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Archive for novembro \22\UTC 2009

Pronto, falei!

Eu já escrevi aqui qualquer coisa sobre a minha mania em ler horóscopo. Não só gosto como concordo com o sêo Quiroga quando ele fala as coisas mais certeiras do mundo em relação ao meu momento ou ao meu dia. E hoje o bicho falou diretamente comigo. Só não escreveu “Prezada Paola” porque ele é todo misterioso e esse é o seu jeito em mandar recado para mim. Mas se ele fosse mais explícito, escreveria pra mim “viu só, mocinha, como eu sei o que vc. pensa e/ou sente?”.

Não posso nem contestar. Tenho mesmo que concordar, assinar embaixo e reconhecer firma quanto ao que ele escreveu hoje sobre os súditos capricornianos. Ele só não acertou como me fez até ruborizar, sorrir de um jeito bem malicioso e levar uma das mãos à boca. Como ele pode saber tanto?

Capricórnio – 22 de novembro

É evidente que na realidade concreta não se pode tanto quanto o que a imaginação propõe. Porém, que sabor teria  a vida sem esta discordância? Afinal, é a sensação de algo faltar que movimenta e engrenagem do mundo.

Momento “pronto, falei”:  Eu não vejo a hora de ler todas aquelas revistas que trazem matérias sobre “veja o que os astros prevêem para o ano de 2010”.

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A última carta

Rasgo na alma. Tapa na cara. Destino vão. Espírito despedaçado. Corpo inerte. Mente distante. Olhar apagado. Coração esmigalhado.  Ausência do chão. Invalidez.

A frieza das palavras. A história desconfigurada. O nó na garganta. A praticidade assustadora. O ônus da catástrofe. A deficiência na compreensão. A humilhação.

E for fim, os questionamentos eternos.

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Geração doentia

Foi-se o tempo que estudantes revolucionavam a história de um país de uma forma heróica que enchia de orgulho muita gente. Acabo de reler “Anos Rebeldes”, de Gilberto Braga. Estou novamente tomada por toda aquela revolução que modificou a sociedade e desafiou o regime ditatorial implementado em 1964 pelo Golpe Militar. Em 1992 Anos Rebeldes virou minissérie e a minissérie influenciou e inspirou milhares de estudantes a protestar contra Fernando Collor de Melo e a corrupção no país. Surgiram assim os caras-pintadas que marchavam nas ruas, de camiseta preta e rosto pintado de verde e amarelo, gritando “fora Collor e o FMI!”.

Me lembro desse dia. Eu nem sabia o que diabos era o FMI, mas eu e alguns amigos do colégio voamos para a Av. Paulista ávidos por mudanças e a queda do presidente. Eu pesquei tudo no trajeto do ônibus por causa de um garoto que discursava como um líder nato sobre o “tal do FMI”.  A partir daí planejávamos um Diretório Acadêmico, o fim de mídias alienadas e traçávamos a derrubada da elite burguesa capitalista. Segurei com o maior patriotismo do mundo a faixa “Impeachment!” me permitindo bradar contra roubalheiras. Os caras-pintadas viviam a liberdade de expressão, um dos maiores ideais dos estudantes de 1968. O som da manifestação dos caras-pintadas não era os de cascos de cavalos nem os das sirenes que tanto os estudantes de 68 ouviam. O som era a voz de milhares de estudantes cantando Alegria, Alegria, de Caetano Veloso.

Confesso que, ao chegar em casa, eu quis colocar os pés em uma bacia com sal e umas rodelas de pepino no rosto, porque a combinação “sol + guache” havia triturado a minha pele. Também não consegui participar nem da primeira reunião do movimento estudantil, porque não fui capaz de vencer as regras nada democráticas da dona Idalina, que ditava histericamente: “vai estudar e não discuta comigo, porque eu sou sua mãe! Não quero saber de filha minha metida em confusão”. Eu não mudei o mundo nem o sistema educacional marginalizado nem a condição precária do país. O mundo mudou e pra pior, principalmente os estudantes.

