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Archive for janeiro \27\UTC 2010

Ska

De uns tempos pra cá, uma única palavra passou a te definir. Roteiro. Ela não sabe ao certo se é você ou se é a história, mas ocorre que o fato se resumiu a um roteiro para nenhum Almodóvar botar defeito. Ela se arriscaria até mesmo em dizer que tal roteiro transita quase lá com as histórias surreais de Tim Burton.

O roteiro, de tão aprisionado que está em toda aquela desordem subversiva, não saiu do papel. Aliás, nunca deveria ter saído do papel. Ela fuça nos papéis amarelados pelo tempo, lê e relê diálogos, descobertas e histórias que desafiam a compreensão. A leveza estava na poesia provocada pelo destino, pelas circunstâncias e pelos desdobramentos tão surpreendentes. Mas o que se vê naquele roteiro todo poético é também desespero, incertezas, questionamentos, medo, inconformismo.

Virou quase uma novela mexicana, de tão chato que o roteiro ficou. Chato porque não se desenrolava e porque começava a se tornar um filme já manjado, previsível e, pior, sem final feliz. Aí virou melodrama, pieguice das bravas, porque se falava só na saudade que batia, no silêncio que gritava, no desfecho miserável, no rasgo da alma, na ausência.  

Acredite, ela não gosta de rotulá-lo, até porque ela sabe que acaba se rotulando também. Ela entende também o que aconteceu, pode apostar. Aliás, ela teve uma ajuda para analisar as hipóteses do roteiro. A pessoa tinha razão. O jeito era mesmo olhar o lado mais óbvio, aquele que se perde na hora do desespero e da cegueira.

Nada fácil. É um exercício para não se trair, para não se culpar e para não perder a essência daquele roteiro que era muito mais do que poesia. Baseado em fatos reais, o roteiro é uma história de amor. Sem final feliz, mas é de amor.

E o sêo Herbert Viana tinha toda a razão…

Ska

A vida não é filme e você não entendeu
Ninguém foi ao seu quarto quando escureceu
Sabendo o que passava no seu coração
Se o que você fazia era certo ou não
E a mocinha se perdeu olhando o sol se por
Que final romântico, morrer de amor
Relembrando na janela tudo que viveu
Fingindo não ver os erros que cometeu

E assim
Tanto faz
Se o herói não aparecer
E daí
Nada mais

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Ele

Pela primeira vez neste blog,  estou postando um texto feito a quatro mãos, escrito por mim e pelo Frango.  Não poderia ser diferente por uma única razão. E essa razão tem nome: Johnny.

Não dá para descrever o nosso estado. É caótico. Mais do que isso. É profundamente doloroso. Você, boca rosa, foi mais do que especial. Foi diferente. Em tudo.

O primeiro encontro que tivemos já denunciava que você era de uma espécie rara e, pra sermos bem sinceros, tu era muito do tonto. Incrivelmente lindo e tonto. Quando a gente chegou, a fim de saber qual daquela matilha iria nos escolher, você foi para uma direção completamente contrária. Todos latiram felizes para nós e você latiu para o vento, para o nada, e foi aí que você nos ganhou.

Como já contado aqui, no trajeto até a nossa casa, você – de tão pequeno – se ajeitou no meio das minhas pernas e, em menos de um mês, já me derrubava como se eu fosse um pino de boliche.

Tu era bobo de tudo, sem noção. Mas quer saber? Foi vc quem nos fez de bobo. Com o seu jeito docemente safado conseguia tudo o que queria. Ou quase tudo.  Tu era chato também. Pra ca-ce-te. Maleducado que só, cheio das malandragens, desobediente mesmo. Riscou o carro de todo mundo, sujou roupa,  acabou com a visita dos pássaros em casa e quebrou muita planta a fim de exorcizar lagartixas. Por que você as odiava tanto? De tanto cavar o jardim,  o sêo Filberto acreditava piamente que vc um dia iria achar petróleo ou traria um chinês lá pra casa.

 A gente ainda é capaz de vê-lo  sentado na entrada de casa, vidrado na mesa do almoço de domingo e babando. Babava a ponto de acumular uma poça lá. Aos sábados, você já sabia que a gente comia frango assado. Seu petulante! E não sossegava enquanto não ganhava a sua parte. A grande verdade é que você comia de tudo: ração, carne, comida, pão, goiaba azeda, tatu bola, planta, terra, sapato, bexiga e alguns objetos não-identificados.  Ah, e vc adorava garrafas pet de dois litros vazias. Não era o seu prato preferido, mas sim o seu brinquedo predileto, destroçando- a em segundos.

De um ano pra cá, deu pra ter frescura exagerando nas chantagens emocionais. Quando s~eo Filiberto e dona Idalina vinham para SP e te deixava por um dia e meio, você não se despedia. Amarrava a cara e só faltava mandá-los a merda. Ficava todo emburrado. Fazia greve de fome e nem água bebia. MI-MA-DO!

Outra frescura adquirida nos últimos meses foi a temperatura da água servida a você: gelada. Só podia ser água estupidamente gelada. Você conhecia a sua garrafa e sabia que aquela lá não era para destroçar. Seu sem vergonha!

