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Archive for novembro \30\UTC 2008

Gradecida, meu santinho

Eu tenho uma certa queda por toda aquela coisa meio “caipira”. Nada a ver com o que certos imbecis entendem por caipira, até porque caipira não é sinônimo de breguice e muito menos de burrice. Esse povo que faz essa alusão – caipira = brega/burro -, não sabe de nada, não. Não passam de pessoas pequenas e preconceituosas.

 

O garoto lá do sítio da madrinha é pra lá de especial. De uma educação exemplar, ele também nos deu a maior aula sobre as peculiaridades de alguns animais. Fiquei roxa de vergonha em saber tão pouco. Mas ao mesmo tempo fiquei boquiaberta com a sabedoria daquele menino de apenas 11 anos que não tem acesso à internet, quiçá televisão e que, para chegar à escola, anda quilômetros.

 

A simplicidade, a inocência e a malícia doce de quem vive assim são, sem dúvida, fascinantes. Creio que eu tenha até uma certa inveja dos caipiras que se alimentam de tudo o que há em volta do sítio, acordam ouvindo passarinho, dormem ouvindo grilos e pensam na vida mastigando um talo de capim. E quando há festa, nada de colocar um CD. Fazem uma roda ao som da viola, isso sim. Se para muitos isso é uma vida besta, pra mim é encontrar Jesus.

 

Ao rever, depois de milhões de anos, “A Marvada Carne”, percebo o quanto certas riquezas se perdem no mundo mesquinho que a gente vive. Perdemos a simplicidade e nos rendemos à tal da globalização. Mas eu não quero filosofar sobre isso e muito menos propor uma reflexão sobre o filme, sua influência, o folclore, a cultura popular e a sua compreensão linguística. E cá entre nós, eu não conseguiria viver sem a Internet, o DVD, o microondas, a TV a cabo, etc. Pronto, confessei. E morro de medo do curupira.

 

Mas eu me diverti um bocado com o filme e com o Nhô Quim que busca os seus sonhos ao lado de um cachorro e de uma cabra de estimação. Eu havia esquecido o quanto é hilário o diálogo do personagem de Fernanda Torres com o Santo Antônio. É aquela linguagem regional, da roça, que encanta. Ela diz para o santo, após encontrar Nhô Quim: “Gradecida, meu santinho. Gradecida por tudo que me arranjado. Gradecida pelo marido que me arranjado. Bom, é bem verdade que eu tinha lhe pedido um mocetão danado de bonito e sacudido, não é mesmo? Esse Quim aí que ocê… Não, esse Quim é um pombinho! Gradecida, meu santinho. Estou muito feliz com tudo. Muito obrigada. Gradecida, gradecida, gradecida, gradecida e gradecida.”

 

Tem coisa melhor do que “gradecida”, “mocetão sacudido” e “Pombinho” ? Ara, tem não, sô.

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A quem me tirou

Caro(a) amigo(a)-secreto (a),

Escrevo para lhe pedir uma gentileza: não compre algo diferente das opções que inseri na lista de presentes. Não é por mal. Até porque, por eu não ter a mínima idéia de quem seja você, eu não posso julgá-lo(a). Talvez você tenha uma idéia melhor do que a minha, talvez você me dê de presente algo que eu goste mais do que tudo, talvez você possa me surpreender. Pois é, mas o tal do surpreender nem sempre, veja bem, nem sempre é positivo. É aí que mora o perigo. E eu não gosto muito de surpresas do tipo amarga.

Você bem sabe. Eu sempre digo lá na agência que eu sou do mal, que as pessoas devem tomar cuidado comigo, que eu sou assim porque o mundo é agressivo e que as pessoas precisam se adaptar. Para quê se arriscar, então? Ta lá, é fácil. É assim: basta entrar na rede e clicar duas vezes no arquivo “lista amigo-secreto 2008”. Ao avistar o meu nome, tchanããããã: lá estarão as três opções – todas respeitando o valor estipulado. É só comprar uma das três e entregar no dia 12. Fácil, né? OU QUER QUE EU DESENHE?

As razões pelas minhas escolhas são:

Opção 1: DVD – Um beijo Roubado –  Wong Kar-Wai

Uma das mensagens do filme diz que o adeus nem sempre significa o fim e que não há como dizer adeus a alguém que você não imagina viver sem. É lindo e o resumo de tudo é o que está no trailler.

