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Archive for fevereiro \24\UTC 2009

Paulo, o poema.

Uma boa história. Quem é que nunca gostou de ouvir boas histórias, seja na hora de dormir ou num lugar qualquer na companhia de amigos ou até mesmo na companhia de uma boa companhia? Boas histórias são sempre boas histórias. Porém, há pessoas que sabem contá-las de uma forma única e de uma forma que nos prende tanto a atenção que, por um segundo, é fácil achar que fomos enfeitiçados. Ficamos com aquela cara abobalhada, perplexos, imóveis.

Tivemos alguém assim aqui no Brasil. Ele não só era incrivelmente encantador como me fascinava quando contava todas aquelas histórias e declamava todos aqueles poemas.  Não há e não houve ninguém como ele. E dificilmente haverá. Ele contextualizava e dava forma às poesias deixando qualquer um completamente entorpecido. Um simples conto ganhava facilmente cor, sabor, imagens e graciosidade.

A sua interpretação por vezes me acalmava e por vezes me arrancava um sorriso. Muitas vezes me deixava com a voz embargada e um nó na garganta. E por centenas de vezes, os poemas e contos lidos por ele faziam carinho na minha alma.

Alguns eram interpretados de uma maneira tão profunda que não tinha como não pensar que aquilo era um tapa ríspido para a gente acordar para a vida. É tão deliciosa a forma que ele conta e lê tudo aquilo, que a gente passa a achar que tudo é muito simples. Vai ver que é porque o segredo de tudo nessa vida é a simplicidade. Não sei onde ouvi, mas alguém um dia disse que o Paulo Autran não lia poemas, ele virava o poema. Uma frase simples assim diz com toda a simplicidade do mundo a verdade das verdades.

Hoje me deu uma saudade de ouvir aquelas histórias contadas por você, Paulo, que eu corri para o computador, baixei a maioria delas e saboreei cada uma das crônicas, contos, sonetos e poesias interpretadas por você. Todas aquietaram o meu espírito e fizeram cócegas nessa minha véspera de quarta-feira de cinzas.

Para você, desse mundão verde e amarelo, compartilho Cecília Meirelles e Fernando Pessoa por Paulo Autran.  

Quem não conseguir visualizar os vídeos abaixo, basta clicar aqui para ouvir Retrato, de Cecília Meirelles) e aqui para ouvir Poema em Linha reta, de Fernando Pessoa)

 

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Reflexos de um poeta

Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica … Que a importância de uma coisa há de ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.

_ Manoel de Barros _

Ouvi outro dia que às vezes certas pessoas são como um espelho e servem para  nos definir ou nos dizer quem somos. E concluo que cada reflexo me faz gostar um pouco mais de mim.

Eu quis voltar lá para saber o que eu iria sentir ou até mesmo para sentir novamente aquilo tudo. Vi uma mulher tentando resgatar algo que nem ela sabia. Teria sido para resgatar aquela garota? Teria sido para resgatá-lo? Teria sido para resgatar aquilo que gostariam de ter sido? Ainda não sei e talvez eu morra sem saber o que fazíamos lá. Só sei que você foi um dos meus melhores espelhos.

Obrigada é tudo o que eu posso dizer, apesar de querer dizer muito mais. Obrigada por você ter olhado para mim de uma forma que eu nem sei se eu merecia. Obrigada por ter refletido o meu melhor.

P.S. Havia escrito algo no P.S. que você iria gostar (assim sinto e acredito). Porém, achei que o melhor seria omitir certas palavras. Isso foi um conselho dado pela dona razão, embora eu concorde muito com Manoel de Barros: “não gosto de dar confiança para a razão. Ela diminui a poesia”.

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TPM. Não se aproxime

Tépida. Foi essa a palavra que aprendi hoje durante a leitura de uma nota chata publicada na seção de economia que falava sobre a crise financeira. A língua portuguesa me surpreende. Ou será eu quem surpreendo as pessoas por não saber que tépido é o mesmo que morno/cálido? Nem aí para quem acha a segunda opção. Dou de ombros e sou capaz de mostrar a língua desdenhando de tudo e de todos.

…Engraçado conhecer a palavra tépida em uma semana como essa. Os dias se arrastam e o meu (mau) humor oscila entre a estupidez, a rispidez, a amargura, a intolerância e a impaciência. Além de oscilar dessa forma, fazendo com que eu tenha características de uma serial killer, o humor está atrelado a uma sensibilidade extrema. Sim, serial killers também choram, acreditem.

