Foi-se o tempo que estudantes revolucionavam a história de um país de uma forma heróica que enchia de orgulho muita gente. Acabo de reler “Anos Rebeldes”, de Gilberto Braga. Estou novamente tomada por toda aquela revolução que modificou a sociedade e desafiou o regime ditatorial implementado em 1964 pelo Golpe Militar. Em 1992 Anos Rebeldes virou minissérie e a minissérie influenciou e inspirou milhares de estudantes a protestar contra Fernando Collor de Melo e a corrupção no país. Surgiram assim os caras-pintadas que marchavam nas ruas, de camiseta preta e rosto pintado de verde e amarelo, gritando “fora Collor e o FMI!”.
Me lembro desse dia. Eu nem sabia o que diabos era o FMI, mas eu e alguns amigos do colégio voamos para a Av. Paulista ávidos por mudanças e a queda do presidente. Eu pesquei tudo no trajeto do ônibus por causa de um garoto que discursava como um líder nato sobre o “tal do FMI”. A partir daí planejávamos um Diretório Acadêmico, o fim de mídias alienadas e traçávamos a derrubada da elite burguesa capitalista. Segurei com o maior patriotismo do mundo a faixa “Impeachment!” me permitindo bradar contra roubalheiras. Os caras-pintadas viviam a liberdade de expressão, um dos maiores ideais dos estudantes de 1968. O som da manifestação dos caras-pintadas não era os de cascos de cavalos nem os das sirenes que tanto os estudantes de 68 ouviam. O som era a voz de milhares de estudantes cantando Alegria, Alegria, de Caetano Veloso.
Confesso que, ao chegar em casa, eu quis colocar os pés em uma bacia com sal e umas rodelas de pepino no rosto, porque a combinação “sol + guache” havia triturado a minha pele. Também não consegui participar nem da primeira reunião do movimento estudantil, porque não fui capaz de vencer as regras nada democráticas da dona Idalina, que ditava histericamente: “vai estudar e não discuta comigo, porque eu sou sua mãe! Não quero saber de filha minha metida em confusão”. Eu não mudei o mundo nem o sistema educacional marginalizado nem a condição precária do país. O mundo mudou e pra pior, principalmente os estudantes.
O episódio ocorrido na Uniban é algo tão inacreditável que chego a me perguntar com bastante saudosismo, e como se eu tivesse 80 anos de idade, o que aconteceu com a juventude? No dia 22 de outubro, a aluna Geisy de Arruda foi hostilizada por alunos da Uniban por ir à universidade com um vestido vermelho curto. No sábado a Uniban anunciava que a expulsão da aluna teria ocorrido por “desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.
Há 20 anos um estudante chinês emocionava o mundo se colocando a frente de um tanque de guerra, durante protesto na Praça da Paz Celestial, desafiando tropas militares. Comemorava-se também a queda do muro de Berlim. Por que, então, em pleno século 21 os jovens fizeram toda aquela manifestação na Uniban? E por que a Uniban tomou a decisão medíocre de expulsar a garota?
Estamos prestes a viver o ano de 2010 e concluo que somos um país democrático hipócrita e que continuamos com conceitos e preconceitos alienados e com aquele conservadorismo vergonhoso. A reação dos estudantes da Uniban foi uma barbárie sem tamanho. Um bando de alunos sádicos, loucos, acéfalos que repudio. Eu queria mudar o mundo, lembra? O movimento estudantil de 68 também. Ninguém conseguiu. A prova está aí, com um bando de animal que ruge por causa de uma saia curta. Geraçãozinha de merda essa. Se dependermos de suas lutas, estamos fodidos. Faço das palavras de Rosana Hermann as minhas:
“…Esses absurdos todos que vemos, esse enaltecimento de pessoas sem noção, essa paixão pelo lixo, essa fúria em massa, essa vontade de destruir, de atacar, de julgar de forma preconceituosa e cruel, são sintomas de uma sociedade doentiamente contraditória e retrógrada que inclui todos nós. …A saia era curta? Era. Mais curta ainda é a tolerância do ser humano.” Para ler o texto dela na íntegra clique aqui.









Essa poltrona aí foi o motivo do primeiro troço que o Frango teve…Mas não é linda?