 As meninas faziam de você o que quisessem: cavalo, cachorro, joão-bobo. E a gente te amassava, puxava as suas pelancas, esticava a sua boca, fazia cócegas no seu joelho, cafuné e te enchia de beijos quando você encostava a sua cabeça em nossas pernas. Era gostoso dar tapa na sua bunda também. Você achava graça.  

Nós poderíamos escrever um best seller sobre você e, principalmente, sobre tudo aquilo que você provocou. Mas o fato, Johnny, é que nesse exato momento estamos em um estado caótico tamanha dor que sentimos só de pensar que hoje foi o seu último dia. A gente queria mais. Bem mais.

Obrigada cabeção. Você, de alguma forma, continua sendo parte da nossa história. Uma história linda, surreal e absurdamente divertida.

15/01/2010 -A última foto do Johnny foi com a Sofia, a nossa fofolete

Aqui, a borboleta o distraiu

 Ele era noveleiro também.

Ele era noveleiro também

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O fato é: eu não tenho a menor vontade de voltar a fazer certas coisas quando ouço histórias ou recebo convites relativos a algo que um dia amei fazer e que hoje eu não faço nem a pau.

Abomino balada, daquelas do tipo que é para dançar a noite inteira e conversar aos berros. Odeio filas para entrar no local onde o objetivo é se divertir. A última vez que fiz isso foi para ir à despedida de solteira de uma amiga. Ela escolheu um bar super da moda, em plena quinta-feira, localizado no Itaim – o endereço dos rapazes bombadinhos que usam camisa dobrada de forma descolada e das mulheres do tipo periguete que passam gloss em suas bocas cheias de botox, vestem shorts de cetim e têm cinco tons de cabelos. Querida Paula, fui por você e pela nossa amizade, mas que dificuldade. Afe! Mal conseguíamos conversar e a música estava tão alta que eu não me atrevi ficar além de 1 hora.

Camping e esportes radicais também já foram hobbies meus. Eu amava do fundo do meu coração e hoje não suporto nem pensar na idéia. Lembro que durante três anos pegava a minha mala, a minha barraca e o ônibus rumo à Visconde de Mauá. Passava um catso de um frio à noite e acordava dentro daquela barraca que fervia durante o dia por causa do calor. Comia miojo e dividia banheiro com quinze mil pessoas. Em uma das minhas férias, comprei um pacote de uma agência de esportes radicais e me mandei para Blumenau. Fiz rafting no Rio Itajaí de dia e de noite também. Fiz canyoning e rapel em uma cachoeira que tinha mais de 1 milhão de metros. Fiz trilha no meio de uma mata íngreme e escorregadia. E só não pulei de paraquedas porque a grana não deu. Atualmente ir à montanha russa e ao trem-fantasma é o máximo que eu consigo fazer. O resto? Eu penso “Deus me livre” e sinto as minhas pernas amolecerem só de me imaginar fazendo qualquer coisa dessas. Hoje, o meu esporte radical é brincar com as minhas sobrinhas sob um sol de 50º na praia, correndo atrás das cocós (pombas) e bancando o tubarão.

O que aconteceu? Eu não sei, só sei que amo ficar em casa, assistindo a filmes, lendo ou falando bobagens ao lado do Frango. Amo ir ao Luandão e ficar por horas rindo das histórias mais loucas contadas por todos aqueles fiéis clientes do bar mais fedido e amado da Rafael de Barros. Já rolou e rola de tudo por lá: infinitas DRs (o famigerado “discutir a relação”), sinopses de filmes incríveis, inimigo-secreto, declarações, despedidas, comemorações, desabafos profissionais, pessoais e, claro, os devaneios típicos de uma galera perturbada, densa e cheia da poesia. Lá a gente canta versos de músicas lindas e também sucessos bregas inesquecíveis do Ritchie e da Rosana. Discute-se política, comportamentos e relacionamentos. Rola fofoca, bafão, veneno. Já chorei e vi alguns deles chorar. E sempre rola muita risada. É um lugar de encontros e onde eu realmente me encontro.

Este texto foi escrito porque a Maíra, a Barbie que me substituiu profissionalmente, disse ontem lá no Luandão que hoje iria pular de paraquedas. E eu, em algum momento, fui questionada: se pular era um grande desejo seu, o que aconteceu para você ter mudado de ideia?

Teria eu ficado realmente velha? Embora o meu 35º aniversário esteja chegando, eu não me sinto velha. Sinto apenas que muita coisa que eu curtia até dez anos atrás mudou e que as minhas novas escolhas são apenas novas escolhas. Diferentes. Concluo, portanto, que muitas coisas mudaram na minha vida, mas eu continuo quase a mesma louca, se divertindo com outro tipo de loucura.  

 Agora vou ligar para a Barbie e ver se a louca tá viva.

Parte do Luandão. Há outras fotos aqui

Quanto às fotos do rapel, eu juro que tenho registros daquela aventura. Vou digitalizar e colocar aqui até segunda-feira, dia 11. Eu tenho prova, sêo juiz! Provas!

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Nada mais importa

Este ano eu não quero fazer promessas.  Embora essa já seja uma resolução, melhor eu não vir com aquele meu papinho furado de ir à academia, rever semanalmente os meus extratos bancários, viajar para não sei aonde, estudar, telefonar mais para não sei quem…

Este ano continuo com o mesmo desejo de 2009.

Este ano eu quero ser mãe.

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