Quem me conhece sabe que eu não sou um poço de paciência, mas nem eu estou me aguentando e nem os florais do sr. Bach estão funcionando. Tento mentalizar o tal manto azul e repetir mentalmente “sai desse corpo que não te pertence”, mas os nervos estão à flor da pele. Tenho medo de mim. Quando sai tudo nos conformes, penso “era só o que me faltava isso aí não sair do jeito que eu esperava” e quando a coisa desanda eu tenho vontade de ser uma mulher-bomba, abraçar o meu alvo e dizer “que Alá nos abençoe!”.

TPM minha gente, TPM. Esse troço aí que ocorre religiosamente a cada mês tira qualquer mulher do eixo. É, sem dúvida, o mais terrível, o demônio absoluto. Há pouco acabei de me deparar com aquelas mosquinhas que existem apenas em banheiros. O meu instinto assassino fez com que eu exterminasse por completo aquele inseto cretino. Não sobrou nada. Lembro-me apenas de olhá-la com súbito traço de cólera e esmurrá-la furiosamente com uma áspera descompostura. Eu estava tomada de dubiedades, porque não sabia se eu devia assassinar rapidamente a mosca ou torturá-la vagarosamente.

Eu preciso de mais florais. Eu preciso ter à minha disposição um daqueles sacos utilizados por boxeadores. Eu preciso que essa semana acabe. Eu preciso de um padre.

Para entender, veja o vídeo abaixo ou clique aqui.

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Eu fico bem aborrecida quando ainda ouço que o Brasil é apenas o país do futebol, do Rio de Janeiro e do carnaval. Os dois últimos são lidos como “bundas”. Todo esse meu recentimento não tem nada a ver com o fato de eu ser uma branquela reta no país das mulatas cheias de gingado (lê-se novamente bundas) e de glúteos vantajosos (lê-se bundas astronômicas, hoje em dia mais conhecida por causa da mulher melancia, por exemplo).

Obviamente que, mesmo não tendo o tal do gingado – nem mesmo nos pés – o meu coração bate de maneira diferente quando ouve qualquer bateria de escola de samba. Lembro que, há algum tempo, fui a um ensaio da Rosas de Ouro e quando o moço gritou “alôuuuuu comunidadeeeeee” e a bateria passou por mim, senti uma adrenalina fora do comum e o meu corpo arrepiar por completo. Foi impossível não sentir orgulho de fazer parte de uma nação que tem o samba como uma de suas tradições. Foi impossível não sentir orgulho de ser brasileira. É só nessa terra que tem isso, minha gente!

Mas, além da banalização, há uma parte chata pra burro que rola na época do carnaval: a programação da tv e aqueles slogans tolos repetidos insistentemente por todos os jornalistas. “Rede TV no carnaval do Brasil!”, “é a rede Globo no carnaval 2009!”, “é a Band na folia de Salvador!” “é a puta que o pariu com os melhores flashs do carnaval”…

Claro que toda essa amargura tem a ver com a frustração de eu nunca ter ido ao carnaval de Salvador e pelo simples fato de não haver mais carnaval de rua. Hoje, para achar algo do gênero, é preciso ser fera em pesquisas na internet, porque esse tipo de carnaval deixou de ser comum há muito tempo. Lá na rua da casa de praia da Vivi tinha o carnaval de rua. Era o máximo! Eu gostava tanto que em 1992 cheguei a ganhar o troféu “Foliã do Carnaval”.

Lá em Águas de S.Pedro, interior de S.Paulo, também havia carnavais tão divertidos que se tornaram inesquecíveis. Foi lá que eu curti alguns carnavais fantasiada de indiazinha e de odalisca. Era lá que eu me esbaldava, ao lado dos meus irmãos, jogando para o alto (ou na cara deles) serpentina e confete. E no início dos anos 80 até o finzinho dele, os nossos reveillons eram comemorados com músicas de carnavais. O Tio Francisco bebia até cair, mas antes disso, rodava a minha irmã enquanto tentava cantar “Loirinha, loirinha… dos olhos claros de cristais….desta vez em vez da moreninha, serás a rainha do meu carnaval!…”. Saudade disso tudo aí e daquela folia com gosto de infância.

E, em minha homenagem, escrevo versos de algumas músicas que dançávamos nos carnavais dos nossos reveillons:

Mulata bossa nova, caiu no hully gully…..ihhhhh, só dá ela….êêêê êêêê êêêê na passarela!

