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Archive for maio \26\UTC 2009

Maçarico neles!

Queridos mocinhos que nos paqueram no trânsito do jeito mais cretino que existe,

Eu tento imaginar o que teria ocorrido com vocês durante a infância. Aposto que foi terrível, não? Vamos, não fiquem com medo, não vou fazer nada, juro. ATÉ PORQUE EU NÃO ANOTEI A PLACA DE VOCÊS, SEUS CARAS DE MAMÃO! Pausa importante: tenho refletido bastante quanto à quantidade de palavrões que solto e, portanto, cara de mamão tem sido o meu favorito para algo do tipo: ~&*zão do @#!alho.

Bem, o fato é que o trânsito dessa cidade não é fácil pra ninguém, certo? Agora imagine o quanto não fica mais insuportável quando cruzamos com rapazes que olham para os nossos rostos e fazem aquele gesto demoníaco com a língua. Não, não é bacana, seus infelizes! Eu tive muita vontade de vomitar dentro do carro prata do rapazinho que fez isso hoje pra mim em plena 23 de maio. Aposto que ele deve ser aqueles idiotas que na hora do vamos ver querem mostrar serviço (quantidade). Sua besta-quadrada, nós mulheres não gostamos de homens que bancam o nelore puro reprodutor, humpft!

Você deve ser do tipo que chama uma mulher de doçura ou de princesa achando que está arrasando. Deve ter a unha do dedo mindinho enorme e ter orgulho dessa coisa nojenta que, para você, deve ser utilizada para coçar o ouvido. Você deve ser daqueles que daqueles que devem mastigar palito de dente e pausá-lo no canto da boca. Estou com muita vontade de bater em você, rapazinho do carro prata. Torça para eu não encontrá-lo. Torça para eu não andar com um maçarico no meu carro. E aprenda com o mocinho que outro dia deu uma piscada pra mim e um sorriso de canto. Esse aí, sim, soube arrancar um sorriso meu. E não foi um sorriso de canto. Rá! Atirem a primeira bolinha de gude quem se renderia a um gesto como esse.

Quem concorda em fazer algo igualzinho à cena abaixo aos mocinhos maleducados, põe o dedo aquiiiiiii, que já vai fechaaaaaaar! Quem não conseguir visualizar, clique aqui.

 

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Debutante

Já faz tempo que fiz 15 anos, mas lembro o quanto eu fui chata em função de todos aqueles problemas existenciais e típicos dessa idade pentelha em que o normal é odiar a mãe. Eu tenho vontade de voltar nessa época só para dar umas bordoadas na minha cara e dizer: “como você é pedante, garotinha chaaaaata!”. Pior do que a vergonha de ter sido aquela adolescentezinha é o castigo de hoje: amargar saudades dolorosas da dona Idalina, que está na cidade do mar azul matando o tempo com caminhadas no calçadão, ao lado do Johnny-o-cão-mais-feliz-do-mundo.

Outro castigo: como a dona chata, sempre fiz pouco sobre o que falavam quanto à “vida teen”. Me diziam: “Aproveita! O tempo voa tão depressa que você nem vê!”. Dito e feito! Quando vi, 15 anos voaram e eu tava lá, com 30, casada, cheia das responsabilidades, contabilizando algumas conquistas e sustos.

Há 15 anos, eu então com 19, curtia a vida num parque de diversões, conversava com um poeta, ouvia Oswaldão e falava sobre livros. Foi com essa idade que despertei muito do que sou ou do que ainda sinto.  Faz tempo, mas certas épocas não parecem ter toda essa distância.  Amargo saudades e há muito não falo com o tal poeta que me ensinou, entre milhares de coisas, que o tempo nem sempre apaga aquilo que se julga ser passageiro. Se eu o encontrasse, eu faria a pergunta que a tonta da garota de 19 anos não fez: como driblar aquilo que o tempo não leva? E como não se assustar com fatos que permanecem presentes mesmo depois de 15 anos?

Trecho de “Lavoura Arcaica” – o livro da vez que trouxe algumas respostas  

“O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor. Embora, inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento. Sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza. Não tem começo, não tem fim…Rico não é o homem que coleciona e se pesa num amontoado de moedas, nem aquele devasso que estende as mãos e braços em terras largas. Rico só é o homem que aprendeu ,piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não se rebelando contra o seu curso, não irritando sua corrente, estando atento ao seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não sua ira. O equilíbrio da vida está essencialmente neste bem supremo. E quem souber com acerto a quantidade de vagar com a de espera que deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é. Aquele que exorbita no uso do tempo dá a justa natureza das coisas. Só a justa medida do tempo, dá a justa  natureza das coisas…”

(Raduan Nassar – o meu atual poeta)

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