O episódio ocorrido na Uniban é algo tão inacreditável que chego a me perguntar com bastante saudosismo, e como se eu tivesse 80 anos de idade, o que aconteceu com a juventude? No dia 22 de outubro, a aluna Geisy de Arruda foi hostilizada por alunos da Uniban por ir à universidade com um vestido vermelho curto. No sábado a Uniban anunciava que a expulsão da aluna teria ocorrido por “desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.

Há 20 anos um estudante chinês emocionava o mundo se colocando a frente de um tanque de guerra, durante protesto na Praça da Paz Celestial, desafiando tropas militares. Comemorava-se também a queda do muro de Berlim. Por que, então, em pleno século 21 os jovens fizeram toda aquela manifestação na Uniban? E por que a Uniban tomou a decisão medíocre de expulsar a garota?

Estamos prestes a viver o ano de 2010 e concluo que somos um país democrático hipócrita e que continuamos com conceitos e preconceitos alienados e com aquele conservadorismo vergonhoso. A reação dos estudantes da Uniban foi uma barbárie sem tamanho. Um bando de alunos sádicos, loucos, acéfalos que repudio. Eu queria mudar o mundo, lembra? O movimento estudantil de 68 também. Ninguém conseguiu. A prova está aí, com um bando de animal que ruge por causa de uma saia curta. Geraçãozinha de merda essa. Se dependermos de suas lutas, estamos fodidos. Faço das palavras de Rosana Hermann as minhas:

“…Esses absurdos todos que vemos, esse enaltecimento de pessoas sem noção, essa paixão pelo lixo, essa fúria em massa, essa vontade de destruir, de atacar, de julgar de forma preconceituosa e cruel, são sintomas de uma sociedade doentiamente contraditória e retrógrada que inclui todos nós. …A saia era curta? Era. Mais curta ainda é a tolerância do ser humano.” Para ler o texto dela na íntegra clique aqui.

 

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Duty Free

O texto da Danuza Leão, publicado na revista Claudia deste mês, me fez pensar no quanto algumas pessoas ricas são hipócritas. Nada contra até porque, antes ser hipócrita e rica do que pobre e mentirosa. Afe! Pobreza + mentira é o apocalipse!

Amo os textos da Danuza, mas esse em questão terminou em um tom tão pedante que me deu asco e uma vontade louca de odiá-la. O texto acaba mais ou menos assim: “…ao chegar no free shop, bastam uns óculos escuros novos, uns chocolates suíços e uns creminhos para que volte a reinar a paz no meu coração. Como a vida pode ser simples”. Hãããããã?!

Longe de mim afirmar que eu não adoraria gastar doletas no free shop, me jogar nos chocolates suíços e adquirir óculos novinhos em folha, mas dizer que isso faz com que a paz volte a reinar no meu coração e finalizar com um suspiro dizendo “como a vida pode ser simples” é hipócrita demais. Este é o simples no mundo de quem nasceu em berço de ouro? Pena.

A vida pode ser simples e plenamente bela em uma praia comendo manjubinhas fritas acompanhadas por uma bebida estupidamente gelada, só para dar um exemplo em um dia especialmente quente como o de hoje. Com um calor do capeta, hoje a temperatura chegou perto dos 80 graus aqui em São Paulo. A vida pode ser simples quando encontramos pessoas extremamente queridas, divertidas e com um bom papo. Pode ser simples em casa assistindo a filmes com um balde de pipoca ou com uma barra de chocolate, não necessariamente suíço. Pode ser simples por causa do olhar- doce do seu cachorro bobo ou do olhar-demente que ele faz quando quer que você brinque com ele.

Eu poderia fazer uma lista infinita aqui, mas não é o caso. Também é preciso fazer uma ressalva: o texto da Danuza tem todo um contexto, mas me incomodou demais ela juntar a última frase com a idéia das comprinhas no free shop. Ficou pedante. Esnobe. Raso. Eu, na minha ousadia top, desabafei aqui. Este é o caso. Acho que eu queria só desabafar e dizer que eu iria me ferrar se eu tivesse que perceber que vida pode ser simples por causa de uma passadinha no free shop.

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