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Archive for junho \22\UTC 2009

Nem Freud ME explica

Xeretar certos lugares do armário pode render surpresas. Encontrei uma caixa cheia de cartas, bilhetes e recordações que eu não tinha a menor idéia dos tesouros que escondi ali.

Um deles me fez reviver momentos particularmente especiais. Encontrei os diários que escrevi entre 1985 e 1987, período em que decidi eternizar os maiores segredos daquela garota que fui. E fiquei extremamente chocada ao tomar conhecimento sobre certas peculiaridades da dona Del Monaco aqui, na época com 10, 11 e 12 anos.

Claro que antes de me chocar, eu não imaginava o quanto eu seria presenteada com o ouro que eu mesma guardei naqueles caderninhos trancafiados por cadeados laterais. Claro que tive que arrebentá-los porque as chaves devem estar na mesma dimensão das minhas canetas bics e das minhas tupperwares.

Lá estavam os ingressos do Holiday on Ice, os papéis das matrículas feitas na escola de Teatro Opus-alguma-coisa e na escola de dança “Cleuza Marinho”, onde fiz jazz por causa dos filmes Dirty Dancing e Flashdance. Aliás, eu já falei sobre esse meu antigo objetivo de vida bem aqui. Também havia os convites dos bailinhos realizados na casa do William, um correio elegante que recebi do Serginho (um menino da rua de cima que eu era toda apaixonada), a letra de música da Bonnie Tyler, “Total eclipse of the heart”, penas dos passarinhos que minha mãe havia comprado (!), entre outras coisas assustadoras, como o mapa do tesouro que desenhei após ter visto Os Goonies. Além disso, encontrei o bilhete que o Alex escreveu me pedindo em namoro. É hilária e vale um texto, que prometo postar em breve.

Engraçado foi também o que escrevi sobre a Copa de 86. Eu descrevo toda a minha frustração sobre a derrota do Brasil e termino dizendo enfática: “Tive vontade de dar uma surra no Zico”.

Puxa, eu já tinha uma certa agressividade aos 12 anos, não? E era metida a ponto de opinar sobre futebol. Hã? E o discurso era tão hipócrita que, duas linhas depois, eu mudo completamente de assunto e digo que fui brincar na casa de não sei quem. Eu havia acabado de escrever que a derrota havia me deixado extremamente triste, para depois dizer que eu fui brincar???? Como assim?

O que mais me surpreendeu foi o texto em que eu confesso ter cabulado aula de inglês. Eu começo a dizer que eu fiz algo muito, muito feio naquele dia, algo que eu nunca havia imaginado fazer.  Porém, a mocinha com 12 anos justifica-se da seguinte forma: “tive que cabular. Eu não fiz a lição do inglês. A professora ia me esganar!”. E atenção, senhoras e senhores, para onde dona Paola Del Monaco foi? Hã? Hã? Hã?  

“…Diário, fiquei com tanto medo….fui para a Biblioteca Municipal…”. Oi?

Agora digam se a loser aqui não é uma loser?

Bicho, tanto lugar em que a galera costuma ir quando cabula. Por que eu não fui ao cinema? Para o parque? Para o shopping?

Por que eu fui à Biblioteca, Santo Deus?

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Resumo da ópera

É numa dinâmica de contradições insanas e vontades discordantes que os meus dias se dispõem.

Difícil.

E a semana mal começou.

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