu que os pneus do meu carro eram novos (ponto pra mim, êba!), que o prazo do extintor do carro não tinha vencido e que os documentos estavam em ordem. Se ele achou que iria me pegar, dançou! Deu uma vontade louca de mostrar a língua pra ele e fazer sinal de “banana pra você!”. Cogitei também a idéia de sair cantando pneu ao som de Born to be wild, mas eu não gosto dessa música e acho que eu poderia me encrencar bastante se agisse assim.

 

Imagino o processo: “Presa por desacato à autoridade, a meliante representa sérias ameaças à sociedade. Dessa forma, o Supremo Tribunal Federal, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e a Associação Amigos do Bairro da Mooca decretam o isolamento de Paola Del Monaco visando a segurança e a tranqüilidade dos cidadãos brasileiros”. Penso nos impostos que deixei de pagar. “Dízus Cráist”, a minha ficha criminal cresce como plantas em estufa ao lembrar da mentira que contei para o porteiro lá de casa.

 

Alguém conhece um bom advogado? Ou, em meu caso, seria melhor contar com a ajuda de algum agente do FBI que pudesse arranjar uma nova identidade para mim?

 

 

Ainda bem que, ao ficar nervosa, eu só dou risada

 

 

 

 

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Lhama ou fuinha?

No início da minha carreira eu observava o corre-corre dos gerentes e de suas vidas nada rotineiras. Um dia almoçavam em restaurantes chiquérrimos nestes tais encontros de good will, no outro participavam de eventos concorridíssimos e disputados à tapa. Na semana seguinte dormiam em hotéis bacanudos em diferentes cidades. Naquela época, eu não via a hora de chegar a minha vez e não entendia por que os profissionais “sortudos” reclamavam tanto. Eu achava que eles faziam tipo e aquela vida tão corrida era tudo o que eu desejava.

 

No último domingo, eu estava a 600 km da minha casa ou, como diria Evandro Mesquita, da Blitz, “milhas e milhas distanteeeeeee”. Sozinha em um quarto de hotel, em pleno Dia das Crianças, senti a falta das minhas sobrinhas, do cachorro, dos meus irmãos, do meu marido e de todos aqueles que fazem dos meus domingos uma verdadeira festa.

 

Uma chuva chata e ininterrupta escorria pela vidraça do quarto. Esse fenômeno da natureza é lindo e poético quando se está com alguém. Do contrário, nos faz embarcar no reino da solidão e amargar saudade. Para evitar isso, liguei a TV e me distraí com um desenho animado que contava a história de uma lhama engraçada, cheia de caras e bocas. No fim, descobri que ela era um imperador. Quando o feitiço foi quebrado senti sua falta e lamentei o fato de a lhama ter voltado a ser uma espécie humana. E se eu formulasse um desejo de transformar o imperador novamente em lhama, ele ficaria muito bravo?

 

…faltavam ainda muitas horas para dormir. Terminei de ler um livro e pensei no quanto eu havia me enganado no início da carreira. Não deveria ter desejado viagens nem nada daquilo que eu achava tão espetacular. Eu deveria ter desejado ser transformada em uma lhama. Ou em uma fuinha.

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