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Archive for maio \30\UTC 2010

Querer

Eu quero ir ao cinema , ficar de mãos dadas com vc e encostar a minha cabeça no seu ombro. Quero roubar um pouco da sua pipoca, roubar uma gargalhada sua, roubar um beijo seu e o seu coração, já que vc roubou o meu.

Quero dançar várias músicas abraçada a vc. Se nenhuma tocar, podemos fingir que estamos ouvindo. Eu quero dormir e acordar ao seu lado, atravessar uma madrugada conversando com vc sobre tudo e sobre nada, perder tempo com vc, parar as horas, enganar o relógio e esquecer que ponteiros existem.  

Quero delirar ao seu lado, caçar borboletas, tocar campainha e sair correndo, gritar no trem fantasma, ensaboar o chão para escorregar de propósito, ter um ataque de riso, perder o fôlego e os sentidos.  Quero conhecer a sua história de trás pra frente, saber de suas férias na casa da avó, dos tombos e das molecagens e dos lugares que visitamos no mesmo dia, na mesma hora sem nos dar conta de que ali o destino brincava com os nossos caminhos.

Quero andar ao seu lado num parque com os pés descalços, tomar sorvete em um dia quente e chocolate quente em dias frios. Quero ver o pôr do sol, a lua cheia e as cores do outono. Quero brincar na chuva e fazer manha se eu me resfriar, ler ao seu lado, pegar uma estrada com você, subir em algum lugar alto, sentir o vento de braços abertos e ouvir o eco da montanha.

Quero te surpreender, marcar um encontro e te ver por acaso. Quero ganhar um carinho, fazer cafuné e relaxar no seu abraço. Antes de botar os meus olhos em você, quero colocar um vestido bonito, uma fita graciosa na cabeça e enfeitar o meu rosto com um sorriso.

Quero te contar segredos e histórias, quero voar com você, mergulhar, planejar, construir, sonhar e  desenhar o que vier à cabeça. Quero ser a sua eterna namorada, a sua melhor amiga, a sua confidente, a sua amante, a sua mulher e a sua poesia.

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Caixa de Pandora

Outro dia ela se pressionou a responder o que faria se a vida os colocasse frente a frente.  Arriscou um palpite, mas ela mesma não se convenceu. Faz tanto tempo e ao mesmo tempo ainda parece ser recente. Já não sabe mais e tampouco quer pensar no assunto tempo. Já não sabe mais como seria sua reação se o encontrasse – como se reações pudessem ser planejadas. Já não sabe mais o que de fato sentiria.

Talvez seja melhor assim. Seguir sem saber e sem mais se perguntar. Melhor ainda, seguir sem esperar. Sente-se livre e não mais prisioneira de uma história que precisa ficar em seu lugar: numa caixa bonita e especial, assim como essa  história construída, escrita, vivida e finalizada.

Caixa com um laço que se desfez e que precisou ser lacrada, dessa vez de uma outra forma. O laço foi desfeito, não num desamarrar comum, mas como se a fita fosse queimada em sua mão e a queimasse, deixando uma cicatriz. Aquela fita desamarrada poderia ser amarrada em laço de novo, mas ela não existe, foi queimada. A fita jamais poderá ser a mesma, apenas para aquela garota, mas a garota há tempos deixou de ser aquela garota. Essa mulher que hoje segue não mais prisioneira traz a essência daquela garota, sim, traz ainda aquela graciosidade, o jeito feliz de viver e de sentir verdadeiramente, se permitindo sempre. Mas hoje ela também carrega uma cicatriz. Cicatriz de uma ferida curada pelas surpresas generosas dessa vida.

A caixa está lacrada, é verdade, mas não impossível de se abrir. Mas não há razão para querer mexer. Certas coisas devem ser simplesmente  guardadas. Acredito que assim, o tesouro não perde o valor nem o seu encanto. Talvez o melhor mesmo seja deixá-la fechada, para não arriscar e para que a tal não se transforme na temida caixa de Pandora.

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