Lata d´água na cabeeeeçaaaa, lá vai Mariaaaa, lá vai Mariaaaaaa…sobe o morro e não se cansa, pela mão leva a criança, lá vai Mariaaaaa

Ó jardineira porque estás tão triste, mas o que foi que te aconteceu? Foi a Camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu…

Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim, ó meu bem não faz assim comigo não, você tem, você tem que me dar seu coração!

O teu cabelo não nega mulata, porque és mulata na cor…mas como a cor não pega mulata, mulata quero o teu amor!

Eu quero é botaaaaaaarrrr, o meu bloco na ruuuuuuuuaaaaaaa…Gingaaaaa, pra dar e vender.

Linda morena, moreeeena, morena que me faz penar. A lua cheia, que tanto brilha, não brilha tanto quanto o seu olhar.

Lá lá láiááááá, lá lá lá lá lá lá….quero de novo cantar….tristeza, por favor, vai embora, minha alma que chora….está vendo o meu fim…

Se você fosse sincera, ôôôôô, Aurora! Veja só que bom que era, ôôôô, Aurora!!!

As águas vão rolar! Garrafa cheia eu não quero ver sobrar, eu passo a mão no saca, saca saca-rolha

Chiquita bacana lá da Martinica, se veste com a casca de banana nanica, não usa vestido, não usa calção, inverno pra ela é pleno verão!

Quem parte leva saudade, de alguem que ficou chorando de dor, por isso não quero lembrar quando partiu meu grande amor…ai ai ai ai ai ai, tá chegando a hora…o dia já vem raiando meu bem…eu tenho que ir embora!

 

carnaval-2007-052-1

Atualmente em Águas há, além de confete e serpentina, guerrinha de espuma!                                                    Na foto, estou de mulher-gato. hahahahaha

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Uma delas tinha medo de mim, a outra me pegou no flagra bufando quando a turma dela repetia insistentemente um refrão chato pra burro de uma música chata pra cacete e, diferentemente dessas duas, a última chegou de mansinho, com um sorriso tímido no meio de um turbilhão de coisas que aconteciam lá na agência e também na minha vida. Essas são Franda (Fê), Peepe e Annita, algumas das peças raras que fazem parte de pelo menos 9 horas do meu dia a dia.

A Peepe, ou Srta. Basile, é uma figura. Quando um de nós, “lá do fundão”, passa por alguma situação como um fora, uma gafe ou algo do gênero, ela imita, como ninguém, o Plancton batendo palmas. A Peepe tem a capacidade de fazer isso da maneira mais séria do mundo, o que faz com que a gente caia na gargalhada até doer a barriga e o maxilar. Para os desavisados: Plancton é um dos personagens mais amargos da turma do Bob Esponja. Ela, que já levou para a sua cidade o famoso “vivaaaaaa!!”, tem trejeitos tão típicos e únicos que arrancariam aplausos de muitos diretores e produtores teatrais. Quando está indignada, faz uns movimentos engraçados com as mãos fazendo juz ao sobrenome italiano. Qualquer dia desses, por motivos que não vêm ao caso, vai dar uma surra em sua nutricionista.

Para falar sobre a Srta. Vicentini, ou Franda (Fê), vou repetir o que escrevi a ela. Ela é a mocinha que tinha medo de mim. Depois de um vivaaaaa que gritei, minha máscara caiu. E aí, num outro dia, bem escuro pra mim, ela veio em minha direção, me deu um abraço acolhedor e disse: eu sei que dor é essa. A história dela me emociona. O jeito dela também. Ela é tão fascinante e encantadora que neste post haverá o telejornal poético feito por ela e seus amigos da faculdade. Isso tudo para mostrar o quanto eu não estou exagerando. Como eu disse pra Srta. Vicentini, ela é alguém que a gente quer roubar e não devolver nunca mais. Ah sim, ela tem torax de superman, coração de poeta e idade mental de uma garota de, no máximo, 4 anos.

Srta. Lementy é Annita, a minha bicha-besta. Divide tanta coisa comigo que dificilmente eu conseguiria enumerar. Além de atendermos a mesma conta, viemos para este mundo (em épocas diferentes, eu sei) orientadas pelo mesmo anjo torto. Torto mesmo, acreditem. Isso explica o porque de muitos por quês. Explica a razão de sermos assim: cheias de gafes, choronas, destranbrelhadas, doidas…enfim. Digamos que somos “diferentes”. Batizamos o anjo, que nos mostrou o caminho para essa vida, de Téo. Concluímosque o nome tem o som de muitos arcanjos como Gabriel, Rafael, Miguel etc, porém, por ele ser o tal do torto, mereceu um nome que não termina em “el” e ainda por cima não possui a letra “h” como a maioria dos Theos. Ela cantarola comigo as músicas do Ritchie (com paixão na voz!) e divide comigo os troféus “amargura” e “maldade” . Bem, não somos as únicas, humpft! Srtas. Basile e Vicentini, assim como o povo do fundão, também não ficam para trás. Os troféus têm uma boa rotatividade.