 

Opção 2: Livro – Tudo o que eu queria te dizer – Martha Medeiros

É o tipo do livro que me faz pensar: por que é que eu não pensei em escrever algo assim antes? De acordo com a Editora Objetiva: O que você sempre quis dizer a alguém – e nunca teve coragem? O que precisa falar de uma vez por todas – mas desiste, espera, até chegar o momento mais apropriado? Em Tudo que Eu Queria te Dizer, Martha Medeiros encarna personagens que assinam cartas reais, trágicas, por vezes cômicas, devastadas por sua dor. Em comum, as personagens deste livro têm a verdade de quem atravessa um ponto de virada em suas vidas e resolve colocar as cartas na mesa. Como a filha que relata a emoção de ser mãe à avô ausente, o jovem motorista que escreve à mãe do amigo morto num acidente de automóvel, ou a viúva saudosa que se dirige ao marido morto. Perdão, vingança, alívio, um pouco de nós está em cada uma dessas vozes, que expressam através de cartas uma confissão ou o exorcismo de nossos demônios.

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Opção 3: Livro – É claro que você sabe do que estou falando – Miranda July

A sinopse do livro chamou a minha atenção, mas a forma que Miranda July divulgou o livro foi sensacional e motivou ainda mais a minha decisão. Ela escreveu mensagens no topo de sua geladeira, fotografou e veiculou, de maneira excêntrica, no site No One Belongs Here More Than You (http://noonebelongsheremorethanyou.com/). Quando eu crescer, quero fazer algo tão excêntrico quanto.

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O livro tem textos bem originais. Em uma matéria, li que o conto “A Equipe de Natação” relata o trabalho de uma jovem, ex-nadadora, que resolve ensinar um grupo de idosos a nadar. O toque de esquisitice é que as aulas acontecem em uma cozinha, já que não há piscina ou mar por perto. Quatro tigelas de água morna e salgada colocadas no chão preenchem as condições nem tão ideais assim para a prática de respiração submersa. Ninguém reclama, nem questiona o bizarro que é estar deitado no chão da cozinha, batendo pernas e braços, enquanto mergulha a cabeça na pequena tigela. E aí está o charme da escrita. O estranho e o banal surgem como opção primeira, talvez única, de encontro dos personagens com as pequenas alegrias da vida, as únicas capazes de salvá-los da loucura de uma rotina sem graça.

Abaixo, um trecho do livro:
“…está com raiva? soque uma almofada. adiantou? não muito. nos dias de hoje as pessoas estão com raiva demais pra socar. você deveria tentar apunhalar. pegue uma almofada velha e a coloque na grama em frente à casa. apunhale-a com uma grande faca pontuda. de novo, de novo e de novo. apunhale com força suficiente para que a ponta da faca entre na terra.”

E para completar, a Fê Vicentini (a mocinha que tem tórax de superman, coração de poeta e que é da Federação Russa) me falou hoje sobre um curta produzido por Miranda que é simplesmente o máximo: “Are you anybody’s favorite person”?

                   Ela é ou não é fascinante?

 

 

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A mais nova

Ser caçula divide opiniões. Mas, senhores, eu digo com propriedade que eu nunca vi vantagem nisso. Os mais velhos sempre vêm com a lenga-lenga que são os mais sofridos, que graças a eles é que os caçulas não tiveram que implorar para chegar mais tarde em casa depois do bailinho e blá blá blá. Os do meio são os mais chatos com essa conversinha baseada no tal do recheio – que é sempre mais gostoso e mais desejado. E eu tenho que aturar até hoje o jargão: “essa aqui é a minha caçulinha, a minha raspa de tacho”. Pfffff! Pode?

 

Confiança zero

 

Para começar: eu sempre fui café com leite em todas as brincadeiras. TODAS, eu disse. Ou seja, mesmo que a minha capacidade pudesse surpreender meus irmãos e os nossos amigos (mais velhos do que eu, lógico), ninguém botava fé em mim.

 

Roupas Novas? Há há há

 

Minha mãe conta que, um dia, ao voltar do shopping com a minha irmã, ela entrou em pânico ao ter se dado conta que não havia comprado nada para mim. Na porta de casa, ficaram ensaiando horas o que diriam para a caçulinha etc e tal. Ao se deparar comigo, minha mãe começou o diálogo já se desculpando. A minha reação? “Você não comprou uma única peça para mim? Graças a Deus! O meu armário está cheio de roupas que eram da Adri e agora sei que vai explodir. Não quero nada, não”. Não, eu não era boazinha. Eu era uma tonta que não se ligava que tudo o que eu herdava eram roupas da irmã mais velha. Nada novo. Agora, nem adianta Dri você vir com o papo de que você sempre foi cuidadosa com as roupas. Não eram novas, humpft!!!!

