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Archive for dezembro \29\UTC 2009

Balanço 2009

Caro 2009,

Gostei de você, meu caro. Gostei das surpresas que você preparou pra mim, uma delas foi particularmente especial. Me pegou de surpresa, é verdade, mas depois do susto, veio a sensação de que a vida taí pra não fazer o menor sentido mesmo. 2009, portanto, é um ano para não questionar.

No balanço geral, sofri com três acontecimentos. O primeiro foi presenciar a feição de mais de 100 funcionários sendo demitidos de uma fábrica, que teve suas atividades suspensas temporariamente. Foi duro assistir àquilo bancando a profissional. Na primeira oportunidade, lembro que chorei por bastante tempo e depois percebi o quanto tal experiência havia sido rica, única e válida. Sei que vou levar até o fim dos meus dias a lição aprendida naquele lugar e ensinada por pessoas tão simples.

O pedido de demissão de uma super amiga minha também foi um fato sofrido. E dá-lhe chororô e incapacidade para aceitar e superar tal ausência. Só não foi pior, porque dá um orgulho danado de ser amiga dela. A mocinha tem assinando várias reportagens em uma das revistas mais respeitadas desse Brasil. E mesmo sendo todo esse sucesso, toda essa promessa, ela pede conselho pra mim (logo pra mim!) de como chegar no mocinho ruivo da redação. Ah, e ela também ainda dá as gafes dela, permitindo assim que sua essência, doce essência, seja mantida. Isso tudo prova o quanto ela é perfeita.

O terceiro fato foi enfrentar ao lado da Vizi um dos seus momentos mais difíceis. Foi duro não saber responder quando e se aquela dor iria passar. Duro não ter respostas para amigos, ficar com vontade de arrancar aquela angústia e não ter como, porque só o tempo, e sempre ele, ameniza, cicatriza, passa.

As surpresas boas, meu caro 2009, foram os laços que ficaram mais fortalecidos  com certas pessoas que, se antes eram amigas, hoje se tornaram irmãs ou no mínimo pessoas ainda mais especiais. O casamento da Paulinha e do Luis foi sensacional também. São duas pessoas tão queridas que felicidade é pouco a se desejar. Eles merecem mais, bem mais. Além disso, não há como não falar sobre a minha mudança na área profissional. Eu sei que não é pra questionar, mas até hoje me pergunto se realmente eu mereço uma coisa tão bacana assim.

Foi em 2009 também que ouvi uma das histórias mais lindas de toda essa vida, e foi contada por ele . Obrigada, meu querido, por eu saber que há pessoas que acordavam para buscar o dia. Essa história é uma das muitas que levo para a minha vida inteira, porque prova o quanto a vida é deliciosamente boa e válida.

Quanto a 2010…bem, tô com medo da cirurgia, essa é a verdade. Além da dor, vou ter dificuldade para comer, para rir e para falar. Tudo o que é mais gostoso, claro, será impossível de se fazer por um tempo. Mas também sei que vai dar tudo certo, porque isso aí é fichinha para a dona Paola Del Monaco aqui. E sei que vai valer um sorriso novo. Tão novo quanto 2010.

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Assim como o velho Ebenezer Scrooge, do clássico Os fantasmas de Scrooge, eu recebo visitas dos fantasmas do passado, do presente e do futuro. Na animação Scrooge começa as férias de Natal como de costume: mesquinho e de mau-humor, berrando com seu fiel assistente e com seu alegre sobrinho. Mas quando os fantasmas dos natais Passado, Presente e Futuro o levam em uma surpreendente jornada que revela as verdades que o velho Scrooge reluta em enfrentar, ele se dá conta que deve abrir seu coração para desfazer anos de maldades, antes que seja tarde.

Diferentemente do velho ranzinza, eu não sou tão rabugenta assim, não berro com assistentes e muito menos com os meu sobrinhos. E, convenhamos, eu não tenho o coração de gelo como o sêo Ebenezer. Mas há, sim, verdades que reluto em enfrentar. E aí o fantasma do passado vem, azucrina, esfrega na minha cara determinadas escolhas, decisões e situações que me fazem mergulhar na complexidade da questão. Por isso que a Lucélia, minha terapeuta, vive brigando comigo e mostrando por que não devo olhar para trás, mas às vezes o fantasma atormenta tanto que chego a pensar que é mais fácil eu contratar os Ghostbusters do que ir à terapia.

Como se não bastasse as minhas brigas com o passado, vem o fantasma do presente para me confundir, reclamar infinitas vezes que eu não tenho cuidado de mim, cuidado com as minhas escolhas, cuidado com tudo, porque tudo tem uma consequência. Ele é cheio do blá blá blá. Aí quando ele vê que eu já tô entendiada com seu discurso, ele blasfema: vai me ignorar? Pois vou chamar o meu amigo! E aí vem o fantasma do futuro com tudo aquilo que me dá medo. Nada do que ele mostra é exatamente o que irá acontecer, mas ele prova por A + B quais são as possíveis consequências, caso eu faça isso ou aquilo, caso eu opte por X caminho ou caso eu decida não fazer isso ou aquilo. É o mais ameaçador. É quem mais me aterroriza. É um cretino e não passa de um moralista alienado de merda. Pronto, falei!

Às vezes consigo mandar todos pastarem e, assim, eles somem nas trevas. Aí eu levo a vida, sem olhar pra trás, sem me arrepender, como já dizia aquela musiquinha natalina. E levo o meu dia como se não houvesse amanhã, como já dizia Renatão. E o futuro? o futuro é duvidoso, como já dizia Cazuza. E eu não digo mais nada, porque os fantasmas irão debochar e usar isso tudo contra mim. Ridículos!

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