Basile, Lementy e Vicentini são divertidíssimas, competentíssimas, guerreiras e amam saraus, discussões políticas, cinema europeu, música popular brasileira e samba de raiz, por exemplo. São companhias como essas que tenho o privilégio de ter em meu cotidiano. As três são pura sensibilidade, respiram e exalam poesia e essa essência pode ser conferida no blog de cada uma delas. Passa lá:

Srta. Basile: http://esteticadosonho.blogspot.com

Srta. Lementy: http://nadaprofissional.blogspot.com

Srta. Vicentini: http://tiruliru.blogspot.com

O telejornal poético pode ser visto clicando no vídeo abaixo ou acessando o seguinte link: http://video.google.com/videoplay?docid=7671925803219548517

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Dolce far niente

Há uma semana tenho feito aquilo tudo que há muito eu queria fazer: assistir TV até altas horas, acordar sempre depois das 10h, e muitas vezes  perto do meio dia, não ter hora para almoçar e não pensar em nada, absolutamente nada, no quesito “área profissional”. Nadica de nada! E o mais batuta de tudo isso foi optar por fazer as coisas mais banais, como a que fiz na última terça-feira:  me mandei para o cinema e comprei ingresso para a seção das 14h40. 14h40! 14h40 de uma terça-feira qualquer. Não fazia isso desde a época do colegial e concluo que não há nada melhor do que as férias.

No meio disso tudo, eu fui a médicos, que me viraram do avesso, e também procurei por cursos. Encontrei uma escola perto de casa que oferece o básico do corte e costura, porém achei que eu estava viajando demais e, portanto, decidi por um MBA. Não, o MBA não é em corte e costura, mas sim em uma área que desejo atuar.  Bem, até porque, não há espaço para uma máquina de costura aqui em casa e não há vontade (ainda) em se pendurar uma plaquinha na porta com os dizeres:  “Costura e reformas em geral. Barras, bainhas e ajustes”. Se bem que não seria uma má idéia…Who knows?

Além de “reviver” as seções de cinema no meio de uma tarde qualquer, vou tirar alguns dias para ir à praia. E a viagem também será feita de uma forma que eu não fazia desde o tempo do colegial: de ônibus. Não vejo a hora, porque acho que vai ser divertido, mesmo com a parte chata da serra, em que o meu ouvido certamente irá tapar. Pena que eu não tenho mais o meu walkman. Ele era branco e tinha vindo do Paraguay. Eu queria mesmo era aquele amarelo, que vinha dos “states”, mas não vou negar, não. Aquele walkman branco era tudo na vida de quem queria dormir ouvindo música e viajar ouvindo fitas cassetes.

Pena que ao chegar na praia, não encontrarei os meus primos, mas acho que vou pedir para a minha mãe fazer pão com mortadela e comprar tang só para homenagear os velhos tempos. O que eu não vou ter coragem é de ir à praia carregando, toda orgulhosa, uma prancha de isopor. Aliás, talvez não seja nem pela vergonha, mas sim porque a prancha foi motivo de eu ter me perdido na praia quando eu era bem nova. Eu costumava carregar a prancha na cabeça e seguir o meu pai pela cor do calção. Sei que isso não era nada inteligente, até porque vermelho nunca foi uma cor incomum. Mas inteligente não foi o meu pai, que seguia algumas bundas por aí ao invés de tomar conta de mim. Humpft!

Pena que depois disso, voltarei para a realidade. Pena que tirei poucos dias, mas suficientes para pegar um fôlego e enfrentar 2009. Que venham os desafios. Mas antes disso, vou às compras! Quem é que nunca gostou de comprar material escolar?!

Em tempo: é muito ridículo eu ter um estojo com canetas coloridas? Imaginei uma bic quatro cores ou aquelas canetas com cheirinho…será que eu posso ter um estojo com tudo isso? E se eu encapasse o meu caderno com plástico quadriculado vermelho e colocasse uma etiqueta com os os meus dados? Hum…não, né? Tá, ok. Saco! Mas durante as aulas eu vou trocar bilhetes com a Tânia, minha amiga. E não quero nem saber!!!!

 

walkman

Era esse daí que eu queria.

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