 

À espera. De um milagre.

 

Quando os meus irmãos mais velhos faziam inglês, eu tinha que ficar no carro com a minha mãe durante uma hora, três vezes por semana, esperando o fim da aula. Por que? Por que eu ainda era muito nova e a escola não tinha um curso para mim. Porque eu era muito nova para ficar em casa sozinha. E eu era muito nova para ter que agüentar as conversas da minha mãe com a amiga dela – que não irei lembrar o nome nem a pau. As duas falavam sem parar dentro do carro. E a mulher vivia se gabando de suas três filhas: Márcia Maria, Andréa Maria e Paula Maria. Pffff! Saco. Eu odiava parte das segundas, quartas e sextas.

 

Vantagens. Hã?

 

É lenda esse papo de que caçula é cheio das vantagens. Não é não! É assim: por que eu não posso ir na matinê? Porque você é ainda muito nova! Mas a minha irmã vai, por que eu não posso? Por que ela é mais velha e já é mocinha. Mas na hora de lavar a louça, eu tinha que ouvir que eu já era bem grandinha para ajudar nos serviços de casa. Sei, sei. Depois a gente não sabe por que a gente cresce deste jeito.

 

Caçula, porém nada tonta.

 

Nenhum de nós três foi do tipo de criança que se joga no chão aos berros e bate com os punhos e os pés no piso. Sorte a nossa e a dos nossos dentes. Sêo Filiberto e dona Idalina certamente teriam nos linchado fosse qual fosse o local. E fosse a mais velha, o do meio ou a caçulinha. Pois então, se eu realmente me sentisse tão privilegiada como diziam que eu era, vocês não acham que eu não teria feito isso quando eu quis um pogobol? Não, eu sempre tive amor à vida e nunca tive curiosidade em saber o que seria de mim se eu desafiasse o italianinho e a dona portuguesa fazendo escândalos como esse.

 

Pega pra capar!

 

Quando a gente brigava, obviamente eu não tinha vantagem alguma. E nessas horas eu não era café com leite, não! Com a minha irmã, era quase um vale tudo: valia mordida, puxão de cabelo e cravar a unha. Até o dia em que ela descobriu o meu fraco: estalar os dedos dos meus pés. Sinto uma dor tão absurda que, mesmo hoje, não suporto que peguem nos dedos dos meus pés. Mesmo que seja para fazer uma simples massagem. Quer me ver pedir trégua ou perdão? Já sabe: é só pegar no meu pé. Literalmente. Já a briga com o meu irmão era ridícula. Na maioria das vezes ele se livrava de mim com um simples empurrão ou segurando a minha cabeça. Imbecil! E pensa que a caçulinha aqui tinha vantagem na hora de a dona Idalina aparecer? Ela não queria saber quem tinha começado. Sacava o seu chinelo havaiana – as legítimas! Aquela que não deforma, não solta as tiras e não tem cheiro! E esquentava a bunda de cada um. E não era uma palmadinha só não. Eram várias, pois ela tinha uma mania terrível de dar cada chinelada ao som de cada sílaba. Algo do tipo: Eu – já – não – fa- lei – que – eu – não – que- ro – sa-ber – de – bri –ga? Agora distribua uma chinelada para cada sílaba. E cadê que a caçula aqui saía ilesa? Nã nã ni nã nã. A portuguesa não queria saber quem tinha razão.

 

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                                                Olha a danada aí!

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Eu, heim!

Eu estou sem tempo para me dedicar aqui. E não gosto disso.
Também não gosto de usar imagens e não discorrer sobre o que passa nessa cabeça aqui. Mas eu não posso deixar de dividir a notícia de hoje. Nem deixar de desabafar sobre o assunto.

Juro que não é orgulho nem dor de cotovelo, mas eu prefiro os meus 147,5 cm (e sabe lá Deus quanto de perna eu tenho). Entre ser algo esquisito que sou e um ser nada convencional…eu prefiro ser euzinha. Bem, eu sei que sou algo nada convencional. Algo “excêntrico”. Fui e sempre sou motivo de piada. Mas, antes ser pintora de rodapé, chaveiro para retrovisor e playmobill do que…bem, vejam só:

Mulher com as maiores pernas do mundo prestigia evento do livro dos recordes

Do G1, com informações da Associated Press
Svetlana Pankratova compareceu a evento do ‘Guinness’ nos EUA. Russa tem 1,96 m de altura, e pernas de 1,32 m de comprimento.

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Pelas barbas do profeta, isso aí só pode ser um poste!

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