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Archive for abril \22\UTC 2010

Clarice Lispector, ao entrevistar Rubem Braga, escreveu: “Há mil Rubens dentro de Rubem Braga, assim como há mil clarices em mim”. Eu sou mil Paolas porque há milhares de mim dentro de mim. Muitos acham que sou divertida, outros acham sou formal. Há quem ache que sou fascinante e charmosa. Alguns me acham sofisticada, outros dizem que sou alternativa. Já ouvi que tenho cara de rica, jeito de quem mora em um endereço que comece com Alameda. Há quem me admire e/ou ache incrível alguma história minha.

Na maioria das vezes não me aborreço com tais achismos. Só não gosto da expectativa que criam a partir de uma única imagem que fazem de mim. Para quem me acha muito divertida, aqui vai o meu recado: nem sempre sou divertida, nem sempre estou a fim de contar histórias incrivelmente engraçadas. Portanto, não se decepcione. Melhor, não me amole, porque também tenho o meu lado azedo. E para quem me acha pavio curto, eu não sou só isso. Há outras Paolas legais, que seguram a onda ou que aprenderam a contar até 75 para se calar. Alameda o que? Ha ha ha pra você! Não, estou um pouquinho longe desse endereço aí, mas o meu traz a palavra alegre e o edifício foi batizado por algo felicitá. Não há muito espaço, mas convivo bem aqui. Há plantas na sacada e também casinhas de passarinhos penduradas na parede. Rica? Estou longíssimo desse conforto financeiro, mas tenho consciência de que dinheiro algum poderia comprar os meus tesouros. Da mesma forma que, se eu os perder, não há terras, pessoas influentes ou poder no mundo que os recupere.

Me aborreço quando ficam incrédulas ao me ouvir dizendo: não, não sei. Não, não conheço. Poxa, me desculpe se isso te faz pensar que sou burra ou se isso me diminui. Ao invés de me humilhar, essas pessoas poderiam apenas compartilhar tais conhecimentos, que podem ou não me interessar. Ou melhor, poderiam respeitar, sem me julgar. Leio bastante livro, clássicos e também de autores respeitados. Amo crônicas, amo as de Clarice, as de Rubem Braga, as de Xico Sá, as de Martha Medeiros, as de Mario Prata e as de tantos outros. “A viajante”, de Rubem Braga, é uma das melhores crônicas em minha opinião. Mas porque não posso dizer que gostei também do livro sobre a Beck Bloom? Ou por que não posso dizer que adoro assistir “mensagem pra você”, com o Tom Hanks? Quando digo que não consigo ouvir Chico Buarque, sou rechaçada. ALGUÉM QUER OUVIR A RAZÃO, POR FAVOR? Mas amo suas letras e suas canções quando são interpretadas por Zizi Possi, por exemplo. E no momento estou lendo o seu Budapeste, que me prende de um jeito bom e não como o seu “estorvo”. Aquele eu li e troquei no sebo, de tão pesado. Decepcionados, não é?

Sou também essa Paola que não consegue terminar esse texto, que parece ter perdido o fio da meada e que não quer deixar como parágrafo final esse sobre o que a aborrece. Vai parecer um recado, vai parecer que estou chateada com determinada pessoa e não é nada disso. É só um texto de uma dessas mil Paolas que sou.

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2020

Alguém disse que me visitou no futuro. Não pôde ver muito, mas me viu rindo das bobagens típicas de uma certa atmosfera que move e revoluciona os meus dias atuais. Fiquei curiosa e feliz. Embora a pessoa não tenha visto tanto, eu gostei MUITO de saber que em 2020 ainda existe a tal atmosfera .

Quero e torço muito para que a Paola Del Monaco que me tornarei daqui a dez anos esteja se sentindo tão completa como a de hoje, mas bem menos ansiosa. Bem menos.

Tomara que ela continue se permitindo a viver sem se enganar e que ela não esqueça de sua essência, dos seus sonhos e de alguns momentos que a despertaram. Espero que ela continue absorvendo elementos fundamentais para se transformar em novas e em outras Paolas. Que ela continue rodeada por pessoas que tenham a ver com ela e que também não tenham nada a ver. Espero que ela continue quebrando algumas regras tão hipócritas e que distorça valores, conceitos e lições que possam impedí-la de fazer algo. Gostaria muito que ela falasse italiano fluentemente e desse aulas. Para crianças. Torço para que ela continue se divertindo ao lado do Frango, seja por causa de suas brincadeiras (FBI, rolinho, qual é a música, histórias surreais antes de dormir…) seja por causa de novas bobagens que arrancam gargalhadas e dão mais leveza a essa relação tão singular. Espero que eles tenham tido um filho ou uma filha para com ele/ela ensinar e, principalmente, aprender. Se por um acaso ela estiver triste, espero que ela feche os olhos e visite 2010. Tenho certeza de que ela irá sorrir e irá entender porque é completamente feliz. Há outras épocas para visitar e sei que ela terá discernimento para reviver o que realmente vale a pena.

Uma pergunta para vc que me visitou: eu moro numa casinha simpática habitada também por um cachorro grande e bobo?

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